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Domingo passado, eu estava precisando muito de algo que me fizesse deslocar a atenção das saudades que eu sentia, e como de costume resolvi ver um filme. Assisti a "Razão e Sensibilidade". Confesso que já li dois livros da escritora Jane Austen, no qual o filme foi baseado e gosto muito dos seus romances, isso ajuda bastante quando se junta com o meu fascínio por História (Jane 1775-1817), pois são livros que retratam perfeitamente os costumes da sociedade daquela época.
Enfim, sou suspeita pois sou fã de carteirinha de "Orgulho e Preconceito" seu livro de maior sucesso que também virou filme.
Razão e Sensibilidade apesar de um título bobo e ouso dizer que até romântico ao extremo, conta a história de duas irmãs, Marianne e Elinor Dashwood, uma com as emoções muito contidas e que pensa demais, raciocina demais e age de maneira prática e sempre correta em tudo que faz (razão). E outra que não tem medo de expressar seus sentimentos, desejos e anseios. Sempre age segundo seus instintos sem se importar com a opinião/conceito de terceiros (sensibilidade).
O interessante da história é mostrar que apesar de todos nós sermos mais inclinados para razão ou para sensibilidade (concordo mais em trocar sensibilidade por emoção), precisamos procurar o equilíbrio em tudo que vivemos, pois tudo que é extremo é demais, sobra. Parece clichê, mas penso que na prática se aplica muito bem e é interessante a forma que o filme retrata tudo isso dentro dos costumes tradicionais da Inglaterra naquela época.
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Domingo passado, eu estava precisando muito de algo que me fizesse deslocar a atenção das saudades que eu sentia, e como de costume resolvi ver um filme. Assisti a "Razão e Sensibilidade". Confesso que já li dois livros da escritora Jane Austen, no qual o filme foi baseado e gosto muito dos seus romances, isso ajuda bastante quando se junta com o meu fascínio por História (Jane 1775-1817), pois são livros que retratam perfeitamente os costumes da sociedade daquela época.
Enfim, sou suspeita pois sou fã de carteirinha de "Orgulho e Preconceito" seu livro de maior sucesso que também virou filme.
Razão e Sensibilidade apesar de um título bobo e ouso dizer que até romântico ao extremo, conta a história de duas irmãs, Marianne e Elinor Dashwood, uma com as emoções muito contidas e que pensa demais, raciocina demais e age de maneira prática e sempre correta em tudo que faz (razão). E outra que não tem medo de expressar seus sentimentos, desejos e anseios. Sempre age segundo seus instintos sem se importar com a opinião/conceito de terceiros (sensibilidade).
O interessante da história é mostrar que apesar de todos nós sermos mais inclinados para razão ou para sensibilidade (concordo mais em trocar sensibilidade por emoção), precisamos procurar o equilíbrio em tudo que vivemos, pois tudo que é extremo é demais, sobra. Parece clichê, mas penso que na prática se aplica muito bem e é interessante a forma que o filme retrata tudo isso dentro dos costumes tradicionais da Inglaterra naquela época.
Mas nem por isso penso que é errado ser extremo, faz parte da essência da personalidade de cada um de nós.
E você, está mais pra Razão ou pra Sensibilidade?

Hoje eu estou feliz, e quero passar até o fim do meu dia feliz.
Pode ser que amanhã dê tudo errado, que o motivo da minha felicidade de hoje até não se realize, mas eu estou feliz em pensar que tudo pode dar certo.
Estou feliz porque é uma felicidade própria, pessoal, eu conquistei sozinha e só tenho a mim pra gozar plenamente dela, e isso só me faz crescer e sentir que eu posso sim, porque não?
E de quê importam os outros?
O olhar alheio pode ser pior que se torturar pelo que não aconteceu, portanto, só digo que essa noite eu sou a pessoa mais feliz desse mundo e guardo tal segredo pra usufruir sozinha lentamente com um orgulho inimaginável, cada pequeno e próspero sabor.
"Não se conhece bem um homem que nunca deixou a barba crescer.
Digo isto sem preconceitos, porque não mais pertenço a confraria dos barbados. Mas estou convencido de que se conhece mal um homem que nunca deixou irromper na floresta de seu rosto, o outro, o selvagem, o agente adormecido, o hirsuto...
Há mulheres que, tendo conhecido a sabedoria erótica da barba nos lençois do dia, nunca mais se contentarão com a banalidade barbeada de outros amores...
Indizível prazer é esse de confiar a barba. Inconsciente. Ritualisticamente. Enquanto se lê, enquanto se aguarda o outro dizer uma frase estúrdia, enquanto se toma um vinho ou se afaga o cão junto a lareira, e fechando, bem dizia Walmor Chagas outra noite num jantar quando se discutia a metafísica da barba: a barba é uma máscara como no teatro; é outro em nós, um modo de o personagem se experimentar em cena..."

Helena surge caminhando lentamente
Ajoelha-se na tumba de Ulisses
Era um início fácil
Desprovido de "Quês"
Ulisses está morto
Já se passaram anos
Ou será que é ela
Quem permanece morta para ele?
Todavia,
Quem pressiona a tumba?
Quem mantém as escrituras reais?
Ela
Amavelmente sussurra:
"Permaneça morto, meu amor."

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Hoje assisti a este filme no AXN, já estava na minha lista há um bom tempo, mas confesso que me surpreendi, pois sem querer passando canais eu havia assistido ao seu final dezenas de vezes... sempre dava uma olhada na sinopse e via o nome Syd (como um drogado, o que lembra muito o Sid Vicious) e o nome do filme London (Sid era britânico e tocava nos Sex Pistols)... Enfim, havia uma relação indireta com a banda que eu tanto gosto mas eu nunca tive a oportunidade de assisti-lo e achava o final meio bobo pois não havia assistido ao filme completo.
Pra começo de história o filme não tem nada haver com a história dos Pistols ou do real Sid, mas me surpreendeu por ter um enredo bom, com temas interessantes e mesmo o personagem principal ser alguém muito impaciente e em muitos aspectos ignorante - quer tratar tudo de maneira prática e direta - há debates muito interessantes no filme, principalmente sobre o questionamento da existência de Deus, da sanidade mental e relacionamentos amorosos dando ênfase na visão masculina, e não poderia faltar é óbvio: drogas - mas sem aquelas lições de morais ridículas que já cansamos -.
"Não acredito num cara invisível controlando 6 milhões de pessoas. É como ainda crer no Papai Noel... simplesmente um conto infantil criado por adultos assustados com a ideia da própria morte"
Syd, no filme London

Você, sem dúvidas, sempre foi capaz de levar todos os abismos para bem longe e transformá-los em simples sorrisos infantis.
Eu, na minha ingenuidade e rancor - que me fechavam de tudo e de todos - não sabia ao certo, no começo, o que fazer com tanto excesso de açúcar. Mas, acabei descobrindo por erros médicos, numa certa tarde, que não sou diabética.
Nessa mesma tarde você estava lá. Tudo que eu conseguia enxergar no meio daquele transe era você, por várias horas de pé ao lado daquela cama de hospital.
Confesso que era tudo que eu menos queria naquela época: ser vista naquele estado frágil e deplorável.
Fraca.
Hoje não encontro palavras para descrever o que senti, apenas: Sim, você estava lá. Ele sempre esteve "lá".
Naquele dia percebi que você era o único capaz de sugar algo frutífero da carne seca; do corpo oco de rancor e mágoas fúteis que eu guardava.
Não, não... Já esqueci... E lembrei que tudo aquilo já não há.
Só me importa agora estar com você, pois eu sei que assim tudo se mantém inesperado e renovado... Você sempre me ensinou a tornar os fantasmas das lembranças em palavras risíveis, e eu sempre aproveitei de tudo um pouco nesse nosso, já longo, aprendizado.
Sim senhor!

"Como é uma mudança brusca de uma sensação tão diferente para outra totalmente oposta" - ele disse.
Disse e não disse. Pois dizia sem saber que assim, dessa simples maneira, estava descrevendo perfeitamente bem os relacionamentos amorosos humanos.

Só Deus poderia dizer como era o caráter de Manílov. Existe uma espécie de gente da qual se diz: é gente assim-assim, nem isto nem aquilo, nem na cidade Bogdan nem na aldeia Selifan, como diz o provérbio. Talvez tenhamos de incluir Manílov nesta categoria. Seu aspecto exterior era vistoso. Os traços fisionômicos não eram desprovidos de simpatia, mas nessa simpatia havia uma porção excessiva de açucar; nos seus modos e maneiras havia algo que se insinuava, procurando conhecer e agradar. Tinha um sorriso atraente, era louro, de olhos azuis. No primeiro minuto de conversa com ele não se escapava de dizer: "Que homem agradável e encantador!" No minuto seguinte, não se dizia nada, e no terceiro, já se dizia: "Que diabo de coisa!" - e se tratava de afastar-se dele o mais possível; mas quem não se afastasse sentiria um tédio mortal. Não adiantava esperar dele uma palavra mais viva ou pelo menos mais irritada, como se pode ouvir de qualquer pessoa quando se toca num assunto que mexe com ela.

Odeio o ser humano
Odeio ser humana
Odeio fingir ser
Odeio precisar ser
Ultimamente eu venho odiando.
Odeio as pessoas
Odeio o que elas podem se tornar
Odeio o lado que pensam chamar de "humano"
Odeio quem se cala
Odeio ainda mais quem fala sem pensar
Odeio quem é sincero
Odeio mais ainda quem não possui sinceridade na voz
Odeio quem mente para ser
Odeio quem mente pra não ser
Ultimamente percebi que meu gato tem sido uma das criaturas mais decentes com quem convivo. E ele vomita bolas de pêlo.
Não é engraçado. Como saber se somos melhores que tudo isso? Com nossas bombas nucleares e falsos regimes?
Tudo isso também já foi um falso conforto de "segurança".

Chega um dia de falta de assunto. Ou, mas propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.
Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda a natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olha na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.
[...]
Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Conclui que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira assuntando, assuntando.
Então hoje não tem crônica.

Faz tempo que estou sem palavras.
Nada fora do comum quando se vive alheia à prescrição do que a vida manda.
Minha vida seguia num rumo só lentamente (sem olhar pros lados)... Posso afirmar que isso terminou hoje - quando o vi com as malas nas mãos -.
Ele esvaziava o guarda-roupa e punha tudo na mala.
Enquanto eu estava ali.
Ele limpava o criado; tirava as gavetas, os livros, filmes e o velho xadrez.
Enquanto isso, eu ainda estava ali com o olhar mais fixo do que nunca.
Quando finalmente guardou os cinzeiros e os cigarros, era impossível esconder de mim mesma que estava realmente indo embora. Mas foi possível deixar as lágrimas rolarem secretamente no quarto felizmente tão escuro.
Que além de escuro tornou-se vazio... abafado... morto.
Eu não conseguia lidar com a falta dos livros e dos cigarros, arruinavam a peça e descaracterizavam os atores...
A cortina não podia se fechar.
Eu ainda estava ali... mas dessa vez a cama era imensa e eu fechava os olhos, pedindo pra conseguir dormir e me perguntando o por que tínhamos de seguir caminhos tão distantes.

Eu não pertenço a você.
Não sou de seu direito ou posse.
Não sou sua boneca, seu objeto de vidro inestimável.
Eu estou livre, eu tenho sonhos e por enquanto eu ainda sinto.
Eu nunca me senti presa com você, e isso sempre me fez te amar cada vez mais... mas hoje eu pude perceber que você, no seu vago silêncio, começa a me afogar.
Me mantém no escuro, "sem rumo e entre seres vazios".
Não sou de seu direito ou posse.
Não sou sua boneca, seu objeto de vidro inestimável.
Eu estou livre, eu tenho sonhos e por enquanto eu ainda sinto.
Eu nunca me senti presa com você, e isso sempre me fez te amar cada vez mais... mas hoje eu pude perceber que você, no seu vago silêncio, começa a me afogar.
Me mantém no escuro, "sem rumo e entre seres vazios".

"Algumas coisas só precisam ser realizadas, a breve sensação de realização, do inesperado e até do mistíco impenetrável."
Foi o que Lúcio me disse depois de tomar mais da metade da cartela de um remédio que ele nem fazia idéia do que era. Só sabia que era sua, sua vida, sua impenetrável vida. E ele fazia dela o que bem entender.
O quarto estava todo quebrado, o porta retrato amassado de tantas reviravoltas de sentimentos com os presentes na foto. Quebrado, remendado, quebrado, remendado... já virara rotina.
Mas será que assim como o porta retrato, seus pensamentos frustrantes e falhos de morrer caíriam também na sua fúnebre rotina?
Felizmente, ou talvez não, o remédio não fez efeito algum, além de uma forte dor de estômago e insônia.
Talvez, algo o fez ficar. Talvez ele devesse viver. Mas não consigo lhe responder o porquê, e cada vez que eu vejo seus olhos desesperados me perguntando, me questionando, procurando a solução nos meus... me sinto a pior das criaturas do mundo.
Porque alguém merece tais sentimentos?
Eu disse que não posso colar os cacos de vidro do seu espelho, nem posso lhe livrar dos pensamentos mórbidos... frequentes.
Mas o que me faz pensar que sou tão diferente assim dele? O que o fez pensar que é tão diferente de mim? Será que em cada um de nós existe um Lúcio que um dia chega no fundo do poço e no outro retorna? Mas e o que acontece com pessoas como Lúcio que caem nesse poço e sinplesmente não conseguem retornam?

Hoje de manhã, como todo dia, tomei um banho e comecei a arrumar a casa ouvindo música. De repente me deparo com uma frase sendo repetida várias vezes: "The end has no end.../O fim não tem fim..)".
Nesse momento, comecei a ir a fundo nessa frase e interpretar seu significado dentro das relações humanas e de minha própria vida. No mesmo instante, a primeira coisa que me veio a cabeça foi um rosto antigo e cheio de rancor que tive de rever ontem durante toda a noite...
Não é simples ignorar as pessoas que guardamos inimizade. Não gosto, e nem pretendo me manter fria a ponto de ignorar alguém - mesmo pessoas que já causaram profundo dano algum dia na minha vida.
O fim não tem fim, pois o próprio fim significa o começo de uma atenção negativa voltada pra alguém. Aquela pessoa sempre estará lá, conseguirá finalmente ser importante, ter atenção, mesmo que negativamente.
O fim prolongado também me fez lembrar outras pessoas que não vejo há quase um ano, e não tenho vontade de ver um dia sequer. Mas continuam sendo pessoas que são capazes de entrar na minha vida todos os dias por meio de lembranças ocasionadas novamente pelo fim.
Nunca gostei de tais lembranças, mas eu sei que são necessárias. Como também sei que um dia elas finalmente irão embora pra nunca mais voltarem.
Mas o fim também pode ter seu lado bom.
Foi o fim que me trouxe de volta o brilho nos olhos, levando pra longe todo o peso de um olhar avelã e trazendo de volta consigo um sentimento terno escondido em jabuticabas, que nunca imaginei um dia sequer ser capaz de encontrar.
O fim me trouxe o começo de muitos dias em antigos jardins de outrora.

Está quente aqui acolhida entre seus braços e abraços.
Queria neste dia olhar bem pros seus olhos, porque você não me sentes como eu te sinto, e tudo devido a uma cegueira incontrolável asfixiada por subjeções.
Queria neste dia olhar bem pros seus olhos, porque você não me sentes como eu te sinto, e tudo devido a uma cegueira incontrolável asfixiada por subjeções.
Porque eu sei em mim que o que é teu ainda não me pertence.
Na dor do meu prazer coberto pela percepção de que a partida está próxima, e ela é triste no meu anseio maior.
Já sei que em pouco tempo vou acordar e o corpo que eu conheci tão bem, não vai lá estar no quente dos lençois. Mas só por baixo do meu corpo frio de saudade.
Já sei que as minhas mãos são duras para a pessoa em que me tornei na minha frieza face plantada à falsos sorrisos.
Não sei viver mas sei fingir, abrigo-me à sombra da minha força que ainda não existe e por mais lágrimas que largue no chão - sem chão - deste trapézio que é só meu, eu sei que desta queda - que não é queda e só me fez escorregar - eu só vou me levantar mais alta.
Eu sei que no carinho que te tenho - e sempre tive - me levanto desta cama hoje com a certeza de ser em mim aquilo que sou: tão maior, tão mais forte e tão mais alta.
Esta será só a primeira de muitas noites que virão.

Se Shakespeare nunca houvesse existido, perguntou-se, seria hoje o mundo muito diferente do que é? Será que o progresso da civilização depende dos grandes homens? Seria o destino do ser humano médio melhor hoje do que no tempo dos faraós? Contudo, continuou se indagando, será o destino do ser humano médio o critério para julgarmos a civilização?
Possivelmente não. Possivelmente o bem-estar da humanidade exige a existência de uma classe de escravos. O ascensorista do metrô é uma necessidade eterna.
Esse pensamento lhe foi desagradável. Sacudiu a cabeça. Para evitálo, acharia algum mode de se opor à superioridade das artes. Argumentaria que o mundo existe para o ser humano médio, que as artes são mero adorno imposto à vida humana e que não a expressam.
Nem Shakespeare é necessário. Sem saber precisamente por que queria desprezar Shakespeare e chegar à libertação daquele homem que fica eternamente à porta do elevador, arrancou bruscamente uma folha da sebe como um homem que se estica, no seu cavalo, para pegar um ramo de rosas ou encher os bolsos com nozes, trotando à vontade através das planícies e campos de um lugar conhecido desde a infância. Tudo lhe era familiar; essa curva, essa cancela, aquele atalho através dos campos. Passaria horas seguidas numa noite pensando assim, com seu cachimbo, vagando de um lado para o outro nas velhas e familiares planícies e pastos, que identificava pela história de uma campanha aqui, a vida de um homem de Estado mais adiante, por poemas e anedotas, e também por figuras ilustres, por este pensador, aquele soldado; tudo muito rápido e claro; mas por fim a planície, o campo, o pasto, a nogueira cheia de frutos e a sebe florida o levavam além da curva da estrada, onde sempre desmontava do cavalo, amarrava-o a uma árvore e prosseguia a pé, sozinho.
Era seu poder, seu dom, dispersar todas as superficialidades, encolher e diminuir, parecendo mais despojado e se sentindo até fisicamente poupado, sem contudo perder nada da intensidade de sua mente. Permanecendo de pé ali, naquela ponta de terra, voltado para a escuridão da ignorância humana, pensava que nada sabemos e em como o mar corrói o solo onde estamos - era esse seu destino, de todos os gestos e superficialidades, todos os troféus de nozes e rosas, tendo mirrado tanto, que se esquecera de seu próprio nome, manteve, mesmo naquele deserto, uma vigilância que não dispensava nenhuma imagem, nem se dispersava em visão alguma.
- Mas o pai de oito filhos não tem outra alternativa... - murmorou a meia voz. Deteve-se, voltou-se, suspirou e, erguendo os olhos, procurou a figura de sua esposa contando histórias para seu filho pequeno; encheu o cachimbo. Fugiu à visão da ignorância humana, do destino humano e do mar corroendo a terra onde pisamos, e que, fosse ele capaz de encarar fixamente, talvez tivesse levado a algum resultado; e econtrou consolo em insignificâncias tão pequenas, se comparadas com o magnífico tema que tivera diante dos olhos ainda há pouco, que se sentiu inclinado a reprovar esse consolo, desvalorizá-lo, como se o fato de ser apanhado feliz num mundo de misérias, para um homem honrado, constituísse o mais desprezível dos crimes. Era verdade; ele era quase completamente feliz; tinha sua esposa; tinha seus filhos; prometera que dali a seis semanas diria "algumas tolices" aos jovens de Cardiff sobre Locke, Hume, Berkeley e as causas da Revolução Francesa.
Mas isso, e o prazer que lhe proporcionava, as frases que compunha, o ardor da juventude, a beleza de sua mulher - tudo tinha de ser desvalorizado e dissimulado sob a frase "dizer tolices", porque, com efeito, não fizera o que poderia ter feito. Era um disfarce; era o refúgio de um homem que temia se apoderar de seus próprios sentimentos, que não podia dizer: É disso que eu gosto, é isto o que sou; e isso parecia bastante lastimável e desagradável a William Bankes e Lily Briscoe, que se perguntavam por que ele precisava dessas dissimulações, por que precisava sempre de elogios, por que um homem tão valente no terreno do pensamento era tão tímido na vida, e pensavam como ele era estranhamente respeitável e ridículo ao mesmo tempo.

Quem culparia o capitão da esquadra condenada se, tendo-se aventurado ao máximo e esgotado toda a sua força, e tendo adormecido sem pensar muito se acordaria ou não, agora percebesse, por uma comichão nos dedos dos pés, que ainda vivia?
Em geral, não tinha objeção alguma quanto a viver; exigia apenas simpatia e uísque, e alguém para ouvir a história de seu sofrimento naquele mesmo instante.
Quem o culparia? Quem não se rejubilaria secretamente quando o herói tirasse sua armadura e, parando sobre junto à janela, olhasse sua mulher e seu filho - a princípio muito distantes, mas gradualmente se aproximando, até que lábios, livro e cabeça surgissem nitidamente diante de si, embora ainda adoráveis e estranhos devido à intensidade da solidão dele, ao passar dos séculos e ao findar das estrelas -, e, finalmente, colocando o cachimbo no bolso, curvasse sua cabeça diante da mulher? Quem o culparia se ele prestasse homenagem à beleza do mundo?

Em algum momento de intimidade - quando histórias de grandes paixões, de amores malogrados, de ambições contrariadas se apresentavam a ela - poderia ter falado sobre quem conhecera, ou o que sentira e passara, mas nunca dissera nada. Estava sempre em silêncio.
Nesses instantes sabia - sabia sem ter aprendido. Sua simplicidade penetrava no que as pessoas hábeis falsificavam. A sinceridade de seu espírito a fazia dirigir-se às pessoas tão diretamente como um fio de prumo, e pousar sobre seu objetivo com a exatidão de um pássaro, o que dava a ela normalmente essa inclinação para a verdade que deleitava, tranquilizava, sustentava - falsamente talvez.
***
"Mas ela sabe menos da própria beleza que uma criança", dissera o sr. Bankes ao pousar o receptor, atravessando a sala para ver o progresso dos trabalhadores no hotel em construção atrás de sua casa.
Assim, se pensava apenas em sua beleza, precisava lembrar-se dessa vitalidade, dessa agitação (os operários carregavam tijolos por uma prancha enquanto os olhava), e integrá-las na sua imagem; ou caso se pensasse nela apenas como uma mulher, era preciso dotá-la de uma certa excentricidade idiossincrásica; ou supor nela um desejo latente de se libertar da realeza de sua forma, como se a sua beleza e tudo o que os homens diziam sobre ela a aborrecessem, e ela quisesse ser tão-somente como os outros: insignificante.
Ele não sabia.
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