
Não quero amar o braço descarnado
Que se oculta em meu braço, nem o peito
Silente que se instala no meu lado.
Na presente visão de seu passado
Em futuro sem tempo contrafeito,
Em tempo sem compasso transmudado.
O morto que em mim jaz aqui rejeito.
Quero entregar-me ao vivo que hoje sua
De medo de perder-me em pleno leito.
A luz de ardente e grave e cheia lua.
Quando chegares ao aeroporto,
ainda não terás chegado;
quando chegares até meu abraço,
ainda não terás chegado;
quando chegares a alguma casa,
ainda não terás chegado;
quando chegares até o centro,
até o centro de meu ser,
ainda não terás chegado,
ainda não terás chegado.
Mas quando fores para teu leito
mas quando a sós adormeceres
e quando tudo estiver escuro
quando eu, de pé, ao pé de teu sono,
sentir teu sono, teu sono justo -
aí então terás chegado,
terás chegado.











