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About a Girl

Minha foto
"Nasci em 1992, no interior do estado. A dança-teatro e o cinema formaram meu primeiro imaginário: a palavra vinha como complemento das imagens. Quando descobri os livros, bem cedo, aceitei-os apenas como o lugar das palavras e das idéias, vendo as imagens a que remetiam ou sugeriam, como fantasmas imponderáveis e sem substância, descabidos, impróprios para aquele tipo de veículo. Quando me pedem que fale de mim mesma, sinto o incômodo, pergunto: que imagem devo projetar? Tenho tantas. Acho que a melhor para o caso é a que passo nos próprios posts, de alguém que escreve mas não acredita nos fantasmas das palavras, embora eles sejam inevitáveis. E a melhor forma de conviver sem temor com essas fantasias é jogar com elas, torná-las risíveis, desautorizá-las, de modo a evitar o poder técnico abusivo que tem quem escreve, para iludir o leitor."

Aos destinatários destas palavras

"Pra dilatarmos a alma
Temos que nos desfazer
Pra nos tornarmos imortais
A gente tem que aprender a morrer
Com tudo aquilo que fomos
E tudo aquilo que somos nós"


O Teatro Mágico

Quem lê

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Falta

Posted on 17:23 In:





















Enfim, resolveu partir. Talvez porque simplesmente queria partir, não importando pra onde fosse. Ou, fosse apenas porque era preciso.
Sim, era preciso.
A doce menina de sorriso largo me abraçou forte e disse-me antes de ir: "Você vai ser feliz, não se esqueça. Você vai ser feliz"
E eu, ingênua e sonhadora, acreditei em suas palavras.
Todos os dias tenho de reafirmar o porque estou, enfim, aqui. Me enganar que os meus dias têm algum significado. Só assim, eu posso conseguir.
Posso?
É tudo sempre tão grande, e eu tão pequena e sempre perdida no meio das ruas sujas.
As pessoas sempre tão distantes, indiferentes.
O vento bate o tempo todo, forte e sem rumo. Mas não há cheiro de terra.
Sinto falta dos aromas, sinto falta de não sentir medo.
Doce menina, como posso ser feliz, se não vejo pessoas felizes por aqui?
Eu fico pensando, o que de fato as preenche ou as perturba para agirem assim...
Menina, me diga como é possível tudo perder tão rápido o valor?
A culpa é minha? Sua, que me enganou?
Não há a quem culpar.
A culpa é de quem se fez prender dentro da própria gaiola de pedra.





















Ei, você estava certo
Nomeei uma estrela para seus olhos

O amor a enforca
Com meus lençóis na cela dela
Me atirei no fogo

Me dê dez boas razões para continuar dessa forma
Dez boas razões que eu não consigo achar

Me dê uma razão para ser bela
Dessa forma,
Doente em seu corpo.
Dessa forma,
Doente em sua alma
Só me dê uma razão para ser bonita

O amor te odeia
Eu vivo minha vida em decadência por todos os segredos guardados
Todos culparam e esmagaram apenas a flor.

Então, me dê alguma razão para ser bela
Dessa forma,
Doente em seu corpo.
Dessa forma,
Doente em sua alma.
E tudo mais o que eu sou...

Metros e metros de pele perfeita
Eu juro, eu sirvo pra isso
Enquanto isso, a doença queima através de tudo
Metros e metros de pele perfeita
Eu juro, eu disse, eu sirvo perfeitamente
Eu sirvo perfeitamente em sua pele perfeita

Ei querido, me prove de algum jeito
Que é tudo parte da encenação da peça
Nunca saberemos...
Continua murchando como uma rosa

Me dê uma razão pra ser bela
Doente em seu corpo, doente em sua alma
Eu te dou todo meu corpo, apenas me venda sua alma
Tudo o que eu sou, será negociado...
E tudo o que eu sou se tornará rude e frio

Me disseram que no final, você se tornará amargo como elas
Elas roubam toda a visão, eu sei.
Quando todo fogo acabar, é melhor você aprender a fingir
É melhor se erguer do que se apagar aos poucos

Ei, você estava certo
Nomeei uma estrela para seus olhos...
Pois eu estive aqui o tempo todo.




Olhos brilhantes

Posted on 20:03 In:




























Olhos brilhantes.
Olhos frágeis.
Olhos profundos e negros.
Olhos ternos.
Olhos cobertos de luxúria.
Olhos paternais.
Olhos serenos.
Olhos cheios de fúria.
Olhos tímidos.
Olhos amáveis.
Olhos fortes.
Olhos sofridos.
Olhos dissimulados.
Olhos...
Qual é o grande mistério por trás de vocês?

Da Água para o Vinho

Posted on 22:09 In:



















Não, não acredito em destino.
Um pouco forte pra mim essa noite começar esse texto com um "não", mas talvez necessário.
Não acredito em destino, não acredito em nada que "deveria ser".
Vejo que tudo muda o tempo todo, incessantemente. Eu não estaria aqui deitada escrevendo sobre isso se não fosse, por essa teoria, uma série de fatos sucessivos ocasionais: eu ter pensado sobre este determinado assunto, ter arranjado um notebook pra escrever na cama, enfim... algo foi preciso pra chegar ao produto final: escrita.
Venho pensando hoje a noite, como tudo é engraçado, como somos eternos seres mutáveis. Ninguém é dono de ninguém e jamais será.
É por isso, que não acredito em nada predestinado, ou que venha com "felizes para sempre" gravado com uma fonte bonita.
Eu sou humana, sei das minhas forças e fraquezas o suficiente para dizer o quão fácil é, para todos nós, iludirmo-nos com romantismo barato (novidade!). Mas não, se enganaram... Venho falar exatamente do oposto, de como também é simples nos Desiludirmos dos velhos valores românticos - baratos ou não -.
Todos esses planos, todos esses sonhos tão ardilmente obtidos aos solavancos, as vezes simplesmente desaparecem... puf! Se foi.
E sabe o que é engraçado? Quando chegamos ao ponto de correr atrás e buscar o que vale realmente a pena, o valor do que recebemos em retorno é tão inestimável que chega a ser leve, e de tão sereno, se torna belo.
Tudo ainda pode mudar.































[...]
39 De mesas tortas jogam meus sonâmbulos,
40 Meus líderes, meus deuses. Como ocultam
41 As cartas limpas, como atiram negros
42 Naipes no vale glauco de meu sonho!
43 Erza, trazem mais putas para Elêusis
44 E hoje Amatonte é todo o vasto mundo:
45 Prostitutas sagradas! - Se esta carne
46 Demais sólida pudesse dissolver-se,
47 Derreter-se e em rocio transformar-se!
48 Príncipe louro, oh náusea, proibição
49 Do mais ilustre amor, oh permissão,
50 Oh propaganda santa do mais rude!
51 L'amor che move il sole e l'altre stelle
52 Aqui parou, em ponto morto. Nem
53 Cometas hoje aciona, ou gestos de
54 Ternura move rumo aos eixos trêmulos
55 De seres enlaçados; nem desperta
56 Encantados centauros de seu sono.
57 Amor represo em ritos e remorsos,
58 Eros defunto e desalado. Eros!
[...]














[...]
4 Ai, estações -
5 Esta estação não é das chuvas, quando
6 Os frutos se preparam, nem das secas,
7 Quando os pomos preclaros se oferecem.
8 (Nem podemos chamá-la primavera,
9 Verão, outono, inverno, coisas que
10 Profundamente, Herói, desconhecemos...)
11 Esta é outra estação, é quando os frutos
12 Apodrecem e com eles quem os come.
13 Eis a Quinta estação, quando um mês tomba,
14 O décimo-terceiro, o Mais-Que-Agosto,
15 Como este dia é mais que Sexta-feira
16 E a Hora mais que Sexta e roxa.
[...]





























O mundo que venci deu-me um amor,
Um troféu perigoso, este cavalo
Carregado de infantes couraçados.
O mundo que venci deu-me um amor
Alado galopando em céus irados,
Por cima de qualquer muro de credo,
Por cima de qualquer fosso de sexo.
O mundo que venci deu-me um amor
Amor feito de insulto e pranto e riso,
Amor que força as portas dos infernos,
Amor que galga o cume ao paraíso.
Amor que dorme e treme. Que desperta
E torna contra mim, e me devora
E me rumina em cantos de vitória...





















Estava espremida num canto do compartimento, a pesada mala
acima da cabeça, Karenin encolhida a seus pés. Pensava no
cozinheiro do restaurante onde estivera empregada quando
morava com a mãe. Ele não perdia uma oportunidade de dar-lhe
uma palmada nas nádegas e mais de uma vez, diante de todo
mundo, convidara-a para dormir com ele. Era estranho que
agora pensasse nele. Ele encarnava para ela tudo o que lhe
repugnava. Mas, no momento, só tinha um idéia, encontrá-lo
novamente e dizer:
-Você dizia que queria dormir comigo. Bem, aqui estou!

Tinha vontade de fazer alguma coisa que a impedisse de voltar
para Tomas. Tinha vontade de destruir brutalmente todo o
passado de seus sete últimos anos.
Era a vertigem. Um atordoamento, um insuportável desejo de cair.
Eu poderia dizer que a vertigem é a embriaguez causada pela
nossa própria fraqueza. Temos consciência da nossa própria
fraqueza mas não queremos resistir a ela e nos abandonar.
Embriagamo-nos com nossa própria fraqueza, queremos ser
mais fracos ainda, queremos desabar em plena rua, à vista de
todos, queremos estar no chão, ainda mais baixo que o chão.
Tentava persuadir-se de que não ficaria em Praga e de que não
trabalharia como fotógrafa. Voltaria para a pequena cidade de
onde a voz de Tomas a arrancara.
Assim, no fim de cinco dias Tomas subitamente apareceu no
apartamento.
Estavam os dois um em frente ao outro, no meio de uma planície
gelada e tremiam de frio.
Perguntou:
-Tudo bem?
-Sim.
-Você esteve no jornal?
-Telefonei.
-E aí?
-Nada. Esperava.
-O quê?
Ela não respondeu.
Não podia dizer-lhe que era por ele que esperava.





























Aquele que deseja continuamente "elevar-se" deve esperar um.
dia pela vertigem. O que é a vertigem? O medo de cair? Mas por
que sentimos vertigem num mirante cercado por uma
balaustrada sólida? A vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a
voz do vazio embaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o
desejo da queda do qual logo nos defendemos aterrorizados.

As infidelidades de Tomas lhe revelavam de
repente sua impotência, e desse sentimento de impotência nascia
a vertigem, um imenso de sejo de cair.

No mesmo dia caiu na rua; seu passo tornou-se hesitante; caía quase todos os dias,
esbarrava nas coisas ou, na melhor das hipóteses, deixava cair
todos os objetos que tinha nas mãos.
Sentia um desejo irresistível de cair. Vivia numa vertigem
contínua.
Quem cai diz: -Levante-me!
Pacientemente, Tomas a levantava.

Sentia-se atraida por essa fraqueza como por uma vertigem.
Sentia-se atraida porque ela mesma se sentia fraca. Estava de
novo com ciúmes e suas mãos começaram a tremer. Tomas
percebeu e fez um gesto familiar: tomou-lhe as mãos para
acalmá-la com uma leve pressão dos dedos. Ela fugiu.
-O que é que você está sentindo?
-Nada.
-O que é que posso fazer por você?
-Quero que você fique velho. Dez anos mais velho. Vinte anos
mais velho!
Com isso queria dizer: quero que você fique fraco. Que você
seja tão fraco quanto eu.




















Nos sonhos, não havia nada a decifrar. A acusação que faziam a
Tomas era tão evidente que ele era forçado a calar-se e a
acariciar, cabisbaixo, a mão de Tereza.
Esses sonhos eram eloqüentes, mas, além disso, eram belos.
Esse é um aspecto que escapou a Freud na sua teoria dos sonhos.
O sonho não é apenas uma comunicação (às vezes uma
comunicação codificada), é também uma atividade estética, um
jogo da imaginação, e esse jogo tem em si mesmo um valor. O
sonho é a prova de que imaginar, sonhar com aquilo que nunca
aconteceu. é uma das mais profundas necessidades do homem.
Eis aí a razão do pérfido perigo que se esconde no sonho. Se não
fosse belo, o sonho poderia ser rapidamente esquecido. Mas ela
voltava incessantemente a seus sonhos; repetia-os em
pensamento, transformando-os em histórias fantásticas. Tomas
vivia sob o encanto hipnótico da beleza angustiante dos sonhos
de Tereza.

- Tereza, querida Tereza, parece que você se afasta de mim.
Aonde quer ir? Todos os dias você sonha com a morte, como se
realmente quisesse partir...
disse-lhe um dia, à mesa de um
bar.
A luz do dia, a razão e a vontade retomavam o comando.
Olhava para ele com amor, mas temia a noite que ia chegar,
tinha medo de seus sonhos. Sua vida partira-se em duas.

A noite e o dia disputavam o poder sobre ela.

Mentira!

Posted on 09:52 In:



















mentira s. f.
primeira pessoa sing. pret. m.-q.-perf. ind. de mentir

terceira pessoa sing. pret. m.-q.-perf. ind. de mentir

1. Ato de mentir.
2. Engano propositado. = falsidade
4. Aquilo que engana ou ilude. = fantasia, ilusão
mentir


v. intr.
1. Dizer o que não é verdade.
3. Enganar.
4. Falhar.
5. Faltar.
6. Não cumprir o prometido ou o que era de esperar.




A melhor punição do mentiroso é não se crer nele nunca mais.

Perdoar

Posted on 11:28 In:




























Por que é tão difícil perdoar?
Porque sempre que tentamos fazer algo verdadeiro através do perdão, nos vimos pisados, de novo e de novo, até não acreditarmos mais numa forma de sentimento que nos subjuga sempre pra baixo.
Abaixo do outro que na verdade é quem deveria se envergonhar e lutar pela reconquista da confiança que foi fragilizada.
A ordem de tudo anda invertida ultimamente, estamos numa sociedade onde é heróico usar as pessoas, tirar vantagem ou fazer qualquer coisa para sair "por cima", não importa a forma.
Vemos todos os dias que os fins justificam os meios e temos que ser cada vez mais egoístas para se encaixar dentro dos "padões".
Porém, numa sociedade doente, se encaixar nos padrões e ser "normal" não significa ser realmente verdadeiro, não com os outros, além disso, consigo mesmo.
Ver além não é seguir conceitos pré-formados, por mais errado que possa parecer.
Voltando ao perdão, ao contrário do que dizem, não o acho um sentimento heróico, mas é cultural não é mesmo?
Pior, é bíblico.
Não vai ser hoje, nem amanhã que um pedaço de papel cheio de belas histórias míticas como também de erros e preconceitos hediondos vai me fazer mudar de ideia.
As experiências valem mais do que deduções e especulações, como já dizia Locke.
Não é que o perdão não exista, não ouso dizer isso.
Tal sentimento tornou-se prostituído, caracterizado sempre por quem é bonzinho, "puro de coração" e outros adjetivos que os contos adoram empregar.
Na verdade o perdão existe, só não é tão belo e ameno.
Deve ser usado? Sim, mas de forma inteligente.
Pena que inteligência emocional foi associada a pessoas frias e calculistas.
Bem, é só pensar um pouco... Elas não saem tão pisadas, no final.

Viajantes na Chuva

Posted on 20:00 In:




























Uma vez conheci um viajante num café.

Ao deixar este lugar,
Ele escreveu que podia ter ido embora, mas que nunca me deixaria.
Mas, um dia, o viajante começou a me deixar... Aos poucos.

Eu tentei dizer...
Tentei lhe explicar que o que está escrito tem um significado muito maior do que o que é falado - e que era por isso que eu escrevia -.

O viajante se enfureceu porque eu li suas palavras secretas.

Só não sabia que foram as palavras mais belas que eu já havia lido em toda a minha vida.
E ao perceber que eram pra mim, e tomá-las - sem ter o direito - como um presente desviado pelo acaso, me senti por um momento a mais amada das criaturas daquela estrada.





























Copo de conhaque barato na mão.
A viagem não é demorada mais, foi suprida pela ânsia de ir, de fugir, se elevar daquilo tudo que ficou pra trás na estrada.
Deixei você na estrada hoje também.
Pudera eu, deixar junto de ti toda a ira que despejou em cima de mim e cada ferida encravada abafada pela desculpa de lembranças doídas de quem já se foi.
A morte dói, e é usada como refugio de problemas dos vivos.
Tecidos se rompem.
Sonhos se rompem.
Ao contrário do que diz, não há nada de belo em tudo isso. Também não há nada de horrível.
A verdade é que não há absolutamente nada.
E como vi hoje, o Nada pode ser pior do que o Tudo. Pois o Tudo preenche, dissumula e aquieta com a mentira. Já o Nada, escancara a falta. É direto, assim como a sua vingança.
Durma bem, minhas lembranças ainda são belas.
As lembranças sempre são, pois é tudo que podem guardar.
Porém, hoje a noite não sinto vontade de suprir sua falta.
Tudo que eu quero essa noite é o velho quarto, a velha casa e nossa velha vida sem perspectivas individuais. Por um momento, tudo foi só nós dois.
Durma bem,
Durma bem.


Teoria dos Muitos Mundos

Posted on 12:19 In:

















(...)

Pode parecer estranho, mas a interpretação dos Muitos Mundos de Everett tem implicações além do nível quântico. Se uma ação tem mais de um resultado possível, então - se a teoria de Everett estiver certa - o universo se quebra quando aquela ação é tomada, o que continua sendo verdade, mesmo quando a pessoa decide não tomar uma atitude.

Isso significa que se você já esteve em uma situação onde a morte era um dos possíveis desfechos, então, em um universo paralelo ao nosso, você está morto. Esse é apenas um dos motivos que faz algumas pessoas acharem a interpretação dos Muitos Mundos perturbadora.

Outro conceito perturbador da interpretação dos Muitos Mundos é que ela mina nosso conceito linear de tempo. Imagine uma linha do tempo mostrando a história da Guerra do Vietnã. Em vez de uma linha reta mostrando acontecimentos notáveis progredindo adiante, uma linha do tempo baseada na interpretação dos Muitos Mundos mostraria cada possível desfecho de cada ação tomada. Daí, cada possível desfecho das ações tomadas (como resultado do desfecho original) também seria registrado.

Uma pessoa, porém, não pode ter consciência de suas outras personalidades - ou até mesmo de sua morte - que existem nos universos paralelos. Então, como saberemos se a teoria dos Muitos Mundos está certa? A certeza de que a interpretação é teoricamente possível veio no fim dos anos 90, com a experiência mental - uma experiência imaginada, usada para provar ou desmentir teoricamente uma idéia - chamada suicídio quântico.





























O mito do eterno retorno diz‑nos, pela negativa, que esta vida, que há‑de desaparecer de uma vez por todas para nunca mais voltar, é semelhante a uma sombra, é desprovida de peso, que, de hoje em diante e para todo o sempre, se encontra morta e que, por muito atroz, por muito bela, por muito esplêndida que seja, essa beleza, esse horror, esse esplendor não têm qualquer sentido.
(...)
Se a Revolução Francesa se repetisse eternamente, a historiografia francesa orgulhar‑se‑ia com certeza menos do seu Robespierre. Mas, como se refere a algo que nunca mais voltará, esses anos sangrentos reduzem‑se hoje apenas a palavras, teorias, discussões, mais leves do que penas, algo que já não aterroriza ninguém. Há uma enorme diferença entre um Robespierre que apareceu uma única vez na história e um Robespierre que eternamente voltasse para cortar a cabeça aos franceses.

A idéia do eterno retorno designa uma perspectiva em que as coisas não nos aparecem como é costume, porque nos aparecem sem a circunstância atenuante da sua fugacidade. Essa circunstância atenuante impede‑nos, com efeito, de pronunciar um veredicto. Poderá condenar‑se o que é efêmero? As nuvens alaranjadas do poente iluminam tudo com o encanto da nostalgia; mesmo a guilhotina.

Não há muito, eu próprio me defrontei com o fato: parece incrível mas, ao folhear um livro sobre Hitler, comovi‑me com algumas das suas fotografias; faziam‑me lembrar a minha infância passada durante a guerra; diversas pessoas da minha família morreram nos campos de concentração dos nazistas, mas o que eram essas mortes comparadas com uma fotografia de Hitler que me fazia lembrar um tempo perdido da minha vida, um tempo que nunca mais há‑de voltar?

Esta minha reconciliação com Hitler deixa entrever a profunda perversão inerente ao mundo fundado essencialmente sobre a inexistência de retorno, porque nesse mundo tudo se encontra previamente perdoado e tudo é, portanto, cinicamente permitido.

***

A idéia do eterno retorno me faz lembrar da teoria física dos Muitos Mundos, que não tem muito haver com a primeira, mas traz uma analogia muito interessante de repetições, porem repetições diferenciadas, ao contrario da Idéia do Eterno Retorno.

Embora muito sábia a passagem do autor sobre Hitler, penso que a idéia de uma reconciliação não possa ser maior que a mágoa pelo que foi perdido, sendo portanto exageradamente efêmera demais, se encaixando perfeitamente nas teorias de Nietzsche do eterno retorno. O eterno retorno pede reconciliação e ao mesmo tempo uma sensibilidade um tanto fria.
































E que realmente exista fora das novelas imbecis da rede globo, por favor.

Razão e Sensibilidade

Posted on 16:42 In:





























Download do Livro

Download do Filme RMV + Legenda

Download do Filme Torrent + Legenda


Domingo passado, eu estava precisando muito de algo que me fizesse deslocar a atenção das saudades que eu sentia, e como de costume resolvi ver um filme. Assisti a "Razão e Sensibilidade". Confesso que já li dois livros da escritora Jane Austen, no qual o filme foi baseado e gosto muito dos seus romances, isso ajuda bastante quando se junta com o meu fascínio por História (Jane 1775-1817), pois são livros que retratam perfeitamente os costumes da sociedade daquela época.
Enfim, sou suspeita pois sou fã de carteirinha de "Orgulho e Preconceito" seu livro de maior sucesso que também virou filme.
Razão e Sensibilidade apesar de um título bobo e ouso dizer que até romântico ao extremo, conta a história de duas irmãs, Marianne e Elinor Dashwood, uma com as emoções muito contidas e que pensa demais, raciocina demais e age de maneira prática e sempre correta em tudo que faz (razão). E outra que não tem medo de expressar seus sentimentos, desejos e anseios. Sempre age segundo seus instintos sem se importar com a opinião/conceito de terceiros (sensibilidade).
O interessante da história é mostrar que apesar de todos nós sermos mais inclinados para razão ou para sensibilidade (concordo mais em trocar sensibilidade por emoção), precisamos procurar o equilíbrio em tudo que vivemos, pois tudo que é extremo é demais, sobra. Parece clichê, mas penso que na prática se aplica muito bem e é interessante a forma que o filme retrata tudo isso dentro dos costumes tradicionais da Inglaterra naquela época.
Mas nem por isso penso que é errado ser extremo, faz parte da essência da personalidade de cada um de nós.
E você, está mais pra Razão ou pra Sensibilidade?

Sorriso de Mona Lisa

Posted on 15:46 In:



















Hoje eu estou feliz, e quero passar até o fim do meu dia feliz.
Pode ser que amanhã dê tudo errado, que o motivo da minha felicidade de hoje até não se realize, mas eu estou feliz em pensar que tudo pode dar certo.
Estou feliz porque é uma felicidade própria, pessoal, eu conquistei sozinha e só tenho a mim pra gozar plenamente dela, e isso só me faz crescer e sentir que eu posso sim, porque não?
E de quê importam os outros?

O olhar alheio pode ser pior que se torturar pelo que não aconteceu, portanto, só digo que essa noite eu sou a pessoa mais feliz desse mundo e guardo tal segredo pra usufruir sozinha lentamente com um orgulho inimaginável, cada pequeno e próspero sabor.

















"Não se conhece bem um homem que nunca deixou a barba crescer.
Digo isto sem preconceitos, porque não mais pertenço a confraria dos barbados. Mas estou convencido de que se conhece mal um homem que nunca deixou irromper na floresta de seu rosto, o outro, o selvagem, o agente adormecido, o hirsuto...
Há mulheres que, tendo conhecido a sabedoria erótica da barba nos lençois do dia, nunca mais se contentarão com a banalidade barbeada de outros amores...
Indizível prazer é esse de confiar a barba. Inconsciente. Ritualisticamente. Enquanto se lê, enquanto se aguarda o outro dizer uma frase estúrdia, enquanto se toma um vinho ou se afaga o cão junto a lareira, e fechando, bem dizia Walmor Chagas outra noite num jantar quando se discutia a metafísica da barba: a barba é uma máscara como no teatro; é outro em nós, um modo de o personagem se experimentar em cena..."