Copo de conhaque barato na mão.
A viagem não é demorada mais, foi suprida pela ânsia de ir, de fugir, se elevar daquilo tudo que ficou pra trás na estrada.
Deixei você na estrada hoje também.
Pudera eu, deixar junto de ti toda a ira que despejou em cima de mim e cada ferida encravada abafada pela desculpa de lembranças doídas de quem já se foi.
A morte dói, e é usada como refugio de problemas dos vivos.
Tecidos se rompem.
Sonhos se rompem.
Ao contrário do que diz, não há nada de belo em tudo isso. Também não há nada de horrível.
A verdade é que não há absolutamente nada.
E como vi hoje, o Nada pode ser pior do que o Tudo. Pois o Tudo preenche, dissumula e aquieta com a mentira. Já o Nada, escancara a falta. É direto, assim como a sua vingança.
Durma bem, minhas lembranças ainda são belas.
As lembranças sempre são, pois é tudo que podem guardar.
Porém, hoje a noite não sinto vontade de suprir sua falta.
Tudo que eu quero essa noite é o velho quarto, a velha casa e nossa velha vida sem perspectivas individuais. Por um momento, tudo foi só nós dois.
Durma bem,
Durma bem.