E ele se tornou o olhar dourado do meu abismo

Meu mais detestável advogado, balança de julgamentos

E eu como mais insignificante cliente e réu, fixo o olhar na balança, esperando seu julgamento

Algumas vezes a balança pende tranquila e serena, outras vezes é um desespero amargurado

O Advogado usou a voz, fez promessas. Mas, esqueceu que nem sempre poderia salvar o réu.

Realidade.

Jogou fora as flores e silenciou toda a textura que sobrara.

A voz, um dia foi mansa e aveludada, cheia de expectativas e promessas.

Hoje é rouca, gasta, doente e nauseante.

Ri para a hipocrisia do que sua alma se tornou, e vive na mais enfeitada mentira de dizer a si mesmo que é o que quer se tornar.

Vive julgando no seu tribunal de seda, mas não permite ser julgado.

O coração que era pequeno e singelo, agora é um diamante bruto, se violentou e pregou rebites por todo seu pequeno corpo para crescer e não sentir mais dor.

As lembranças e anseios do tempo antigo, se perderam no tribunal, escorregaram da balança, e agora vivem em cada cigarro queimado no cinzeiro de coração, coberto de marcas e queimados.

Tudo se foi, e tudo está aqui, como um velho baú bem feito e esquecido pelas mãos do próprio artesão. Só espera um dia tornar a ser aberto.

Enquanto isso, o Advogado se contenta com os desenhos do artesão, que cobrem toda a parte externa do baú. Mas eu não, eu quero sempre mais do que migalhas e promessas.

Mas o Advogado abandonou seu mais pretencioso cliente com promessas do que imagina ter no baú.