
Esse é um último e talvez único adeus dignamente verbalizado e unicamente direcionado a uma personalidade concreta e existente.
Em tudo que escrevo misturo histórias, amores, desamores, amigos, desconhecidos, rabiscos presentes, passados e principalmente personagens. Tenho costume de costurá-los uns nos outros pelas suas essências constantes e inconstantes que provém dos que me rodeiam. Gosto de embaralhá-los como cartas e jogá-los aos meus ventos. Feito isso, gosto ainda mais de acreditar que os imortalizei - justificativa do trecho da música do Teatro Mágico na descrição dos destinatários, todos aqueles que alimentam a essência dos meus personagens.
Apesar disso, só por hoje vou me ater a uma sugestão que recebi nessa manhã, começar a escrever sobre o mundo que não inventei, procurando me despedir de tudo que ainda pesa na bagagem. Só por uma vez escrever sobre um fato, sobre alguém que existiu, com uma ajuda de Virginia Woolf em certos momentos.
Escolhi o poema "Ultimo Poema" do Manoel Bandeira como determinante dos meus pesos e talvez, a saída para a leveza que busco.
***
No caminho além da porta da casa dele, ela se ateve aos reflexos do óculos de sol que cobriam mais que os olhos. Sabia que não voltaria mais.
Ainda se contenta em não buscar as respostas diretamente da fonte, não por orgulho, mas pelas interpretações errôneas que se sucediam nesse caso.
No entanto, era preciso um esclarecimento e se não seria para ele, que fosse para si mesma, para a mente se calar a respeito da frieza, do embrutecimento das falas, do rosto na janela que fazia questionar os métodos, não a decisão.
Esse é um adeus pra mente que permeia sobre o que não pode verbalizar, direciono-o para ela mais que para ele.
Nunca foi o que faltava. Perspicácia? Caráter? Fosse o que fosse, ele tinha isso.
Mas de tudo que existe, nada é tão estranho como as relações humanas, com suas mudanças, sua extraordinária (ir)racionalidade.
Dessa forma, tão logo essa palavra "amor" se verbalizou sonoricamente no quarto, ou mesmo lhe ocorreu como mera possibilidade futura, ela a rejeitou.
A rejeitou por se ver como um ser que não possui o pleno alcance de sua estabilidade. Quanto mais se tratando de um domínio de feelings, de relações afetivas pela metade.
Dessa forma, tão logo essa palavra "amor" se verbalizou sonoricamente no quarto, ou mesmo lhe ocorreu como mera possibilidade futura, ela a rejeitou.
A rejeitou por se ver como um ser que não possui o pleno alcance de sua estabilidade. Quanto mais se tratando de um domínio de feelings, de relações afetivas pela metade.
Sempre lembro de Renato Russo cantando "afinal, será que amar é mesmo tudo?" quando recordo a expressão de baque que eriçava aqueles cabelos vermelhos.
De fato não estava pronta para um caminho incerto, uma hora a possibilidade não verbalizada aniquila tudo de uma vez ou progride de maneira assustadora. As relações humanas são mutáveis e imprevisíveis por demais.
Ela também nunca encontrou nada de tão extraordinário na natureza humana, a menos que esta se encontre submersa nas artes.
Se enganava dizendo que fugia dos artistas. Na família dela era costume pensar que artista é ainda mais instável que gente. Artista é bipolar nato - diziam.
De fato não estava pronta para um caminho incerto, uma hora a possibilidade não verbalizada aniquila tudo de uma vez ou progride de maneira assustadora. As relações humanas são mutáveis e imprevisíveis por demais.
Ela também nunca encontrou nada de tão extraordinário na natureza humana, a menos que esta se encontre submersa nas artes.
Se enganava dizendo que fugia dos artistas. Na família dela era costume pensar que artista é ainda mais instável que gente. Artista é bipolar nato - diziam.
De toda forma, sempre esteve exposta ao fascinante mundo daqueles que (re)produzem tudo que há de extraordinário na natureza humana.
A vida de encontros e desencontros, trazia novos artistas para sanar os verbetes passados vividos no antigo palco, nas cortinas empoeiradas e nos camarins apertados.
A vida de encontros e desencontros, trazia novos artistas para sanar os verbetes passados vividos no antigo palco, nas cortinas empoeiradas e nos camarins apertados.
Verbetes que jamais jaziam dentro dela. Verbetes acesos certa vez nas páginas do livro, aquele que ele encontrou e depositou na sua estante.
Despertou saudade do palco, mas daquelas doídas fragmentadas de possibilidades. Quando a pergunta sobre a obra finalmente surgiu, ela disse que não havia nem mesmo lido o livro.
Apesar dos silêncios, acredito que a sua infelicidade é um estado de espírito. Quero dizer ainda que em meio a tudo isso, a resultante não obstante tem de ser uma causa específica necessariamente.
Mas existem seres tanto capazes de elevar esse estado de espírito, como outros que o reduzem até o mais ínfimo sopro. A menina fugiu em busca do seu eterno retorno nos braços desses seres que podem trazer de volta alguns raios de sol. Acredita que talvez tenha finalmente encontrado a fuga dos t(r)emores.
A perspectiva de céus e poços não é meramente intencional. Confesso que não sei o que é ou deveria ser, só sei que ele a reduzia como amante, e a elevava como amigo. Como amantes se objetalizavam e como amigos se compreendiam.
Apesar dos silêncios, acredito que a sua infelicidade é um estado de espírito. Quero dizer ainda que em meio a tudo isso, a resultante não obstante tem de ser uma causa específica necessariamente.
Mas existem seres tanto capazes de elevar esse estado de espírito, como outros que o reduzem até o mais ínfimo sopro. A menina fugiu em busca do seu eterno retorno nos braços desses seres que podem trazer de volta alguns raios de sol. Acredita que talvez tenha finalmente encontrado a fuga dos t(r)emores.
A perspectiva de céus e poços não é meramente intencional. Confesso que não sei o que é ou deveria ser, só sei que ele a reduzia como amante, e a elevava como amigo. Como amantes se objetalizavam e como amigos se compreendiam.
É o amigo que falta. Ela só se deu conta quando numa situação de pânico viu seus dedos digitarem o número dele no celular. Era um sentimento de companheirismo, confiança da ajuda certa, de quem tomaria as decisões mais racionais e seria sincera quanto aos resultados, muito diferente dos passos oscilantes do amante que só refletiam insegurança e meias verdades.
Hoje gosto de imagina-lo como alguém que esteja sempre em pleno voo. Lê-lo, ao que tudo indica, eu não devo mais.
Hoje gosto de imagina-lo como alguém que esteja sempre em pleno voo. Lê-lo, ao que tudo indica, eu não devo mais.
*Foi a primeira vez que eu tinha a fotografia na cabeça em sintonia com o texto, a escolha não poderia ser diferente.











