
"Este é o muro e nesta janela,
onde sobe enredando-se a hera,
eu deixei os meus versos a ela
na manhã de uma azul primavera.
E em meus versos a ela eu dizia
como dói, simplesmente, o amor.
Os meus versos deixei e no outro dia
sua alva mão me pagou com uma flor.
Este é o horto e em seu arvoredo,
nas veredas daquele recanto,
ela disse com a voz em segredo:
"Eu te amo e não sabes o quanto".
Junto aos muros daquele moinho,
ao abrigo da sombra das vides,
quando o carro se pôs a caminho,
ela disse a chorar: "Não me olvides?".
Na janela a hera ainda medra,
e a parreira que o sítio ensombrou
ainda enfeita o muro de pedra.
Tudo é o mesmo, mas tudo mudou.
Não há na casa mais seres amados;
entre as ramas agora há outras flores;
ninhos, folhas já estao renovados.
Também novos, em nós, são os amores."











