Eu tentava preencher meu tempo com tudo que podia.
Eu era a maior leitora, tomava mais de três banhos por dia, via de dois a três filmes por dia e ligava pra todo mundo que estava disposto a sair comigo pela noite.
A verdade, é que numa cidade pequena nas férias e carregando uma mágoa enorme dentro do peito que me impedia de tudo, não havia praticamente muito que fazer.
Tudo era pouco.
Logo eu que sempre vivi no excesso, agora sentia que nada era suficiente, nunca. Nem o meu apetite era mais como antes. Eu mal comia, e me satisfazia uma tarde inteira com dois pequenos pasteizinhos. Eu queria voltar ao excesso, mas ele me destruira e eu tinha vontade de vendar meus olhos e fingir que nada estava acontecendo as minhas costas, e ter de novo aquela felicidade falsa que me preenchia.
Eu morava numa pequena casa bem próxima do que podia se chamar de comércio da cidade. Meus pais eram ambos aposentados e viviam uma vida simples e bem comum. Minha casa tinha muitos gatos e o quintal quando demorava pra ser limpo às vezes cheirava mal.
Não sei se esse era um dos motivos dele nunca ir a minha casa e evitar meus pais, que sempre foram pessoas bem tranqüilas. Porém ele nunca conseguiu os enganar, como fez comigo.












