Só Deus poderia dizer como era o caráter de Manílov. Existe uma espécie de gente da qual se diz: é gente assim-assim, nem isto nem aquilo, nem na cidade Bogdan nem na aldeia Selifan, como diz o provérbio. Talvez tenhamos de incluir Manílov nesta categoria. Seu aspecto exterior era vistoso. Os traços fisionômicos não eram desprovidos de simpatia, mas nessa simpatia havia uma porção excessiva de açucar; nos seus modos e maneiras havia algo que se insinuava, procurando conhecer e agradar. Tinha um sorriso atraente, era louro, de olhos azuis. No primeiro minuto de conversa com ele não se escapava de dizer: "Que homem agradável e encantador!" No minuto seguinte, não se dizia nada, e no terceiro, já se dizia: "Que diabo de coisa!" - e se tratava de afastar-se dele o mais possível; mas quem não se afastasse sentiria um tédio mortal. Não adiantava esperar dele uma palavra mais viva ou pelo menos mais irritada, como se pode ouvir de qualquer pessoa quando se toca num assunto que mexe com ela.