
Hoje me senti tão forte, erguida sobre toda aquela areia movediça. Ao mesmo tempo senti que não sei se desejo toda essa força, que tudo que fiz foi sujo e até mesmo proposital... esperando, sempre esperando por algo inominável que nunca pude ao certo dizer que amava.
A sujeira das minhas palavras ficou engasgada sobre o meu corpo, pelo seu cheiro nas minhas roupas. Me tornei Sabina*, livre, sem raízes no chão e no coração. Me tornei leve, nos lençóis, nas palavras e nos sabores... Propensamente usável de corpo e alma.
Porém, nunca nos sonhos, nos sonhos não poderia. A densa névoa negra que me persegue todas as noites me questiona: "Quem é você?" assim como a Lagarta um dia questionou Alice.
Me tornei a outra, a que subtrai sonhos, que espera, que usa máscaras e foge de quem a protegeu com amor infinito.
Hoje eu confesso que choro, mas não choro por mim e nem pela minha decisão de não engolir mais suas palavras secas. Eu choro por Miguel, choro por todos aqueles vinhos batizados de mercúrio que não foram suficientes pra me prender. O que já foi?
Sempre te vi leve, mas as manchas, como imaginei, foram inevitáveis. Pesaram toda uma história simplesmente pelo fato de você tentar tanto escondê-las... se tornaram ainda mais distorcidas, deformadas.
Penso que não posso fazer parte disso mais, não quero. É tanto peso e eu só enxergo a falta. Você falta, pesa e se tranca no seu País das Maravilhas, que consegue ter um buraco mais fundo que o meu... e como eu não posso... como cansei de tentar decifrar-te.
Sim, esse é meu adeus a Sabina que você chamou em mim, no mais, te agradeço por ela. Ela me fez crescer como nunca imaginei mas, por agora, o adeus também se amplia a você.
Adeus e por favor, não retorne... não até o fim desse agosto, que se tornou tudo, menos meu.
*Referência a personagem do livro de Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser.











