Você, sem dúvidas, sempre foi capaz de levar todos os abismos para bem longe e transformá-los em simples sorrisos infantis.
Eu, na minha ingenuidade e rancor - que me fechavam de tudo e de todos - não sabia ao certo, no começo, o que fazer com tanto excesso de açúcar. Mas, acabei descobrindo por erros médicos, numa certa tarde, que não sou diabética.
Nessa mesma tarde você estava lá. Tudo que eu conseguia enxergar no meio daquele transe era você, por várias horas de pé ao lado daquela cama de hospital.
Confesso que era tudo que eu menos queria naquela época: ser vista naquele estado frágil e deplorável.
Fraca.
Hoje não encontro palavras para descrever o que senti, apenas: Sim, você estava lá. Ele sempre esteve "lá".
Naquele dia percebi que você era o único capaz de sugar algo frutífero da carne seca; do corpo oco de rancor e mágoas fúteis que eu guardava.
Não, não... Já esqueci... E lembrei que tudo aquilo já não há.
Só me importa agora estar com você, pois eu sei que assim tudo se mantém inesperado e renovado... Você sempre me ensinou a tornar os fantasmas das lembranças em palavras risíveis, e eu sempre aproveitei de tudo um pouco nesse nosso, já longo, aprendizado.
Sim senhor!