Embora as vezes completamente distante do mundo ao meu redor, há momentos em que eu procuro, mesmo das mais inoportunas maneiras, saber quem são as pessoas a minha volta.E as vezes isso se torna tão obsessivo e doentio, que começo a criar a própria história de vida desses desconhecidos e a relacioná-la com a minha.
A lembrança constante desses personagens, e o que eles são pelos vestígios que deixam pra mim direta ou indiretamente, me lembram da história de Capitu.
Para quem nunca ouviu falar, a história de Capitu se passa diante de pistas, frases mal faladas, vestígios e suposições.
Ao me comparar, realmente me sinto uma verdadeira investigadora, mas isso nunca me esboçou algum sorriso, pelo contrário. Minhas investigações sempre me levam ao mesmo conto.
Essa semana percebi o quanto sou devoradora de vestígios e o pior! Percebi o quanto a minha imaginação é grande e leve, tão leve que me faz flutuar em todos as águas dessa vida e da vida desses "personagens", se é que posso chamá-los assim.
Mas na maioria das vezes, a história se passa assim:
O tal personagem, ou a tal como é na maioria das vezes, tenta me tomar um bem preciosíssimo. E sabe exatamente que esse bem é o meu maior ponto fraco. E obviamente eu tenho que enfrentar esse personagem de alguma forma e quando isso não é possível, manter meu bem precioso bem longe dele.
Eu me sinto até mais forte quando lido com esses personagens, sempre gostei de discussões e brigas. Nunca entendi o porque.
A história sempre se repete, já foi real? Sim. Já foi algumas vezes.
Mas essa semana percebi, que assim como a história de Capitu poderia ter sido obra de uma insanidade ou delírio, as minhas também podiam ter sido fruto dos meus contos mais secretos abandonados em cadernos baratos e escritos pela metade.
Então criei uma nova filosofia para cada vez que eu estiver investigando a vida de alguém a fundo para saber: Porque essa pessoa se aproxima dos meus bens?
Mas antes de mais nada pus na minha cabeça que nada me pertence, além do que é material e eu comprei com meu mísero dinheiro de jovem de quinze anos que não trabalha. Além disso, se não é meu as outras pessoas tem o direito de se interessarem. E o principal, se eu não tenho paciência pra escrever os meus contos, que compre um gravador!
A minha nova filosofia, como ia dizendo, tem me tirado a idéia de que todo mundo que se aproxima do que é precioso para mim é um psicopata.
E na verdade é bem mais simples do que parece: apenas tentar se preocupar com o que é realmente real, e não fruto das histórias mal contadas da minha mente.
Não que eu tenha parado de dar as minhas investidas de Agatha Christie por aí, mas eu nunca consegui assimilar essa pessoa que eu sou com a que posso me tornar quando me sinto ameaçada de perder meu bem precioso.
Talvez a psicopata seja eu mesma, mas prefiro ficar com a teoria do gravador.











