Códigos, bulas, pílulas.
Os olhares densos na farmácia, são tantos remédios "como ela é nova para tomar essas coisas" diz a hesitação nos lábios do farmacêutico ao pedir a identidade.
"Com esse tanto de remédio já esteve internada, pode ter certeza. Deve ser drogas, todos esses jovens de hoje são drogados." diz os olhos da senhora dos cachos branco azulados na fila ao lado.
"Porque você precisa disso minha filha? Você é tão nova, isso é realmente necessário?"

Não falo, não explico.
Ouço os gritos e expresso-os com timidez ao tique-taque da sala do médico. Eu estou louca de tão nova, tão nova como dizem que sou.
Minha mente não fala, não é capaz de reproduzir nem mesmo um mínimo ruído.
O que eu devo fazer doutor? Não quero dormir sozinha essa noite, fico tão pequena naquela cama grande.
A dor não oscila, os sorrisos oscilam em meio a tudo que me dói.
A tudo que sinto, que falta. Falta no que sinto.
Tudo que droga nenhuma preenche, o vazio, a falta do mar.
A falta de amor ao mar.
Eu decepciono a todos que me amam, mutilo as pessoas pagando um preço três vezes mais denso.
Por três vezes foi mais amargo, por três vezes desamei e reaprendi a amar.
Ou talvez, por três vezes não senti nada além do vazio do mar.