
A minha imaginação tem iniciativa?
Será sugestionável?
Desenvolver-se-á espontaneamente?
Estas perguntas não me deram trégua. Tarde da noite tranquei-me no quarto, instalei-me confortavelmente no sofá, rodeado de travesseiros, fehei os olhos e comecei a improvisar. Mas minha atenção distraiu-se com umas manchas coloridas, redondas, que ficavam passando diante das minhas pálpebras fechadas.
Apaguei a luz, julgando ser ela a causa dessas sensações.
Em que deveria pensar? Minha imaginação revelou-mee árvores numa grande floresta de piheiros, movendo-se com brandura e ritmo, sob uma brisa suave. Podia sentir o cheiro do ar fresco.
Por que... nesta serenidade toda... estou escutando o tique-taque de um relógio?
Eu tinha ferrado no sono!
Ora, está claro, compreendi, eu não devia imaginar coisas sem propósito.
Portanto, subi num avião, por sobre a copa das árvores, voando sobre elas, sobre os campos, rios, cidades... tique-taque, faz o relógio. Quem é esse, roncando? Não pode ser eu... será que cochilei?... será que dormi muito?... o relógio bate as oito...











