Ali estava ele de pé, esperando-a, na sala da casinha acanhada aonde ela o trouxera, enquanto ela ia um instante ao segundo andar ver uma mulher. Ouvia seus passos rápidos em cima; ouvia sua voz alegre e logo depois baixa. Olhou os guardanapos e caixas de chá, e as sombras dos globos, enquanto esperava, bastante impaciente, ansioso por voltar para casa e decidido a levar a sacola dela. Então ouvi-a sair; fechar a porta; dizer que deveriam manter as janelas abertas e as portas fechadas (devia estar falando com uma criança). De repente, surgiu, parou por um instante em silêncio (como se tivesse ficado representando lá em cima, e por um momento voltasse a ser ela mesma agora), quase imóvel, diante do quadro da rainha Vitória, com a fita azul da Ordem da Jarreteira. Subitamente, ele descobriu: ela era a pessoa mais bela que conhecera.
Com estrelas nos olhos e véus no cabelo, com ciclamens e violetas selvagens – mas em que despropósito estava pensando? Tinha no mínimo cinqüenta anos e oito filhos. Caminhando por campos floridos e levando ao peito botões esmagados e carneiros caídos; com estrelas nos olhos e vento no cabelo... Ele segurou sua sacola.
- Adeus, Elsie – disse ela, e subiram a rua, ela segurando a sombrinha, muito aprumada, andando como se esperasse encontrar alguém na próxima esquina. Pela primeira vez em sua vida, Charles Tansley sentiu um orgulho extraordinário; um homem escavando num bueiro parou de cavar e olhou-a; deixou o braço tombar e olhou-a. Charles Tansley sentiu um orgulho extraordinário; sentiu o vento, os ciclamens e as violetas, pois andava com uma mulher bela pela primeira vez em sua vida. Segurou sua sacola.