
- Do nada não se pode tirar nada - disse ele.
- Perdão, o que disse?
- Nada, nada - respondeu ele. - Na verdade, quem deve pedir perdão sou eu.
A jovem era atraente, tinha muita boa vontade, havia tentado ao máximo com ele, mas nada, nada, nada, nada. Para parodiar o rei Lear. A outra citação era também de Lear, Hargreaves tinha certeza, embora fora de contexto.
O cabelo vermelho da jovem espalhado sobre a barriga branca dele era um espetáculo doloroso.
- A culpa é minha - disse ele - Ou pelo menos não é sua. Não tenho passado muito bem.
- Coitadinho - disse ela, com um último tapinha de adeus no membro flácido. - Aceita champanhe? Ou um brândi?
- Se me acompanhar. Champanhe?
- Bem, só uma taça - disse ela. - Vou buscar. - Vestiu um longo robe trasparente.
Hargreaves ficou ali deitado, considerando os absurdos da sua posição.











