Eu já não sei mais pra quem eu escrevo...
Eu não sei mais diferenciar o real do fantasioso, do esperado, sonhado e precipitado.
Eu deitei num carro apertado imaginando que estava num campo vasto deitada na grama.
Eu vi a luz do velho e acabado poste da rua batendo em seu rosto e fantasiei a luz do luar.
Eu fiz carícias em seu rosto e ele as repeliu e mesmo assim, eu quis acreditar que ele apenas estava tendo um sonho ruim...
Hoje eu presenciei uma troca tão mágica de sentimento entre duas pessoas, foi algo tão puro, tão sincero, tão desejado, um amor tão verdadeiro que ao se abraçarem e aceitarem um ao outro como companheiro, lágrimas rolaram dos rostos de ambos...
Eu senti algo, bem do fundo das minhas entranhas. Algo que estava lá em mim enterrado a muito tempo, e sustentado por fantasias.
Imediatamente, toda a minha maneira de pensar havia sido arruinada.
Imediatamente eu pus a culpa nos convites de visitar sua casa, que nunca mais vieram. Logo depois estupidamente pus a culpa nele mesmo...
Mas a verdade é que eu não o culpo, tenho plena consciência que esse sentimento vêm inteiramente de mim.
Passei a repudiar certas maneiras e atos, e se eu não os aceito é errado exigir que outra pessoa mude ou amadureça antes do seu próprio momento.
Há responsabilidades que não estão nos nossos planos, e nem sempre estamos aptos para tais. Mas desejamos de tal maneira louca e desenfreada, que nem ao menos paramos um instante no realismo para pensar se realmente será a base de toda a felicidade ou de toda a perda da vida que construímos até então.
E esse eterno bumerangue de sentimentos sempre vai e vem, mas mesmo eu tendo a certeza de que vai voltar, ele sempre insiste em partir mais uma vez.
Onde estará a magia eterna enraizada?