Ele não disse nada. Tomara ópio.
As crianças diziam que tingia a barba de louro com ópio. Talvez.
O que lhe parecia óbvio é que o pobre homem era infeliz, e vinha para ali todos os anos como uma fuga; e mesmo assim, a cada ano ela sentia a mesma coisa: ele não confiava nela.
Dizia-lhe: "Vou à cidade. Quer selos, papel, fumo?", e o sentia estremecer. Não confiava nela.

Ele era descuidado; derramava coisas no casaco; tinha o cansaço de um velho sem nada para fazer na vida; e ela o pusera porta afora. Ela dissera, com seus modos odiosos: "Agora a sra. Ramsay e eu queremos conversar", e a sra. Ramsay pôde ver assim, com seus próprios olhos, as inumeras infelicidades de sua vida.

Teria ele dinheiro suficiente para comprar fumo? Teria de pedi-lo? Meia coroa? Dezoito pence?
Ah ela não podia suportar o pensamento das pequenas indignidades que ela lhe impusera. E sempre, agora (por quê, de alguma forma, àquela mulher), ele fugia dela. Nunca lhe contava nada. Mais o que mais podia fazer?
Ela lhe reservava um quarto ensolarado.
Na verdade, ela se desviava do seu caminho apenas para ser gentil.
Quer selos? Quer fumo? Aqui está um livro de que deverá gostar, etc.

Ofendia-a que ele lhe fugisse. Magoava-a. E ainda, fugia-lhe de forma errada, incorreta. E por isso, quando o sr. Carmichael fugia dela, como fez naquele momento, refugiando-se em algum canto onde comporia acrósticos sem fim, não se sentia repudiada apenas em seu instinto, mas consciente da mesquinharia que havia em alguma parte dentro dela e da imperfeição dos relacionamentos humanos, e de como as pessoas era desprezíveis e egoístas, por mais que se esforçassem.