Não desejo 'doar' uma parte de mim para dar continuidade nesse mundo.
Acho que nunca uma sociedade foi mais infeliz e foi pressionada para ser feliz consumindo.
Compre tal marca e seja o mais belo, beba tal cerveja e coma todas as loiras americanas com bronzeamento artificial, use tal lingerie e seja a mulher mais atraente do mundo.
O capitalismo virou sinônimo de felicidade para todos nós.
A verdade é que todas as pessoas acham que por você ter nascido saudável e com alguma condição no minímo moderada, você obrigatoriamente tem de ser feliz.
Mas ninguém é feliz o tempo todo.
Ninguém.
Nem mesmo os animadores de parques infantis ou qualquer tipo de pessoa que é realmente bem paga para para 'ser feliz'.
E na maioria das vezes tal felicidade é direcionada para conquista do cliente.
De volta a felicidade capitalista.
Com tanta correria, com tantas preocupações e cobranças do que você deve ser ou não quem consegue realmente saber o que é e não é real?
Seja promovido, passe numa federal, agrade a tia que é fanática religiosa e o avô que é anticatolicismo...
O verbo sempre é o 'ser', seja o que eu planejei e se não for a sociedade irá dar um jeitinho de te excluir de perto de todos os certos.
O que é diferente assusta.
Não pinte o cabelo, não ponha piercings, não use drogas, seja bom em química, não transe, não seja gay, não se vista diferente dos padrões, não beba, não ande descalço, entregue os relatórios amanhã, vá na igreja aos domingos e lembre-se: eu te amo, mas lembre-se de ser o que eu quero que você seja.
Sinceramente acho que com tantas cobranças, eu sou muito mais triste do que feliz. E não desejo isso dar continuidade para uma sociedade que só caminha pra uma catástrofe clara e patética.
Umm dia todo mundo vai tomar tarja preta.