Na noite passada fui questionada sobre o significado das memórias encrustadas de sensações antigas, sentimentos passados que nós assustam tanto mas que desejamos mais do que tudo possuir novamente.
O que significa essa falta de sentimentos que dura tanto, que nós persegue de maneira miserável mas que pode, facilmente, se acabar de uma hora pra outra?
Nunca foi capaz de ser gradual, não comigo. Ou é sim ou é não, nunca há o que aprender.
Está entre o momento em que saímos por uma porta, despreocupados, e o breve retorno, sim o retorno é tão diferente. Há toda uma bagagem de sentimentos e reviravoltas que voltam e estão intimante ligadas a esse breve momento do retorno.
A pequena menina me confessou que sentia falta de olhos brilhantes mas que, no fundo, era melhor assim estaria fora do mundo por um tempo.
Também sempre acreditei nisso por muito tempo, confesso, mas lhe disse que há muito o que conhecer e que há pouco me descobri extasiada por um novo saber.
Não sente medo? - me perguntou. O que será se tudo der errado? Como ficará se todos se forem de uma vez por todas? Não tem medo de ficar sozinha?
Respondi-lhe que não mais, que cair mil vezes me fará melhor do que a estagnação.
Ela sorriu e disse que quando sentisse medo era nisso que ia pensar, despediu-se "Te ligo amanhã". Não ligou.
O silêncio das pessoas é algo que sempre me inquietou, mas o meu próprio consegue ser mais desconfortante. Sempre tive receio de procurar as pessoas e não ter o mesmo retorno, sempre.
Olhei o celular em busca de alguma mensagem ou chamada perdida durante toda a semana.
A pequena um dia volta com novas perguntas, eu sei. Eu espero.