Não há mais sonetos, contos ou poesias no quarto.
No ventre das noites, ela só pensa em todas as suas antigas cartas, enterradas num baú infeliz em algum lugar.
Escondida na colcha velha e surrada, perto da janela, a lua cai com o grito do vento.
O óculos torto de aro preto se quebrou ao ouvir todas as canções da moça bonita de chapéu, que um dia cantou no pé daquela cama.
Por que ela não canta mais?
Pode ser que não haja nem ao menos amor, mas nos contetamos por não haver mais dor. Todas as lembranças de mágoa foram substituídas pela grande sensação de fracasso dos vários fracassos.
A colcha está repleta de falhas.
Adeus Sonetos!
O baú sumiu, a madeira que sobrou foi levada para a velha casinha na colina que pertencia a Lou Salomé e Nietzsche.
Lá algumas lembranças ainda vivem, assim como um dia viveremos conectados por mente e alma. Até que a morte nos separe, amém.
Os frutos de todas as nossas macieiras serão drenados em cada pequena palavra sábia gravada na madeira dos aposentos... perto do bosque.
Menos um soneto para aquela interminável colcha de retalho!
E assim, finalmente, Otelo matou Desdêmona.