


Mas, um dia, o viajante começou a me deixar... Aos poucos.
O viajante se enfureceu porque eu li suas palavras secretas.
Um conhaque e um inverno passado, por favor.


(...)
Pode parecer estranho, mas a interpretação dos Muitos Mundos de Everett tem implicações além do nível quântico. Se uma ação tem mais de um resultado possível, então - se a teoria de Everett estiver certa - o universo se quebra quando aquela ação é tomada, o que continua sendo verdade, mesmo quando a pessoa decide não tomar uma atitude.
Isso significa que se você já esteve em uma situação onde a morte era um dos possíveis desfechos, então, em um universo paralelo ao nosso, você está morto. Esse é apenas um dos motivos que faz algumas pessoas acharem a interpretação dos Muitos Mundos perturbadora.
Outro conceito perturbador da interpretação dos Muitos Mundos é que ela mina nosso conceito linear de tempo. Imagine uma linha do tempo mostrando a história da Guerra do Vietnã. Em vez de uma linha reta mostrando acontecimentos notáveis progredindo adiante, uma linha do tempo baseada na interpretação dos Muitos Mundos mostraria cada possível desfecho de cada ação tomada. Daí, cada possível desfecho das ações tomadas (como resultado do desfecho original) também seria registrado.
Uma pessoa, porém, não pode ter consciência de suas outras personalidades - ou até mesmo de sua morte - que existem nos universos paralelos. Então, como saberemos se a teoria dos Muitos Mundos está certa? A certeza de que a interpretação é teoricamente possível veio no fim dos anos 90, com a experiência mental - uma experiência imaginada, usada para provar ou desmentir teoricamente uma idéia - chamada suicídio quântico.
Eterno Retorno

“O mito do eterno retorno diz‑nos, pela negativa, que esta vida, que há‑de desaparecer de uma vez por todas para nunca mais voltar, é semelhante a uma sombra, é desprovida de peso, que, de hoje em diante e para todo o sempre, se encontra morta e que, por muito atroz, por muito bela, por muito esplêndida que seja, essa beleza, esse horror, esse esplendor não têm qualquer sentido.
Não há muito, eu próprio me defrontei com o fato: parece incrível mas, ao folhear um livro sobre Hitler, comovi‑me com algumas das suas fotografias; faziam‑me lembrar a minha infância passada durante a guerra; diversas pessoas da minha família morreram nos campos de concentração dos nazistas, mas o que eram essas mortes comparadas com uma fotografia de Hitler que me fazia lembrar um tempo perdido da minha vida, um tempo que nunca mais há‑de voltar?
Esta minha reconciliação com Hitler deixa entrever a profunda perversão inerente ao mundo fundado essencialmente sobre a inexistência de retorno, porque nesse mundo tudo se encontra previamente perdoado e tudo é, portanto, cinicamente permitido.”
***
A idéia do eterno retorno me faz lembrar da teoria física dos Muitos Mundos, que não tem muito haver com a primeira, mas traz uma analogia muito interessante de repetições, porem repetições diferenciadas, ao contrario da Idéia do Eterno Retorno.
Embora muito sábia a passagem do autor sobre Hitler, penso que a idéia de uma reconciliação não possa ser maior que a mágoa pelo que foi perdido, sendo portanto exageradamente efêmera demais, se encaixando perfeitamente nas teorias de Nietzsche do eterno retorno. O eterno retorno pede reconciliação e ao mesmo tempo uma sensibilidade um tanto fria.

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Domingo passado, eu estava precisando muito de algo que me fizesse deslocar a atenção das saudades que eu sentia, e como de costume resolvi ver um filme. Assisti a "Razão e Sensibilidade". Confesso que já li dois livros da escritora Jane Austen, no qual o filme foi baseado e gosto muito dos seus romances, isso ajuda bastante quando se junta com o meu fascínio por História (Jane 1775-1817), pois são livros que retratam perfeitamente os costumes da sociedade daquela época.
Enfim, sou suspeita pois sou fã de carteirinha de "Orgulho e Preconceito" seu livro de maior sucesso que também virou filme.
Razão e Sensibilidade apesar de um título bobo e ouso dizer que até romântico ao extremo, conta a história de duas irmãs, Marianne e Elinor Dashwood, uma com as emoções muito contidas e que pensa demais, raciocina demais e age de maneira prática e sempre correta em tudo que faz (razão). E outra que não tem medo de expressar seus sentimentos, desejos e anseios. Sempre age segundo seus instintos sem se importar com a opinião/conceito de terceiros (sensibilidade).
O interessante da história é mostrar que apesar de todos nós sermos mais inclinados para razão ou para sensibilidade (concordo mais em trocar sensibilidade por emoção), precisamos procurar o equilíbrio em tudo que vivemos, pois tudo que é extremo é demais, sobra. Parece clichê, mas penso que na prática se aplica muito bem e é interessante a forma que o filme retrata tudo isso dentro dos costumes tradicionais da Inglaterra naquela época.

"Não se conhece bem um homem que nunca deixou a barba crescer.
Digo isto sem preconceitos, porque não mais pertenço a confraria dos barbados. Mas estou convencido de que se conhece mal um homem que nunca deixou irromper na floresta de seu rosto, o outro, o selvagem, o agente adormecido, o hirsuto...
Há mulheres que, tendo conhecido a sabedoria erótica da barba nos lençois do dia, nunca mais se contentarão com a banalidade barbeada de outros amores...
Indizível prazer é esse de confiar a barba. Inconsciente. Ritualisticamente. Enquanto se lê, enquanto se aguarda o outro dizer uma frase estúrdia, enquanto se toma um vinho ou se afaga o cão junto a lareira, e fechando, bem dizia Walmor Chagas outra noite num jantar quando se discutia a metafísica da barba: a barba é uma máscara como no teatro; é outro em nós, um modo de o personagem se experimentar em cena..."

Helena surge caminhando lentamente
Ajoelha-se na tumba de Ulisses
Era um início fácil
Desprovido de "Quês"
Ulisses está morto
Já se passaram anos
Ou será que é ela
Quem permanece morta para ele?
Todavia,
Quem pressiona a tumba?
Quem mantém as escrituras reais?
Ela
Amavelmente sussurra:
"Permaneça morto, meu amor."

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Não sou de seu direito ou posse.
Não sou sua boneca, seu objeto de vidro inestimável.
Eu estou livre, eu tenho sonhos e por enquanto eu ainda sinto.
Eu nunca me senti presa com você, e isso sempre me fez te amar cada vez mais... mas hoje eu pude perceber que você, no seu vago silêncio, começa a me afogar.
Me mantém no escuro, "sem rumo e entre seres vazios".

"Algumas coisas só precisam ser realizadas, a breve sensação de realização, do inesperado e até do mistíco impenetrável."
Foi o que Lúcio me disse depois de tomar mais da metade da cartela de um remédio que ele nem fazia idéia do que era. Só sabia que era sua, sua vida, sua impenetrável vida. E ele fazia dela o que bem entender.
O quarto estava todo quebrado, o porta retrato amassado de tantas reviravoltas de sentimentos com os presentes na foto. Quebrado, remendado, quebrado, remendado... já virara rotina.
Mas será que assim como o porta retrato, seus pensamentos frustrantes e falhos de morrer caíriam também na sua fúnebre rotina?
Felizmente, ou talvez não, o remédio não fez efeito algum, além de uma forte dor de estômago e insônia.
Talvez, algo o fez ficar. Talvez ele devesse viver. Mas não consigo lhe responder o porquê, e cada vez que eu vejo seus olhos desesperados me perguntando, me questionando, procurando a solução nos meus... me sinto a pior das criaturas do mundo.
Porque alguém merece tais sentimentos?
Eu disse que não posso colar os cacos de vidro do seu espelho, nem posso lhe livrar dos pensamentos mórbidos... frequentes.
Mas o que me faz pensar que sou tão diferente assim dele? O que o fez pensar que é tão diferente de mim? Será que em cada um de nós existe um Lúcio que um dia chega no fundo do poço e no outro retorna? Mas e o que acontece com pessoas como Lúcio que caem nesse poço e sinplesmente não conseguem retornam?













