
Ele surgiu assim, do nada.
Isso obviamente, na minha percepção, pois como desatento e voado ser de pensamentos aflorados ambulantes, eu nunca percebo bem as pessoas a minha volta.
Enfim, ele apareceu do nada, quando vi, ele já estava na minha vida após as aulas me dando um beijo na bochecha e dizendo: "tchau moça doida" [esse ato sempre me assustada pois ele chegava de lado e dava o tal beijo de tchau sem eu nem perceber direito quem era].
Na verdade só fui reparar nele quando percebi que ele saía logo do emprego [pela camiseta trabalhava num lugar pesado e mal remunerado] para ir direto pra aula.
Mais tarde, percebi que aquele simples tchau tinha algo a mais e por isso me afastei dele.
Me sinto meio desapontada quando alguém que é meu amigo fica querendo algo a mais... mas nesse caso foi muito diferente, ele nunca foi meu amigo. Na verdade eu mal sabia que existia até deixar expresso em pequenas frases estranhas: "porque não sentou ao meu lado?" "depois temos que conversar longe desse monte de gente não acha? papo mais centrado doidona"
Outra coisa, o doidona nunca me agradou, nunca chegará perto das palavras que recebo toda noite antes de dormir e nunca trocaria um "minha menina" por algo que expressasse o modo como alguém me vê tanto físicamente quando na maneira que ajo.
Não sei bem a função desse texto, mas me surpreendeu o fato de ele ser totalmente o oposto do que "estou acostumada". Digo, um cara que trabalha o dia todo, vive sua vidinha normal numa rotina normal, com roupas normais e se aproxima de uma garota com roupas estranhas, maquiagem pesada nos olhos que passa a maior parte do tempo rindo com as beshas e humorísticos afins.
Não sei o que esse típico cidadão trabalhador viu em mim, achei que a espécie normal da cidade sempre me repelia, mas por incrível que pareça há alguns alternativos presos em casulos por aí [e sinceramente, pra mim são piores porque tem medo de serem eles mesmo pelo julgamento dos outros].
De qualquer forma, esse texto é apenas uma reflexão de diferenças entre duas pessoas, ou talvez nada disso.
E eu não trocaria por nada desse mundo o aconchego da minha boa e velha casinha inglesa, que me sussurra as mais amáveis palavras ternas e mansas que eu tanto prezo.











