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About a Girl

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"Nasci em 1992, no interior do estado. A dança-teatro e o cinema formaram meu primeiro imaginário: a palavra vinha como complemento das imagens. Quando descobri os livros, bem cedo, aceitei-os apenas como o lugar das palavras e das idéias, vendo as imagens a que remetiam ou sugeriam, como fantasmas imponderáveis e sem substância, descabidos, impróprios para aquele tipo de veículo. Quando me pedem que fale de mim mesma, sinto o incômodo, pergunto: que imagem devo projetar? Tenho tantas. Acho que a melhor para o caso é a que passo nos próprios posts, de alguém que escreve mas não acredita nos fantasmas das palavras, embora eles sejam inevitáveis. E a melhor forma de conviver sem temor com essas fantasias é jogar com elas, torná-las risíveis, desautorizá-las, de modo a evitar o poder técnico abusivo que tem quem escreve, para iludir o leitor."

Aos destinatários destas palavras

"Pra dilatarmos a alma
Temos que nos desfazer
Pra nos tornarmos imortais
A gente tem que aprender a morrer
Com tudo aquilo que fomos
E tudo aquilo que somos nós"


O Teatro Mágico

Quem lê

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Cores Quentes

Posted on 02:12 In:



















Vamos ser francos, nunca havia te enxergado além de um rascunho.
No entanto, há cafeína ao extremo nessas madrugadas;
Há corredores e jardins virgens em rubro escarlate.

Ainda resta culpa que se ampara no equilíbrio.
Culpa que enxerga êxtase na fuga.
Por agora, já se foi.
Ficaram somente as cores quentes, você é capaz de ouvi-las?

Está tudo guardado na interpretação da obra, pois no fundo,
Sempre busquei mais que o excesso.
Seu desejo pela composição da forma mais pura, trouxe Sofia,
Tão singela de volta pra mim.

Vi a lua essa noite e quis dormir sem poesia, mas Caroline não deixa.
Caroline se faz presente, traz as horas, traz o homem.
Saiu do rascunho, ficou pra rimar.


Stella

Posted on 01:21 In:























God was there,
Always had the best of drugs,
knew where to get them, brought a ladyfriend...
And i believe her name was Stella,
and he said: Stella, Stella,
i wanna give you the world if you just stay with me tonight.





























Não quero amar o braço descarnado
Que se oculta em meu braço, nem o peito
Silente que se instala no meu lado.
Na presente visão de seu passado
Em futuro sem tempo contrafeito,
Em tempo sem compasso transmudado.
O morto que em mim jaz aqui rejeito.
Quero entregar-me ao vivo que hoje sua
De medo de perder-me em pleno leito.
A luz de ardente e grave e cheia lua.

Quando chegares ao aeroporto,
ainda não terás chegado;
quando chegares até meu abraço,
ainda não terás chegado;
quando chegares a alguma casa,
ainda não terás chegado;
quando chegares até o centro,
até o centro de meu ser,
ainda não terás chegado,
ainda não terás chegado.

Mas quando fores para teu leito
mas quando a sós adormeceres
e quando tudo estiver escuro
quando eu, de pé, ao pé de teu sono,
sentir teu sono, teu sono justo -
aí então terás chegado,
terás chegado.

De Leão

Posted on 21:50 In:















Não, sim e não. Sim, não e sim.
Melhor opor o 8 aos 80 do que sentir tudo meia-boca, feito fuligem: decidir por cair três vezes de cabeça ao invés da estagnação, do nada.
Quebrar rotinas como quem troca de roupa, enfiar prosa na poesia - entre achados e perdidos, preto no branco, acabemo-nos todos, ímã que se partilha.
Pôr um preço alto na alma e esquecer o corpo: decidir pela sonoridade da leveza e pela solidão sem jargões, pura e simples.
Ser mais Rolling Stones do que Beatles, escancarar, só quem se mostra vive de verdade. Ser fugaz, ter tesão pelo estrago.
Bom de se vestir é sempre tirar a roupa depois, isso que fica sobre a pele é tão removente, sobressalente, sempre.
Viver sempre na verdade, isto é, na própria verdade. Egoísmo alheio recheado de princípios próprios, sem moralismo.
Reinventar a própria realidade, quantas vezes for preciso e com quantas pessoas for preciso.
Por outro lado... todavia... através do espelho... como ser aqui, isso, se não se conhece o outro aí?
Não venha me dizer, mais uma vez, que é apenas personalidade forte.



























Toda vez que penso em você
Eu sinto passar um raio de tristeza por mim
Não é um problema meu, mas é um problema que acabei encontrando
Vivendo uma vida que não posso deixar para trás
Não faz sentido me dizer:
"A sabedoria de um tolo não vai te libertar"
Mas é assim que as coisas são
E é o que ninguém sabe é que a cada dia minha confusão cresce

Toda vez que vejo você no chão
Eu fico de joelhos e rezo
Estou esperando pelo momento final
Que você dirá as palavras que não posso dizer

Eu me sinto bem, tão bem
Estou me sentindo como nunca estive
Eu simplesmente não sei o que lhe dizer
Porque não podemos ser nós mesmos como eramos ontem?
Eu não tenho certeza do que isso significa
Eu não acho que você seja o que mostra
E na verdade admito para mim mesmo, que machucar outra pessoa
Jamais me mostrará a verdade que deveríamos ter sido

Toda vez que vejo você caindo
Eu fico de joelhos e rezo
Estou esperando pelo momento final
Que você dirá as palavras que não posso dizer





















[...] De perto ou de longe todo mundo estaria olhando; era preciso, de uma maneira ou de outra,
representar uma comédia diante de todo mundo; em vez de ser Sabina, ela seria forçada a representar o papel de Sabina e a descobrir a maneira de representá-lo. O amor oferecido ao
público como um alimento ganhava peso e tornava-se um fardo. Só de pensar nisso curvava-se, por antecipação, sob esse peso.
Estava ainda em plena confusão e não sabia se devia ou não ficar contente. Pensou no encontro deles no vagão-leito do trem de Amsterdã. Tivera vontade, naquele dia, de se jogar a seus pés, suplicando-lhe que ficasse com ela, de qualquer maneira, e que nunca mais a deixasse partir. Naquela noite, quis acabar de uma vez por todas com essa perigosa viagem de traição em traição. Teve vontade de parar.
Voltaram para o hotel no meio da animação da noite.
Sabina fez sua toalete no banheiro bem devagar, despiu-se e olhou por longos minutos no espelho do quarto de hotel. Enquanto Franz a esperava embaixo das cobertas da estreita cama de casal. Como sempre, havia uma pequena lâmpada acesa.
Voltando do banheiro, desligou o interruptor. Era a primeira vez que fazia isso. Franz deveria ter desconfiado desse gesto. Não deu importância para ele a luz não tinha a menor importância. Durante o amor, como sabemos, ele fechava os olhos. É justamente por causa dos olhos fechados que Sabina apaga a luz. Não quer mais ver, nem por um segundo, essas pálpebras fechadas. Os olhos, como se diz, são a janela da alma. O corpo de Franz debatendo-se sobre ela com os olhos fechados é para ela um corpo sem alma. Parece um pequeno animal, ainda cego,
emitindo sons chorosos por que tem sede.
Não, não quer nunca mais vê-lo debater-se desesperadamente sobre ela, hoje é a última vez, irrevogavelmente a última!
Sem dúvida nenhuma, sabia que sua resolução apenas de como ele era na cama era a maior das injustiças, que Franz era inteligente, entendia seus quadros, era bom, honesto, bonito, mas, quanto mais reconhecia suas qualidades, mais tinha vontade de violar essa inteligência, essa força débil.
Amou-o nessa noite com mais ardor que nunca, excitada com a idéia de que seria a última vez. Amava-o e já estava em outro lugar, longe dali. Já ouvia soar ao longe a trombeta de ouro da
traição e sabia ser incapaz de resistir a essa voz. Parecia que diante dela se abria um espaço de liberdade ainda imenso, e a imensidão desse espaço a excitava.
Um sobre o outro, ambos cavalgavam. Iam ambos em direção às distâncias que desejavam. Aturdiam-se ambos numa traição que os libertava.
Franz cavalgava Sabina e traía sua mulher, Sabina cavalgava Franz e traía Franz.





















O que é viver na verdade? Uma definição negativa é fácil: é não mentir, não se esconder, não dissimular nada.
Para Sabina, viver na verdade, é mentir nem para si nem para os outros, só seria possível se vivêssemos sem público. Havendo uma única testemunha de nossos atos, adaptamo-nos
de um jeito ou de outro aos olhos que nos observam, e nada
mais do que fazemos é verdadeiro. Ter um público, pensar no público, é viver na mentira. Sabina despreza a literatura em que o autor revela toda a sua intimidade, e também a de seus amigos.
Quem perde sua própria intimidade perde tudo, pensa Sabina. E quem a ela renuncia conscientemente é um monstro. Por isso Sabina não sofre por ter de esconder seu amor. Ao contrário, para ela esta é a única forma de viver na verdade .

Caroline

Posted on 20:28 In:



















Me peguei essa noite pensando no seu sorriso, e na forma que você as vezes simplesmente me olha sem expressar nada por breves instantes.
Que palavras são essas que me dizes sem dizer? Quais cores escondidas atrás do que realmente quer dizer? Tenho me confundido na tentativa de te decifrar.
Tenho me confundido a maioria do tempo em que me pego pensando em você.
E quando eu penso demais, não há lua, não há nada por trás da minha auto traição. Minto, há álcool.
Com o álcool eu olhei fortemente para os resquícios líquidos que sobraram em mim e tive a certeza de que poderia abrir mão de tudo que já não sinto e escolher. Sim, a única coisa que me veio na hora foi como eu poderia facilmente me apaixonar por você.
Poderia?
O que é fácil, banhado pela essência de serotonina da noite, é sempre tão difícil sobre a luz da manhã.
Fiquei sóbria e corri, corri até não poder mais. Eu fugi mais uma vez.
As pessoas tem muito pudor. Pudor de parecer ridículos, melosos, românticos, banalizarem o amor.
Eu tenho medo é de nunca ser capaz de banalizar nada. O meu medo vem da ausência de humanidade, é um egoísmo chulo e desnecessário que me conforta, me mantém longe do teu sorriso.
A questão agora é: Você existe ou eu simplesmente te inventei esse tempo todo?
Enquanto não encontro a resposta, continuo vivendo de velhos sonhos límpidos que, por enquanto, só enganam.



























Karênina porque fez isso?
Karênina, digas porque?
Isso a tornou mais infeliz?
Você sabe que tornou, então porque persiste?

Karênina você tinha tudo, porque escolheu destruir dessa forma monstruosa?
Não é honrável,
Não condiz com sua conduta.

Jovem, tola e sozinha.
Escolheu se entorpecer ainda mais...
Eterna masoquista de sons, palavras e sabores.

Vamos lá Anna, o que te impede de se jogar ao trem?
É assim que Tolstói termina,
E exatamente assim que você irá se manchar.

Escolhes o pior, escolhes o que dói.
Até quando?
Só lembre-se, que o álcool já não ameniza mais.




*Anna Karênina, um dos mais famosos romances de Leon Tolstói.

Os cigarros de Miguel

Posted on 22:05 In:



















Eu o amo tanto Miguel, tenho certeza de que fomos tão felizes juntos...
Sinto lhe dizer que o amor que sinto por você não é o mesmo que você sente por mim, isso não significa que ele seja pior, não.
Eu o amo como se você fosse parte de mim, eu sempre estarei aqui pra cuidar de você.
Porque não pode ser assim?
Porque você não poderia ser meu irmão, se o amor que eu sinto por você se equivale a força de um laço sanguíneo?
Eu me sinto terrivelmente suja, pois você sempre foi tão bom pra mim e eu sinto incapaz de retribuir todo esse carinho da mesma maneira.
A verdade, é que sempre que há encontros e desencontros descobrimos algo.
No nosso primeiro desencontro descobri que te amava, nesse último que talvez a insegurança não deixe que te ames como homem.
Porque eu sinto que estou te machucando ao sentir isso?
Porque eu estou me punindo tanto por isso?
Pois eu não quero te ver longe de novo, nós sempre fomos os melhores companheiros.
Só te peço que não vá embora, por favor...
Só não vá embora de novo.
Eu sinto tanta falta do cheiro dos cigarros nos seus dedos...
Não vá embora.

Dora

Posted on 23:19 In:
















Ela é o anjo que sempre pedi
Leve e morena, suas asas carregam estilhaços demais
Como ainda é capaz de amar?

Na janela o sol queima sobre a estante,
Há remédios demais
Há doença demais
Em meio as drogas o calor de mulher sábia

Penteia com cuidado os cachos dourados
Enxuga o amargo com amor
Tarja preta faça-a dormir até que eu retorne.


Touch Me

Posted on 22:44 In:




















Come on, come on
Now, touch me, babe!
Can't you see that I am not afraid?

What was that promise that you made?
Why won't you tell me what she said?
What was that promise that you made?










Gramaticalmente incorreto

Posted on 22:11




















Viajei por terras distantes, sem certezas nem rumo.
No meio do caminho, tudo de mais sereno lembrou-me você.
Lembrei que havia prometido, no pior momento possível, que deixaria tudo pra trás por um estranho que bateu a minha porta me perguntando se encher era com ch ou com x.
Carregava um livro antigo na época, daqueles comprados em sebos baratos.
Parecia não lavar os cabelos tinha tempo, a camisa xadrez era amarrotada.
Era bonito, de fato.
Como homens se tornam facilmente elegantes com camisas xadrez e literatura, pensei.
No meio de toda a gramática, adormeci.
Acordei agora e já te esqueci.

Falta

Posted on 17:23 In:





















Enfim, resolveu partir. Talvez porque simplesmente queria partir, não importando pra onde fosse. Ou, fosse apenas porque era preciso.
Sim, era preciso.
A doce menina de sorriso largo me abraçou forte e disse-me antes de ir: "Você vai ser feliz, não se esqueça. Você vai ser feliz"
E eu, ingênua e sonhadora, acreditei em suas palavras.
Todos os dias tenho de reafirmar o porque estou, enfim, aqui. Me enganar que os meus dias têm algum significado. Só assim, eu posso conseguir.
Posso?
É tudo sempre tão grande, e eu tão pequena e sempre perdida no meio das ruas sujas.
As pessoas sempre tão distantes, indiferentes.
O vento bate o tempo todo, forte e sem rumo. Mas não há cheiro de terra.
Sinto falta dos aromas, sinto falta de não sentir medo.
Doce menina, como posso ser feliz, se não vejo pessoas felizes por aqui?
Eu fico pensando, o que de fato as preenche ou as perturba para agirem assim...
Menina, me diga como é possível tudo perder tão rápido o valor?
A culpa é minha? Sua, que me enganou?
Não há a quem culpar.
A culpa é de quem se fez prender dentro da própria gaiola de pedra.





















Ei, você estava certo
Nomeei uma estrela para seus olhos

O amor a enforca
Com meus lençóis na cela dela
Me atirei no fogo

Me dê dez boas razões para continuar dessa forma
Dez boas razões que eu não consigo achar

Me dê uma razão para ser bela
Dessa forma,
Doente em seu corpo.
Dessa forma,
Doente em sua alma
Só me dê uma razão para ser bonita

O amor te odeia
Eu vivo minha vida em decadência por todos os segredos guardados
Todos culparam e esmagaram apenas a flor.

Então, me dê alguma razão para ser bela
Dessa forma,
Doente em seu corpo.
Dessa forma,
Doente em sua alma.
E tudo mais o que eu sou...

Metros e metros de pele perfeita
Eu juro, eu sirvo pra isso
Enquanto isso, a doença queima através de tudo
Metros e metros de pele perfeita
Eu juro, eu disse, eu sirvo perfeitamente
Eu sirvo perfeitamente em sua pele perfeita

Ei querido, me prove de algum jeito
Que é tudo parte da encenação da peça
Nunca saberemos...
Continua murchando como uma rosa

Me dê uma razão pra ser bela
Doente em seu corpo, doente em sua alma
Eu te dou todo meu corpo, apenas me venda sua alma
Tudo o que eu sou, será negociado...
E tudo o que eu sou se tornará rude e frio

Me disseram que no final, você se tornará amargo como elas
Elas roubam toda a visão, eu sei.
Quando todo fogo acabar, é melhor você aprender a fingir
É melhor se erguer do que se apagar aos poucos

Ei, você estava certo
Nomeei uma estrela para seus olhos...
Pois eu estive aqui o tempo todo.




Olhos brilhantes

Posted on 20:03 In:




























Olhos brilhantes.
Olhos frágeis.
Olhos profundos e negros.
Olhos ternos.
Olhos cobertos de luxúria.
Olhos paternais.
Olhos serenos.
Olhos cheios de fúria.
Olhos tímidos.
Olhos amáveis.
Olhos fortes.
Olhos sofridos.
Olhos dissimulados.
Olhos...
Qual é o grande mistério por trás de vocês?

Da Água para o Vinho

Posted on 22:09 In:



















Não, não acredito em destino.
Um pouco forte pra mim essa noite começar esse texto com um "não", mas talvez necessário.
Não acredito em destino, não acredito em nada que "deveria ser".
Vejo que tudo muda o tempo todo, incessantemente. Eu não estaria aqui deitada escrevendo sobre isso se não fosse, por essa teoria, uma série de fatos sucessivos ocasionais: eu ter pensado sobre este determinado assunto, ter arranjado um notebook pra escrever na cama, enfim... algo foi preciso pra chegar ao produto final: escrita.
Venho pensando hoje a noite, como tudo é engraçado, como somos eternos seres mutáveis. Ninguém é dono de ninguém e jamais será.
É por isso, que não acredito em nada predestinado, ou que venha com "felizes para sempre" gravado com uma fonte bonita.
Eu sou humana, sei das minhas forças e fraquezas o suficiente para dizer o quão fácil é, para todos nós, iludirmo-nos com romantismo barato (novidade!). Mas não, se enganaram... Venho falar exatamente do oposto, de como também é simples nos Desiludirmos dos velhos valores românticos - baratos ou não -.
Todos esses planos, todos esses sonhos tão ardilmente obtidos aos solavancos, as vezes simplesmente desaparecem... puf! Se foi.
E sabe o que é engraçado? Quando chegamos ao ponto de correr atrás e buscar o que vale realmente a pena, o valor do que recebemos em retorno é tão inestimável que chega a ser leve, e de tão sereno, se torna belo.
Tudo ainda pode mudar.































[...]
39 De mesas tortas jogam meus sonâmbulos,
40 Meus líderes, meus deuses. Como ocultam
41 As cartas limpas, como atiram negros
42 Naipes no vale glauco de meu sonho!
43 Erza, trazem mais putas para Elêusis
44 E hoje Amatonte é todo o vasto mundo:
45 Prostitutas sagradas! - Se esta carne
46 Demais sólida pudesse dissolver-se,
47 Derreter-se e em rocio transformar-se!
48 Príncipe louro, oh náusea, proibição
49 Do mais ilustre amor, oh permissão,
50 Oh propaganda santa do mais rude!
51 L'amor che move il sole e l'altre stelle
52 Aqui parou, em ponto morto. Nem
53 Cometas hoje aciona, ou gestos de
54 Ternura move rumo aos eixos trêmulos
55 De seres enlaçados; nem desperta
56 Encantados centauros de seu sono.
57 Amor represo em ritos e remorsos,
58 Eros defunto e desalado. Eros!
[...]














[...]
4 Ai, estações -
5 Esta estação não é das chuvas, quando
6 Os frutos se preparam, nem das secas,
7 Quando os pomos preclaros se oferecem.
8 (Nem podemos chamá-la primavera,
9 Verão, outono, inverno, coisas que
10 Profundamente, Herói, desconhecemos...)
11 Esta é outra estação, é quando os frutos
12 Apodrecem e com eles quem os come.
13 Eis a Quinta estação, quando um mês tomba,
14 O décimo-terceiro, o Mais-Que-Agosto,
15 Como este dia é mais que Sexta-feira
16 E a Hora mais que Sexta e roxa.
[...]





























O mundo que venci deu-me um amor,
Um troféu perigoso, este cavalo
Carregado de infantes couraçados.
O mundo que venci deu-me um amor
Alado galopando em céus irados,
Por cima de qualquer muro de credo,
Por cima de qualquer fosso de sexo.
O mundo que venci deu-me um amor
Amor feito de insulto e pranto e riso,
Amor que força as portas dos infernos,
Amor que galga o cume ao paraíso.
Amor que dorme e treme. Que desperta
E torna contra mim, e me devora
E me rumina em cantos de vitória...