right_side

About a Girl

Minha foto
"Nasci em 1992, no interior do estado. A dança-teatro e o cinema formaram meu primeiro imaginário: a palavra vinha como complemento das imagens. Quando descobri os livros, bem cedo, aceitei-os apenas como o lugar das palavras e das idéias, vendo as imagens a que remetiam ou sugeriam, como fantasmas imponderáveis e sem substância, descabidos, impróprios para aquele tipo de veículo. Quando me pedem que fale de mim mesma, sinto o incômodo, pergunto: que imagem devo projetar? Tenho tantas. Acho que a melhor para o caso é a que passo nos próprios posts, de alguém que escreve mas não acredita nos fantasmas das palavras, embora eles sejam inevitáveis. E a melhor forma de conviver sem temor com essas fantasias é jogar com elas, torná-las risíveis, desautorizá-las, de modo a evitar o poder técnico abusivo que tem quem escreve, para iludir o leitor."

Aos destinatários destas palavras

"Pra dilatarmos a alma
Temos que nos desfazer
Pra nos tornarmos imortais
A gente tem que aprender a morrer
Com tudo aquilo que fomos
E tudo aquilo que somos nós"


O Teatro Mágico

Quem lê

Powered By Blogger
Posted on 13:43

Os pensamentos são as sombras de nossos sentimentos:
sempre mais escuros, vazios e simples.


Nietzsche
e
Desenho da imagem por mim.

Posted on 13:36
Não tente me prender,
porque não é assim que você vai me entender.
Eu posso estar sozinha,
mas eu sei muito bem pra onde vou.


Desespero

Posted on 09:35 In:

Você que sempre pareceu tão cheio de si,
na verdade é fraco, é indefeso.
Procura segunça em tudo, grita e geme desesperadamente por defesa e calor.
Fumaça Fétida.
Você é fraco sim.
Você é sozinho, você já se acostumou sem perceber com essa solidão.
Quando todas as suas ilusões e fantasmas cômodos se forem, você vai morrer.
E sozinho.
Sem a mão de Antônio, sem lágrimas.
Até a cortina rasgada te substituiu.
A mágoa te substituiu.
A falta te substituiu.
O medo te substituiu.
O amor próprio te substituiu.
E o coração de Jenny também.

Tenho sempre diante dos olhos Tereza sentada sobre um tronco, acariciando a cabeça de Karenin, e pensando no desvio da humanidade. Ao mesmo tempo, surge para mim uma outra imagem:
Nietzsche está saindo de um hotel em Turim. Vê diante de si um cavalo, e um cocheiro espancando-o com um chicote. Nietzsche se aproxima do cavalo, abraça-lhe o pescoço, e sob o olhar do cocheiro, explode em soluços.

Isso aconteceu em 1889, e Nietzsche já estava também distanciado dos homens. Em outras palavras: foi precisamente nesse momento que se declarou sua doença mental. Mas, para mim, é justamente isso que confere ao gesto seu sentido profundo.
Nietzsche veio pedir ao cavalo perdão por Descartes. Sua loucura (portanto seu divórcio da humanidade) começa no instante em que chora sobre o cavalo.

É Nietzsche que amo, da mesma forma que amo Tereza, acariciando em seus joelhos a cabeça de um cachorro mortalmente doente. Vejo-os lado a lado: "senhora e proprietária da natureza", prossegue sua marcha para a frente.

Tereza acaricia a cabeça de Karenin, que descansa tranqüilamente em seus joelhos. Faz mais ou menos este raciocínio: não existe nenhum mérito em sermos corretos com nossos semelhantes.
Tereza é forçada a ser correta com os outros moradores da aldeia, ou não poderia viver ali; e, mesmo com Tomas, é obrigada a se portar como mulher amorosa, pois precisa dele.

Nunca se poderá determinar com certeza total em que medida nosso relacionamento com o outro é o resultado de nossos sentimentos, de nosso amor, de nosso não-amor, de nossa complacência, ou de nosso ódio, e em que medida ele é determinado de saída pelas relações de força entre os indivíduos.


No começo do Gênese está escrito que Deus criou o homem para reinar sobre os pássaros, os peixes e os animais.
É claro, o Gênese foi escrito por um homem e não por um cavalo.
Nada garante que Deus desejasse realmente que o homem reinasse sobre as outras criaturas. É mais provável que usurpou da vaca e do cavalo. O direito de mata um veado ou uma vaca é a única coisa sobre a qual a humanidade inteira manifesta acordo unânime, mesmo durante as guerras mais sangrentas.

Esse direito nos parece natural porque somos nós que estamos no alto da hierarquia. Mas bastaria que um terceiro entrasse no jogo, por exemplo, um visitante de outro planeta a quem Deus tivesse dito: "Tu reinarás sobre as criaturas de todas as outras estrelas", para que toda a evidência do Gênese fosse posta em dúvida. O homem atrelado à carroça de um marciano - eventualmente grelhado no espeto por um habitante da Via-láctea - talvez se lembrasse da costeleta de vitela que tinha o hábito de cortar em seu prato. Pediria então (tarde demais) desculpas à vaca.
Deus encarregou o homem de reinar sobre os animais, mas podemos explicar isso dizendo que ele apenas emprestou ao homem esse poder. O homem não era o proprietário mas apenas o gerente do planeta, e um dia teria de prestar contas de sua gestão.
Descartes deu um passo decisivo: fez do homem "maître et propriétaire de la nature". Que seja precisamente ele quem nega de maneira categórica que os animais tenham alma, eis aí uma enorme coincidência. O homem é senhor e proprietário, enquanto o animal, diz Descartes, não passa de um autômato, uma máquina animada, uma machina animata. Quando um animal geme, não é uma queixa, é apenas o ranger de um mecanismo que funciona mal. Quando a roda de uma charrete range, isso não quer dizer que a charrete sofra, mas apenas que ela não está lubrificada. Devemos interpretar da mesma maneira os gemidos dos animais, e é inútil lamentar o destino de um cachorro que é dissecado vivo num laboratório.
O mundo deu razão a Descartes.

Vá, se quiser eu nunca tentei impedí-la
sei que há agora um motivo para tudo isso,
você está magoada e a culpa não é minha

Você não poderia ter me amado mais
não poderia ter me amado mais
não poderia ter me amado...

Eu,
eu não demonstro muito.
Não é fácil esconder,você vai ver
daqui uns tempos eu não lembrarei mais
como ser tudo o que você queria.

Eu não poderia tê-la amado mais
eu não poderia amá-la mais
eu não poderia amar...

Você quer que eu chore e interprete o meu papel
Eu quero que você se arrependa e se desespere
Nós queremos isso como todo mundo.

Fique se você quiser,
eu sempre espero para ouvi-lá dizer que há um ultimo beijo.
Para todas as vezes que você fugiu assim,
escute: a culpa não é minha

Você não poderia ter me amado mais
não poderia ter me amado mais
me amado mais.
Eu não poderia tê-la amado mais
eu não poderia amá-la mais
eu não poderia amar.

Você quer que eu minta e não a magoe
Eu quero que você voe, e não pare nunca
Nós queremos ser como todo o resto.

Talvez nós não tenhamos entendido,
não somos só um rapaz e uma garota
É apenas o fim, do fim do mundo.

Eu não poderia tê-la amado mais
eu não poderia amá-la mais
eu não poderia amá-la mais
eu não poderia amar.


A janela dava para uma encosta coberta de macieiras retorcidas pelo tempo.
No topo da encosta, uma floresta cortava o horizonte, uma lua branca apontava no céu pálido, era o momento em que Tereza aparecia na soleira da porta.
A lua suspensa no céu, ainda não inteiramente escuro, era como uma lâmpada que tivessem durante o dia todo no quarto dos mortos.


Um francês é diferente do outro.
Mas todos os atores do mundo se parecem – em Paris, Praga, e até mesmo no mais modesto teatro do interior.
É ator aquele que aceita, desde a infância, expor sua vida a um público anônimo.
Sem esse consentimento fundamental – que nada tem a ver com o talento, que é algo mais profundo do que o talento – não se pode ser ator.


Tomas não suportava esses sorrisos, que pareciam estar em todos os lugares, mesmo na rua, no rosto dos desconhecidos.
Não conseguia dormir. Por que? Será que dava tanta importância a essas pessoas?
Absolutamente.
Não as tinha em bom conceito e ficava com raiva de se deixar perturbar pelos seus olhares.
Não havia nada de lógico nisso. Como é que podia ficar dependendo da opinião de pessoas que considerava tão limitadas?

A história de Édipo é bem conhecida: um pastor, tendo encontrado um recém-nascido abandonado, levou-o ao rei Pólibo, que o criou.
Quando Édipo cresceu, encontrou num caminho das montanhas uma carruagem em que viajava um príncipe desconhecido. Os dois se desentenderam e Édipo matou o príncipe.
Mais tarde casou-se com a rainha Jocasta e tornou-se rei de Tebas.
Não suspeitava que o homem que tempos atrás assassinara nas montanhas era seu pai, e que a mulher com quem dormia era sua mãe.
Enquanto isso a má sorte perseguia seus súditos, dizimando-os com doenças.
Quando Édipo compreendeu que era o único culpado por esses sofrimentos, furou os olhos com espinhos e, cego para sempre, partiu de Tebas.


Tomas não pára de tentar persuadi-la de que entre o amor e o ato do amor há uma grande diferença. Ela recusa-se a admiti-lo.
No momento está cercada de homens que não lhe inspiram a menor simpatia. Que sensação lhe daria dormir com esses homens? Tem vontade de experimentar, nem que seja sob essa forma de promessa sem compromisso que é o flerte.

Se para outras mulheres o flerte é uma segunda natureza, uma rotina insignificante, para ela, doravante, é um campo de investigações importante que deve ajudá-la a descobrir aquilo de que é capaz. Mas por ser tão importante, tão grave, seu desejo de agradar perdeu toda a leveza, tornou-se forçado, intencional, excessivo.

Está muito inclinada a prometer, sem mostrar de maneira suficientemente clara que sua promessa não a obriga a nada. Ou por outra, todo mundo pensa que ela é extraordinariamente fácil. Depois, quando os homens reclamam a realização daquilo que lhes tinha sido prometido, esbarram numa súbita resistência que só podem explicar pela crueldade requintada de Tereza.

Franz é forte, mas sua força é voltada unicamente para o exterior.
Com as pessoas com quem vive, com aqueles que ama, é fraco.
A fraqueza de Franz se chama bondade.
Franz jamais daria ordens a Sabina. Nunca mandaria - como Tomas fizera em outros tempos - que ela ficasse inteiramente nua em cima de um espelho e se pusesse a andar de um lado para o outro. Não que lhe falte sensualidade, mas ele não tem força para comandar.
Existem coisas que só podem ser conseguidas com violência.
O amor físico é impensável sem violência.

Sabina via Franz andar pelo quarto carregando bem alto a cadeira pesada para exibir sua força. A cena parecia-lhe ridícula e a enchia de estranha tristeza.

Sabina continuava com suas reflexões melancólicas. E se ela tivesse um homem que lhe desse ordens? Que a dominasse? Quanto tempo ela o teria suportado?
Nem cinco minutos!
Donde concluiu que nenhum homem lhe convinha.
Nem forte, nem fraco.

Disse: - Por que de vez em quando você não usa sua força contra mim?
- Porque amar é renunciar à força - respondeu Franz docemente.

Sabina compreendeu duas coisas: primeiro, que essa frase era bela e verdadeira. Em segundo lugar, que, com essa frase, Franz acabara de excluir-se de sua vida erótica.


Os cemitérios da Boêmia parecem jardins. Os túmulos são cobertos de relva e de cores vivas.
Monumentos humildes ficam escondidos no meio do verde da folhagem.
À noite, o cemitério fica cheio de pequenas velas acesas, como se os mortos estivessem dando um baile infantil.
É, um baile infantil, pois os mortos são inocentes como as crianças.

Por mais cruel que tenha sido a vida, no cemitério existe sempre a mesma serenidade.
Durante a guerra, sob Hitler, sob Stalin, sob todas as ocupações. Quando se sentia triste, pegava seu carro para ir passear longe de Praga num de seus cemitérios preferidos.
Esses cemitérios campestres no fundo azulado das colinas eram tão belos quanto uma cantiga de ninar.

Mas para Franz, um cemitério não passa de um imundo depósito de ossos e pedras.


Era noite e ela andava com passo apressado na plataforma da estação. O trem para Amsterdã já estava à espera.
Procurava seu vagão.
Abriu a porta do compartimento para onde fora conduzida por um amável funcionário e viu Franz sentado num dos leitos. Levantou-se para recebê-la, ela tomou-o nos braços e cobriu-o de beijos.
Tinha vontade de dizer-lhe, como a mais comum das mulheres: não me deixe, me guarde perto de você, me escravize, seja forte! Mas eram palavras que não podia e não sabia pronunciar.
Quando ele afrouxou o abraço ela apenas disse: -Como estou contente de estar com você! - Com sua natural discrição não podia dizer mais do que isso.


A traição.
Desde nossa infância, papai e o professor nos repetem que é a coisa mais abominável que se possa conceber.
Mas o que é trair?
Trair é sair da ordem e partir para o desconhecido.
Sabina não conhece nada mais belo que partir para o desconhecido.


Compreendeu que fazia parte dos fracos, do lado dos fracos, do país dos fracos, e que deveria ser fiel a eles, justamente porque eram fracos e procuravam recobrar o fôlego entre as frases.
Sentia-se atraída por essa fraqueza como por uma vertigem. Sentia-se atraída porque ela mesma se sentia fraca.
Estava de novo com ciumes e suas mãos começaram a tremer. Tomas percebeu e fez um gesto familiar: tomou-lhe as mãos para acalmá-la com uma leve pressão dos dedos.
Ela fugiu.

- O que é que você está sentindo?
- Nada.
- O que é que posso fazer por você?
- Quero que você fique velho. Dez anos mais velho. Vinte anos mais velho!

Com isso queria dizer: quero que você fique fraco. Que você seja tão fraco quanto eu.

Mas era justamento o fraco que deveria saber ser forte e partir, quando o forte é fraco demais para poder ofender o fraco.



(Hoje, mergulhei completamente nesse trecho dessa parte do livro )

"No primeiro plano havia sempre um mundo perfeitamente realista e, um pouco mais ao fundo, como atrás da cortina rasgada do cenário de um teatro, via-se alguma coisa a mais, algo de misterioso e abstrato.
Na frente ficava a mentira inteligível, por trás a verdade incompreesível."

Lua Boite

Posted on 18:36 In:
Jenny,
Quando fui deitar ontem a noite, olhei pro céu,
estava de um azul tão profundo e havia apenas uma estrela.
A luz da cidade que apaga todas as estrelas do céu, é a mesma que deixa uma pra me lembrar do quanto eu te amo.



Fácil sentir.
Difícil é expressar.
Nenhum questionamento é por acaso.
As vezes a felicidade cega as nossas pequenas insatisfações,
mas por um momento, pequeno que seja,
que perdemos essa euforia e liberdade,
a insatisfação aparece muito maior que qualquer sentimento,
e só vai embora depois que magoamos alguém mais próximo.
As vezes só precisamos que alguém sinta.
Sinta exatamente como nos sentimos e principalmente nos sinta como ser humano.
E no fim das contas, os questionamentos são mal feitos, mas feitos.
E os resultados, em sua maioria, pressionados.
Tudo repleto de tédio mal amado.

Ela foi uma princesa
A Rainha da estrada
A placa na estrada disse:
Nos leve á Madre

Ninguém poderia salvá-la,
Apenas o tigre cego
Ele era um monstro, vestido a couro negro

Ela foi uma princesa
A Rainha da estrada

Agora eles estão casados
E ela ainda é uma boa garota
E eles correm pelados como crianças
Lá fora no campo...
Pelados como crianças selvagens que são.

Logo terão filhos para recomeçar tudo novamente
Dançando pelo redemoinho da meia-noite
Sem forma,
Sem roupa
E eu espero que possam continuar assim
por mais tempo

Vertigem

Posted on 11:19 In:

No mesmo dia Tereza caiu na rua; seu passo tournou-se hesitante; caía quase todos os dias, esbarrava nas coisas ou, na melhor das hipóteses, deixava cair todos os objetos que tinha nas mãos.

Sentia um desejo irresistível de cair. Vivia numa vertigem contínua.
Quem cai diz: "Levante-me!"
Pacientemente, Tomas a levantava.

A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera

O Sonho

Posted on 10:06 In:

- Tereza, minha querida Tereza, parece que você se afasta de mim. Aonde quer ir? Todos os dias você sonha com a morte, como se realmente quisesse partir...

O sonho não é apenas uma comunicação (as vezes codificada), é também uma atividade estética, um jogo de imaginação, e esse jogo tem em si mesmo um valor. O sonho é a prova de que imaginar, sonhas com aquilo que nunca aconteceu, é uma das mais profundas necessidades do homem.
A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera

A Queda

Posted on 09:51 In:

Ana poderia ter posto fim a seus dias de outra maneira.
Mas o tema da estação e da morte, esse tema inesquecível associado ao nascimento do amor, atraiu-a no momento do desespero por sua sombria beleza.
O homem inconscientemente compõe sua vida segundo as leis da beleza mesmo nos instantes do mais profundo desespero.
A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera
(continuação do último post)

O Embarque

Posted on 18:14 In:
No pricípio do pesado livro que Tereza carregava em baixo do braço no dia em que viera para casa de Tomas, Ana encontra Vronsky em circunstâncias estranhas. Estão na plataforma de uma estação e alguém acabara de cair sob o trem.
No fim do romance, é Ana que se atira sob um trem.
Essa composição simétrica, onde o mesmo motivo aparece no começo e no fim, pode parecer até "romântica". Admito que seja, mas somente com a condição de que romântico não signifique para você uma coisa "inventada", "artificial", "sem semelhança com a vida".
Porque é assim mesmo que é composta a vida humana.

A insustentável leveza do ser - Milan Kundera

Deseje uma Boa Viagem

Posted on 16:30 In:
Nunca terei certeza
Comigo é sempre sim e não, não, sim, e talvez.
Talvez eu queira mesmo ir embora,
mas Não poderia suportar o fato de que se eu for você também terá de ir.
Mas quando eu penso, com toda a minha alma, meu Sim, minha esperança...
Minha cabeça dói.
Pensar, nesse exato momento, têm me virado ao avesso de carne e sangue.
Mas eu penso.
Penso que mais uma vez eu estou exausta e que todo o amor e afeto que eu esperava naquele momento, passou em branco em mais uma de suas piadas.
Pode ser apenas um momento, mas foi o momento que gerou essas palavras.
Amanhã Sim, tudo passará.
Mas sempre haverá momentos, e palavras.

Quinze Minutos

Posted on 19:32 In:

Carrasco

Silêncio

Mágoa

Mundo,

Subgrupos

Melhores

Piores

Nada

Pai

Escola de Teatro

Pessoas

Divisão

Eclosão

Gestos

Garotas bonitas

Página de recados

Máscara

Sexo

Internet

Tudo repleto de nada

Oco

Podre

Cai


Você só têm quinze minutos pra continuar a fingir

14' 59''

Parecido com o Céu

Posted on 16:54 In:



"Me mostre como você faz esta mágica,


essa que me faz gritar


Você é único que me faz sorrir" ela disse


E atirou braços em mim num forte abraço




Me mostre como você faz e eu prometo,


Eu prometo que fugirei com você


"Eu fugirei com você pra sempre" ele disse




Girando no desmaio


Eu a beijei no rosto e sutilmente na cabeça


E sonhei.


Sonhei com caminhos diferentes que passei para fazer você irradiar




"Por que você está tão longe?" ela disse


"Por que você nunca soube que eu estou apaixonado por você?"


Estou apaixonado por você




Você,


Suave e única


Você,


Perdida e sozinha


Você,


Estranha como anjos




Dançando nos oceanos mais profundos


Girando nas águas


Você é apenas um sonho...




Na luz do dia fiquei em forma


Eu devo ter adormecido por dias


Movi meus lábios para respirar seu nome


Abri meus olhos e me encontrei sozinho


Sozinho a atormentar o mar que roubou a única menina que amei


e afogou seu interior dentro de mim




Você,


Suave e única


Você,


Perdida e sozinha


Você,


Se parece com meu céu




Just Like Heaven - The Cure

Pedaço

Posted on 16:50

Passei todo o fim de semana pensando no meu pedaço de céu,

mas só fui me lembrar no domingo, que no céu não há imperfeições

Tenho a impressão de que já comecei a me acostumar,

que no fim sempre haverá frustrações

Sempre

Talvez, seu egoísmo só termine quando o meu começar.

E o céu?

Essa noite não. Só bastou uma noite.

Papeis Picotados

Posted on 16:37

Quando eu me sinto cansado -derrotado-

Ela vêm, e põe comida por debaixo da porta

Eu me arrasto em direção as fendas de luz

Às vezes me perco no meu caminho


Jornais a minha volta absorvendo tudo que podem

-Isso precisa mais uma vez ser limpo-

Um jato de água, que seja.


O homem por quem eu sinto um amor paternal,

Não consegue mais me olhar nos olhos

Mas eu vejo os dele e são azuis

E se engatilham, se contraem e se masturbam


Então eu lhe disse:

Nirvana

Nirvana

Nirvana

Nirvana


As janelas pretas foram pintadas

E eu continuo as arranhando com minhas unhas

Eu vejo vários iguais a mim,

Por que eles não tentam escapar?


Eles trazem os mais velhos,

Eles apontam em minha direção

Toda minha existência foi para sua diversão

Circo íntimo de horrores que levou toda a família embora


E bem mais tarde eu aprendo a aceitar as pessoas ridículas

E esse é o por que de eu estar aqui com você

Não me leve embora,

Há um certo conforto aqui dentro

Seus olhos...


Nirvana

Nirvana

Nirvana

Nirvana



Baseado na música Paper Cuts - Nirvana

O Advogado

Posted on 17:33 In:

E ele se tornou o olhar dourado do meu abismo

Meu mais detestável advogado, balança de julgamentos

E eu como mais insignificante cliente e réu, fixo o olhar na balança, esperando seu julgamento

Algumas vezes a balança pende tranquila e serena, outras vezes é um desespero amargurado

O Advogado usou a voz, fez promessas. Mas, esqueceu que nem sempre poderia salvar o réu.

Realidade.

Jogou fora as flores e silenciou toda a textura que sobrara.

A voz, um dia foi mansa e aveludada, cheia de expectativas e promessas.

Hoje é rouca, gasta, doente e nauseante.

Ri para a hipocrisia do que sua alma se tornou, e vive na mais enfeitada mentira de dizer a si mesmo que é o que quer se tornar.

Vive julgando no seu tribunal de seda, mas não permite ser julgado.

O coração que era pequeno e singelo, agora é um diamante bruto, se violentou e pregou rebites por todo seu pequeno corpo para crescer e não sentir mais dor.

As lembranças e anseios do tempo antigo, se perderam no tribunal, escorregaram da balança, e agora vivem em cada cigarro queimado no cinzeiro de coração, coberto de marcas e queimados.

Tudo se foi, e tudo está aqui, como um velho baú bem feito e esquecido pelas mãos do próprio artesão. Só espera um dia tornar a ser aberto.

Enquanto isso, o Advogado se contenta com os desenhos do artesão, que cobrem toda a parte externa do baú. Mas eu não, eu quero sempre mais do que migalhas e promessas.

Mas o Advogado abandonou seu mais pretencioso cliente com promessas do que imagina ter no baú.

Posted on 17:27
Se algo não morreu, então está vivo?
Se você ainda não perdeu algo, então você o possui?

Nicotina

Posted on 17:08 In:


A vida é estranha...


Todas as coisas são estranhas, as pessoas são o que mais há de mais estranho;


elas vivem, dormem, comem, mentem, amam, odeiam, são autoritárias, são subjugadas, felizes, tristes...


A verdade é que no fundo são todos egoístas.


Eu, você, ele, aquela, todos.


Egoístas e que ainda inssistem em se rotular e culpar uns aos outros pelos seus problemas pessoais e externos.


Você pode dizer que dá a vida por alguém, mas na verdade você apenas ama o que aquela pessoa te faz sentir, no primeiro momento que ela te decepcionar, ou que você deixar de sentir todo esse mágico sentimento de conto de fadas, você retorna ao seu egoísmo.


Se não é que ele sempre estave ali, enrrustido pelo toque da varinha de condão até o prazo acabar.


O aviso prévio chegou, faça as malas e falsos boas sortes.


Pode parecer um pouco dramático e insensível, além de desabar com todas os pilares dos livros de auto-ajuda e aquelas coisas bonitinhas que pregam nos comerciais de pasta de dente, mas acredite, as pessoas estão se tornando primatas egoístas.


Uma verdadeira selva de pedra, que utiliza o termo "evulução, ciência e tecnologia" para conseguirem o que querem pisando em cima do que estiver pela frente.


Dinheiro, poder, libido, fama, popularidade... O que você deseja?


Basta usar as três palavras mágicas.


Bem-vindo ao suicídio coletivo.


Você não é mais a mesma
Você mudou pra valer
E um sorriso de seus lábios
Não terei

Eu sinto um frio
Que vem do seu coração
Mesmo nesse sol de verão
Apenas um suspiro
E um olhar perdido
Por que as coisas são assim?

Estamos perto um do outro
Mas você está longe de mim
É tão fácil, mas é impossível dizer.

Foi o tempo
Que tomou suas palavras
E hoje você parece
Uma boneca de cera

Com sua cara triste
Não sente os pingos da chuva
Nem minha presença sente também

Eu quero lhe mostrar
Que estou ao seu lado
Eu não quero te ver chorando

Foi o tempo
Que tomou suas palavras

Mas dê um tempo
Pra que seu imenso vazio
Seja tomado
Pela vontade de sorrir e viver

Linha Muda

Posted on 11:08 In:

"Interrompia a cada tanto o que estivesse fazendo para ligar pra ela, e insisti dias inteiros até compreender que aquele telefone não tinha coração. Num ato de loucura teci durante três dias doze pares de sapatinhos azuis e rosados de recém-nascidos, tratando de me dar coragem para não escutar, nem cantar nem lembrar das canções que me faziam lembrar dela."

Memórias de minhas putas tristes - Gabriel G. Márquez

Ava Adore

Posted on 11:08 In:



É ela quem ele adora
é ela sua eterna prostituta
ela será a mãe das suas crianças
e ao mesmo tempo uma criança pro seu coração

Eles nunca deverão se separar
Eles nunca irão se separar

Assim como ele sempre repetia:
Minha adorável garota, você é a beleza do meu mundo
sem você não há razões, porque seguir todo o longo caminho só?

Minha bela não se preocupe,
eu arrancarei esses dentes tortos,
assim como Poe* fez a Berenice.
E você será perfeita como eu
será uma amante em minha cama
e uma arma na minha cabeça

Nós nunca devemos nos separar
Nós nunca iremos nos separar

Troca meu nome por adorável garota
Pois saiba que a adorável garota, é o assassinato de todo o seu mundo.
Faço caixões para as almas que eu deixei morrer,
bebo mercúrio para o mistério de tudo que você deveria se empenhar pra encontrar a tempo.
A adorável garota é tudo que você não tenta ser porque têm medo.

Em mim você vê sujeira,
em mim você conta estrelas,
comigo você se sente tão belo,
comigo você sente o gosto de Deus,
comigo você sente fome,
comigo você perde tudo que sempre foi treinado pra ganhar.

Nós nunca devemos nos separar

Bebo mercúrio para o mistério de tudo que você deveria se empenhar pra me ensinar
Adorável garota, você é o assassinato do meu mundo
Fazendo caixões para as almas que eu deixei pra trás faz tempo

Nós nunca devemos nos separar

E você vai ser sempre minha prostituta
Porque é você que eu adoro
E eu arrancarei seu dente torto
E vai ser perfeita como eu

Em você eu me sinto sujo
Em você eu conto estrelas
Em você eu me sinto tão belo
Em você eu sinto o gosto de Deus

Nós nunca devemos nos separar


Baseado na música Ava Adore do Smashing Pumpkins
*Edgar Allan Poe, escritor inglês
1809 - 1849, literatura sombria e poética.

Posted on 09:39

o mistério nos fascina desde o início dos tempos, o exótico nos excita desde que aprendemos a enxergar as diferenças.
mas o que acontece quando mistério e exótico se unem para ofuscar nossa visão e fazer com que não enxerguemos as diferenças?

um ser do qual nada podemos dizer a uma primeira vista.
qualquer conclusão tirada sobre ele é precipitada, qualquer padrão desintegra-se sob seus pés quando ninguém consegue passar sem notá-lo.

Posted on 14:26

definição do dia para Insanidade:
"Continuar repetindo os mesmos atos para tentando alcançar resultados diferentes"

Faz de Conta

Posted on 09:28 In:

Faz de conta que fiava com fios de ouro as sensações,
faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos,
faz de conta que uma veia não se abrira
e faz de conta que dela não estava em silêncio alvíssimo escorrendo sangue escarlate,
e que ela não estivesse pálida de morte mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade,
precisava no meio do faz de conta falar a verdade de pedra opaca para que contrastasse com o faz de conta.
faz de conta que vivia e não estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte,
faz de conta que ela não ficava de braços caídos de perplexidade quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam e ela não sabia desfazer o fino frio,
faz de conta que ela era sábia bastante para desfazer os nós de corda de marinheiro que lhe atavam os pulsos,
faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua pois ela era lunar,
faz de conta que ela fechasse os olhos seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos de gratidão,
faz de conta que tudo o que tinha não era faz de conta,
faz de conta que se descontraía o peito e uma luz douradíssima e leve a guiava por uma floresta de açudes mudos e tranqüilas mortalidades,
faz de conta que ela não era lunar,
faz de conta que ela não estava chorando por dentro pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver.


Clarice Lispector

Estrela de três pontas

Posted on 09:11

no momento,
eu prefiro odiar qualquer tipo de sentimento.
eu sempre irei me ferir com seu julgamento
eu vou amaldiçoar cada cômodo da casa
e abraçar cada pedaço das três partes que voltarão pra mim.

Strange Love

Posted on 22:11 In:

Estranho amor,
Estranhas euforias e estranhas depressões.
Estranho amor,
É assim que se comporta o meu amor.
Estranho amor,
Você o dará a mim?
Você vai suportar a dor que darei à você?
Uma vez após a outra, você vai me devolver a mesma dor?
Vai haver momentos em que meus crimes
Parecerão quase imperdoáveis...
Me rendo aos pecados,
Porque é preciso tornar esta vida tolerável.
Mas quando você achar que já tive o bastante do seu mar de amor,
Vai me ver encarar mais que um rio transbordando.
Sim, e vou fazer isso tudo valer à pena,
Farei seu coração sorrir.
Vai haver dias em que sairei sem rumo vagando pelas ruas.
Posso parecer constantemente fora de alcance,
Mas me rendo aos pecados.
Porque gosto de colocar na prática a minha pregação.
Não estou dizendo que vai ser tudo do jeito que quero,
Estou sempre cheio de vontade de aprender sempre que você tem algo a me ensinar.
E eu farei tudo isso valer à pena, Farei seu coração sorrir.
Mas e a dor, você vai me devolver?


Depeche Mode

Aproveite o Silêncio

Posted on 21:36 In:

Eu já não sei mais pra quem eu escrevo...
Eu não sei mais diferenciar o real do fantasioso, do esperado, sonhado e precipitado.
Eu deitei num carro apertado imaginando que estava num campo vasto deitada na grama.
Eu vi a luz do velho e acabado poste da rua batendo em seu rosto e fantasiei a luz do luar.
Eu fiz carícias em seu rosto e ele as repeliu e mesmo assim, eu quis acreditar que ele apenas estava tendo um sonho ruim...
Hoje eu presenciei uma troca tão mágica de sentimento entre duas pessoas, foi algo tão puro, tão sincero, tão desejado, um amor tão verdadeiro que ao se abraçarem e aceitarem um ao outro como companheiro, lágrimas rolaram dos rostos de ambos...
Eu senti algo, bem do fundo das minhas entranhas. Algo que estava lá em mim enterrado a muito tempo, e sustentado por fantasias.
Imediatamente, toda a minha maneira de pensar havia sido arruinada.
Imediatamente eu pus a culpa nos convites de visitar sua casa, que nunca mais vieram. Logo depois estupidamente pus a culpa nele mesmo...
Mas a verdade é que eu não o culpo, tenho plena consciência que esse sentimento vêm inteiramente de mim.
Passei a repudiar certas maneiras e atos, e se eu não os aceito é errado exigir que outra pessoa mude ou amadureça antes do seu próprio momento.
Há responsabilidades que não estão nos nossos planos, e nem sempre estamos aptos para tais. Mas desejamos de tal maneira louca e desenfreada, que nem ao menos paramos um instante no realismo para pensar se realmente será a base de toda a felicidade ou de toda a perda da vida que construímos até então.
E esse eterno bumerangue de sentimentos sempre vai e vem, mas mesmo eu tendo a certeza de que vai voltar, ele sempre insiste em partir mais uma vez.
Onde estará a magia eterna enraizada?


Já abraçou alguém querendo que fosse outra pessoa?
As vezes, nem nós mesmos sabemos ao certo quem é essa pessoa...
Mas uma coisa é certa, você pode ter várias ou poucas pessoas que entraram e saíram da sua vida, e na maioria das vezes sem boas despedidas.
Mas nada mais vai importar quando você abraçar a pessoa correta.
E como saber quem é essa pessoa?
Têm alguma voz bem no seu íntimo que sussurra palavras ternas no ouvido dessa pessoa, e faz seu coração bater mais forte quando elas são sussurradas pra você.
Têm algo que te faz sentir incrivelmente protegida quando abraça essa pessoa, e um misterioso fascínio que pode te deixar acordada uma noite inteira só pra olhá-la dormindo profundamente da maneira mais linda possível bem do seu lado.
E o que são algumas horas perdidas de sono perto disso?


Se você soubesse o quanto me faz feliz assim, bem do jeito que você é.
Sem tirar nenhum detalhe.
Do quanto eu amo esse meu demorado hobbie de amar cada olhar e cada mudança de tonalidade dos seus olhos, de analisar cada minuciosa forma de beijar sua boca macia com aquela pintinha perto do lábio superior que me deixa doida, com os dentes naturalmente bem alinhados e aquela curvatura britânica tão charmosa do seu nariz. Sentir nos meus dedos seu cabelo macio sempre tão cheiroso e bem cuidado, com meu corte masculino favorito e aquela bochecha gostosa de morder...
Você não sabe como é milimetricamente perfeito pra mim meu branquinho...
Você não faz nem idéia do quanto cada parte que você julga imperfeita em si mesmo, me encanta e me faz querer parar o tempo naquela troca de olhares. Naquela troca de completude.
É como se dissesse apenas com o olhar aquela frase que sempre procuramos definir aquele alguém que sempre sonhamos. Talvez um "eu te amo", "te encontrei", "nunca te deixarei" ou quem sabe nada disso?
Se você pudesse se ver da mesma forma que te vejo...
Se você pudesse sentir pra si mesmo, todas as esperanças e sonhos que sinto quando te abraço... Eu te juro meu amor, que você nunca mais sentiria medo do medo.
Eu te juro, eternamente aquele olhar iluminado de criança.
Eu queria poder te fazer entender meu bem, mas nem eu mesma entendo...
Sabe? São aquelas velhas borboletas azuis do meu estômago, que começaram a se renovar e sonhar com você.

Ingestão Voluntária

Posted on 22:00 In:

"Veja o lado bonito do suicídio: Perdi minha vista, estou do seu lado. Asa esquerda de anjo, asa direita, asa quebrada. Falta de ferro e/ou sono. Protetor do canil. Ecto-plasma. Ecto-esqueleto. Aniversário de obituário. Seu cheiro ainda está aqui em meu lugar de recuperação."

Kurt Cobain

Codinome Beija-Flor

Posted on 20:28 In:

"Pra que usar de tanta educação?
Pra destilar terceiras intenções.
Desperdiçando o meu mel,
Devagarzinho, flor em flor
Eu protegi o teu nome por amor.
Em um codinome, Beija-flor.
Não responda nunca, meu amor...
Nunca.
Pra qualquer um na rua, Beija-flor.
Você sonhava acordada...
Um jeito de não sentir dor.
Prendia o choro e aguava o bom do amor.

Prendia o choro e aguava o bom do amor..."


Cazuza




Mágoa

Posted on 14:39 In:

Se você
tivesse acreditado
na minha brincadeira
de dizer verdades,
teria ouvido
verdades que teimo
em dizer brincando.
Falei muitas vezes
como o palhaço,
mas nunca desacreditei
da seriedade
da platéia que sorria.

(Fred Maia. Gota Serena, pág. 65)


Quarto escuro, início de noite e casa cheia.
E eu?
Eu no quarto escuro no início de noite escutando os risos do andar de cima (eu poderia estar rindo -pensei).
As vezes você se sente mais sozinha na companhia de outras pessoas, pois deseja tão profundamente um pouco de reciprocidade, que quando a mesma não vêm, são os próprios sonhos e expectativas que se vão.
Eu me sinto uma prostrada que passou a manhã/tarde inteira numa casa se isolando no seu falso mundo literário. Mas agora, a noite, já não quero ver palavras e nem ler mais nada. A noite sinto falta que alguém sinta falta de mim. Sinto falta qual alguém me ligue o dia todo só pra me lembrar que não consegue fazer nada corretamente por pensar em mim (assim como eu fiz/tentei várias vezes). Sinto falta de deitar a cabeça no colo de alguém, enquanto o mesmo desliza os dedos no meu cabelo e me lembre o quanto são bonitos, repare o quanto demorei pra arrumá-los só pra essa pessoa. Sinto falta que alguém me cubra de beijos e realize todas as minhas propostas insanas (que eu tanto penso todas as noites). Sinto falta daquele eu te amo que faz os olhos se encontrarem e brilharem.
Droga!
Apaga. Apaga.
(e o post fica todo branco)
Me sinto tão sozinha. (apaga)
Me sinto uma sonhadora, repleta de expectativas e de meras esperas que elas ocorram. (apaga sonhadora)
A noite....
A noite eu percebo que as histórias dos meus livros são apenas histórias mal contadas e interpretadas com sentimentalismo exagerado (assim como a própria música do Cazuza).
Essa noite, aquela noite, a próxima noite...
Faz tantas noites que eu sonho.

Minha pequena Annabel

Posted on 09:08 In:

De repente, entre nós se abateu uma paixão louca, desajeitada, impudica e agoniante; e também desesperada, caberia acrescentar, porque só teríamos podido saciar aquele furor de posse mútua se cada um de nós assimilasse a última partícula da alma e do corpo do outro (mas lá estávamos, incapazes até mesmo de manter uma relação carnal, quando crianças que vivessem em cortiços teriam tido tantas oportunidades de fazê-lo).
[...] mas esses contatos fugazes levavam nossos corpos jovens, saudáveis e inexperientes a um estado de tamanha exacerbação que nem mesmo a água fria e azul, sob a qual ainda nos agarrávamos, era capaz de aliviar.
Amamo-nos com um amor prematuro, de uma ferocidade que não raro destrói vidas adultas.
Ah, minha pequena Annabel!


Lolita - Vladimir Nabokov

A tal Percepção

Posted on 21:24 In:

Ele surgiu assim, do nada.
Isso obviamente, na minha percepção, pois como desatento e voado ser de pensamentos aflorados ambulantes, eu nunca percebo bem as pessoas a minha volta.
Enfim, ele apareceu do nada, quando vi, ele já estava na minha vida após as aulas me dando um beijo na bochecha e dizendo: "tchau moça doida" [esse ato sempre me assustada pois ele chegava de lado e dava o tal beijo de tchau sem eu nem perceber direito quem era].
Na verdade só fui reparar nele quando percebi que ele saía logo do emprego [pela camiseta trabalhava num lugar pesado e mal remunerado] para ir direto pra aula.
Mais tarde, percebi que aquele simples tchau tinha algo a mais e por isso me afastei dele.
Me sinto meio desapontada quando alguém que é meu amigo fica querendo algo a mais... mas nesse caso foi muito diferente, ele nunca foi meu amigo. Na verdade eu mal sabia que existia até deixar expresso em pequenas frases estranhas: "porque não sentou ao meu lado?" "depois temos que conversar longe desse monte de gente não acha? papo mais centrado doidona"
Outra coisa, o doidona nunca me agradou, nunca chegará perto das palavras que recebo toda noite antes de dormir e nunca trocaria um "minha menina" por algo que expressasse o modo como alguém me vê tanto físicamente quando na maneira que ajo.
Não sei bem a função desse texto, mas me surpreendeu o fato de ele ser totalmente o oposto do que "estou acostumada". Digo, um cara que trabalha o dia todo, vive sua vidinha normal numa rotina normal, com roupas normais e se aproxima de uma garota com roupas estranhas, maquiagem pesada nos olhos que passa a maior parte do tempo rindo com as beshas e humorísticos afins.
Não sei o que esse típico cidadão trabalhador viu em mim, achei que a espécie normal da cidade sempre me repelia, mas por incrível que pareça há alguns alternativos presos em casulos por aí [e sinceramente, pra mim são piores porque tem medo de serem eles mesmo pelo julgamento dos outros].
De qualquer forma, esse texto é apenas uma reflexão de diferenças entre duas pessoas, ou talvez nada disso.
E eu não trocaria por nada desse mundo o aconchego da minha boa e velha casinha inglesa, que me sussurra as mais amáveis palavras ternas e mansas que eu tanto prezo.