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About a Girl

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"Nasci em 1992, no interior do estado. A dança-teatro e o cinema formaram meu primeiro imaginário: a palavra vinha como complemento das imagens. Quando descobri os livros, bem cedo, aceitei-os apenas como o lugar das palavras e das idéias, vendo as imagens a que remetiam ou sugeriam, como fantasmas imponderáveis e sem substância, descabidos, impróprios para aquele tipo de veículo. Quando me pedem que fale de mim mesma, sinto o incômodo, pergunto: que imagem devo projetar? Tenho tantas. Acho que a melhor para o caso é a que passo nos próprios posts, de alguém que escreve mas não acredita nos fantasmas das palavras, embora eles sejam inevitáveis. E a melhor forma de conviver sem temor com essas fantasias é jogar com elas, torná-las risíveis, desautorizá-las, de modo a evitar o poder técnico abusivo que tem quem escreve, para iludir o leitor."

Aos destinatários destas palavras

"Pra dilatarmos a alma
Temos que nos desfazer
Pra nos tornarmos imortais
A gente tem que aprender a morrer
Com tudo aquilo que fomos
E tudo aquilo que somos nós"


O Teatro Mágico

Quem lê

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Copo de conhaque barato na mão.
A viagem não é demorada mais, foi suprida pela ânsia de ir, de fugir, se elevar daquilo tudo que ficou pra trás na estrada.
Deixei você na estrada hoje também.
Pudera eu, deixar junto de ti toda a ira que despejou em cima de mim e cada ferida encravada abafada pela desculpa de lembranças doídas de quem já se foi.
A morte dói, e é usada como refugio de problemas dos vivos.
Tecidos se rompem.
Sonhos se rompem.
Ao contrário do que diz, não há nada de belo em tudo isso. Também não há nada de horrível.
A verdade é que não há absolutamente nada.
E como vi hoje, o Nada pode ser pior do que o Tudo. Pois o Tudo preenche, dissumula e aquieta com a mentira. Já o Nada, escancara a falta. É direto, assim como a sua vingança.
Durma bem, minhas lembranças ainda são belas.
As lembranças sempre são, pois é tudo que podem guardar.
Porém, hoje a noite não sinto vontade de suprir sua falta.
Tudo que eu quero essa noite é o velho quarto, a velha casa e nossa velha vida sem perspectivas individuais. Por um momento, tudo foi só nós dois.
Durma bem,
Durma bem.



Você volta assim tão de repente,
Me dá a sensação de que nada se perdeu nem nada se foi...
É como se o tempo que eu fiquei longe de você, não fosse tempo, não fosse nada, apenas algum estado vegetativo qualquer...
O que importa?
Eu estava mortamente feliz antes de você voltar, e eu poderia realmente fingir viver o resto da minha vida assim se não fosse por você, se não fosse por todas aquelas bebidas quentes, por todas as horas de conversas que são tão inutilmente importantes.
Porque você me ressuscitou?
Foi tão mais fácil te matar, foi tão mais fácil nos matarem...
KCl*, ninguém nunca descobrirá o culpado não é?
Mas tem algo além da morte, que não deixou que fôssemos embora de vez,
Algo além dessa ressurreição, além das mentiras e de todos os dias se afogando nas dúvidas e porquês que só me levaram a crer enfim, que a morte não é tudo.
É melhor que você seja o único que carrega a minha verdade, porque o resto do mundo realmente não importa mais...
Porque descobri que KCl não me mata, só me engrandece.

*KCl = O veneno bruto e liofilizado de Bothrops leucurus.