Todas as manhãs, seus olhos brilham para o laranja vibrante
Aquele sorriso gostoso não se desgasta
Não se influência
Mas possui um raro dom de me mudar.

Mais uma vez está quente,
Claro e lúcido
Sempre sonhando com os pés atolados ao chão
Chão que já foi a Roma, Berlim e Praga
Mas resolveu descansar num horizonte qualquer, em plena tarde de maio.

Não tem receio do gosto, deseja o corpo
Mergulha sereno por todas as melodias
Enquanto o tecido passeia mais uma vez na clareza das peles
Movido pelo som ele almeja voar.

Tornou-se hipnotizante com tamanho veneno
E no ímpeto de salvar um pouco da minha lucidez, questiona:
"Não deseja saber aonde vai parar?"
Não, é claro que não. Afinal, o que seria da minha insônia sem o âmago de todos os meus sonhos e pensamentos?
"Um vazio nos meus braços e um queimado de cigarro nesse suéter.”

Pois dê-me mais um trago.







*Não consigo parar de mexer nesse texto. Nunca está bom.