Sobre o nada eu crio profundidades. Sobre a dor eu recorto gravuras não palpáveis.
Os gregos costumavam dizer que a esperança veio da Caixa de Pandora, sendo, portanto, mais perigosa do que qualquer água turva.
Escrever alivia mas reflete a nudez da minha dor. Não posso mais me culpar, de certo, poderia ter feito muitas coisas diferentes, mas o ar retorna mais leve nos meus pulmões quando vejo que tentei.
Talvez, eu esteja esperando algo que já se foi. A areia azul escorre em minhas mãos, não cobre feridas ou desejos, mas afasta minha esperança.
Minha tão dolorosa esperança! Sinto que ela me acalenta cada vez mais próxima a morte.
Olho para os dedos gelados, ossudos... O espelho envergonha e o alimento se foi mais uma vez.
Você está destruindo lentamente cada pedaço do meu coração, a cada momento sinto-me mais próxima do cadáver que tenho medo de tornar.
No entanto, esse medo também vem do fracasso ao ver minhas forças voando para longe, deixando apenas essa visão turva e cruel.
Mais angustiante do que ter esperança de rever seus olhos é acordar todas as manhãs e não encontrar sentido em acordar novamente.
Por favor, mate-me logo.