
A chuva na janela, era linda. A janela era em frente o morro, onde a água escorria como uma cachoeira urbana.
Lá dentro, além da janela, pessoas.
Uma fumava e falava palavras sensatas. Tinha um ar superior com seus conselhos e seus cigarros.
Outra escutava. Olhava os cigarros, olhava a chuva... olhava pra longe, bem longe. Olhava pra onde as palavras do outro estavam a levando.
A terceira na beirada da janela, olhava a chuva e água escorrendo no morro. Parecia escorrer não só a água, mas tudo de inquietante em sua alma naquele momento. Fazia um ciclo vicioso entre fumar o cigarro da primeira e observava a chuva.
A quarta não estava presente na conversa, nem sequer percebia bem o que se passava, mas em alguns momentos dava sinal de vida e de opinião.
Enquanto isso, fumaça de cigarros se misturava com chuva na janela.
O café está quente, ele anunciou. Mas eu não gosto de café. Então ele me fez um café com leite
forte.
Chocolates espalhados pelo sofá não me interessavam naquela noite.
Ele desenhava uma parábola, e se importava com a minha agonia. Eu fiquei feliz por ele se importar ao invés de falar qualquer coisa preu me calar, como a maioria inclusive eu mesma faria com outra pessoa.
O cachorro colocava a bola insistentemente no meu colo preu jogar e ele me trazê-la de volta, ele parecia um pequeno ratinho branco com uma bola na boca e isso me fazia sorrir.
Sofá. Cigarros. Chuva.
Chocolates. Parábolas. Nick.
Café. Risadas. Conselho.
Ajuda.
Razão.
Ajuda.











