
- Meu bem, eu sei que acabei de chegar... - hesitou por um instante - mas é que eu terei de viajar de novo amanhã... de manhã.- Pronto, tinha falado e não queria olhar nos olhos dela -.
-Mas, de novo? - Disse baixando os olhos -
-Sim... Eu sei que tenho estado longe, mas eu recebo pra isso e preciso realmente ir.
- respirou fundo tentando esconder o olhar desapontado e disse - Claro, eu entendo. - e realmente sempre entendia, entendia até demais - Sentirei sua falta.
- Amo você.
***
Durante uma tarde tranquila sem fazer nada, a campainha toca.
Não esperava ninguém, muito menos quem encontrou de pé na porta com olhos superiores que ela não sabia o porque de tal sentimento de superioridade.
Disse um breve "oi" e foi entrando ferozmente pela casa. Olhava tudo, queria ver tudo de perto -talvez perto até demais que se tornava doentio -.
Finalmente quando não havia mais jeito de criar brigas pela invasão, a garota parou com os olhos fixados e investigadores para um grande quadro de fotografias e disse no mesmo tom autoritário que indicavam seus olhos:
- Não vejo minha irmã.
- Também não vejo - a ironia é um eufemismo perfeito para situações onde o instinto animalesco fala mais alto -
- Você mandou jogar isso fora também?
- O que mais eu mandaria jogar fora? Já que sou tão ruim a ponto de ordenar e manipular.
- Jogou fora uma estrutura que era perfeita. Perfeita até você se incluir tomando o lugar de outros e fazer tudo ruir. Você não é como nós, nunca ferá parte de coisa alguma.
-já estava cansada da mesma ladainha e resolveu sair da posição de calma - Eu nunca faria isso, não me acho no direito de manipular ninguém, como também não tenho vontade alguma de fazer parte da sua brincadeirinha doentia. Eu não quero ser e muito menos agir como... - parou de repente. Não valia a pena, e só -.
- Que seja. Mas também não vejo fotos suas. Estranho não?
-Momentos importantes não podem ser registrados em fotografias - não valia a pena continuar. Deu um longo suspiro - Não tenho o direito de "invadir residências" e de entrar em assuntos que não são da minha conta. Ninguém tem algum direito de julgar as decisões de quem ama. E sinceramente, esse quarto não é meu para eu saber qualquer informação concreta pra sua brincadeira de interrogatório.
- Ótimo, o joguinho acabou então. Aqui não é nem sua casa.
- Nem por isso te dá o direito de ir entrando.
- Não se preocupe, minha consciência está limpa quanto a isso. Pois, se alguém como você entrou e permaneceu por tempo até demais...
-um forte empurrão e uma porta batendo com vigor- Mas que diabos essa infeliz veio fazer aqui com essa cena tão patética?











