Tenho duas faces,
uma quase bonita
e uma outra quase feia.
Então o que sou?
Sou o tudo, sou humana, sou você ou o próximo personagem que vier.
Eu finjo tão bem que estou além do fingimento.
Posso ouvir a pior frase do meu dia e logo em seguida ouço duzentas e noventa e nove vezes o mesmo disco, lembro poesias, dou piruetas, sonho, invento, abro todos os portões e quando vejo a alegria está instalada em mim.
Eu finjo pra você e finjo pra mim.
Eu flexiono todos os verbos e faço deles a minha arte.
Corro pelas folhas secas de uma floresta ampla que fica em algum lugar e encontro Lydia.
Passo horas na França no aconchego da Casa do Sol Nascente e dou um beijo na Anita.
Atravesso a fenda secreta do jardim e passo horas na cadeira de balanço no fundo do cômodo observando Rebeca.
Fujo da pior face masculina, mas sem medo, paro para olhar em seus olhos e vejo a sabedoria de Polly.
Eu poderia escrever um livro de todas as minhas amadas, que não se cansam de me ensinar a viver.