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About a Girl

Minha foto
"Nasci em 1992, no interior do estado. A dança-teatro e o cinema formaram meu primeiro imaginário: a palavra vinha como complemento das imagens. Quando descobri os livros, bem cedo, aceitei-os apenas como o lugar das palavras e das idéias, vendo as imagens a que remetiam ou sugeriam, como fantasmas imponderáveis e sem substância, descabidos, impróprios para aquele tipo de veículo. Quando me pedem que fale de mim mesma, sinto o incômodo, pergunto: que imagem devo projetar? Tenho tantas. Acho que a melhor para o caso é a que passo nos próprios posts, de alguém que escreve mas não acredita nos fantasmas das palavras, embora eles sejam inevitáveis. E a melhor forma de conviver sem temor com essas fantasias é jogar com elas, torná-las risíveis, desautorizá-las, de modo a evitar o poder técnico abusivo que tem quem escreve, para iludir o leitor."

Aos destinatários destas palavras

"Pra dilatarmos a alma
Temos que nos desfazer
Pra nos tornarmos imortais
A gente tem que aprender a morrer
Com tudo aquilo que fomos
E tudo aquilo que somos nós"


O Teatro Mágico

Quem lê

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A minha resposta pra você

Posted on 00:03

Como expressar em palavras essa sensação que percorre todo o meu corpo?
Como entrar para o grande clube dos que construíram através das palavras a história do amor?
Posso dizer que ao lê-lo padeci da mais estranha mistura de sentimentos, de modo que não sabia se devia rir ou chorar. A escassez de minhas reações estremeceram meus lábios, buscando palavras que quase nunca ousei usar: alma, fé, paixão, fidelidade e por fim amor.
Reconheci o amor, límpido, sábio, desprotegido. Aconchegado, confiante que o tomaria como meu, cuidando e protegendo-o, fazendo o que entendesse de melhor.
E fiz. Farei, trouxe a meu coração a missão de protegê-lo como leoa, de ver em seus olhos um fragmento do sentimento que invade meu peito neste momento.
E assim, como a mais feliz das mulheres, acolhi seu amor.


Número Três

Posted on 23:11




























Não foi só a cópia de uma chave,
Não foi só seu paletó em meus ombros.
Foram os braços, entrelaçando-se na valsa do filme.
Foi o beijo na testa e o "minha menina".

Pequenas palavras insignificantes, agora se alteram apertando os olhos e o coração.
Corações de fênix, decidiram tornar-se um só através dos escritos.
Distorcendo as letras, os sons e a responsabilidade para a droga.
Oscilando na linha tênue da sanidade, adoecendo, voltando à droga.

Por três vezes pecou,
Por três vezes amou,
Por três vezes morreu e das cinzas voltou.



Reflexo azul

Posted on 07:21

Minha "injeção de ânimo", como costumo me referir ao falar com eles, tem sido substituída. Embora a pílula roxa tenha sido estendida não é dela, materialmente falando, que vem a teia que me estende da cama com sutileza.
Todos os longos olhares e batalhas travadas só podem suspirar em jubilo pela imensidão azul que já não vejo mais. Encontrei de novo uma e estou lutando todos os dias para ser dela minha salvação.
Que as faces distorcidas permaneçam, mas silenciadas pelo barulho do diafragma e concretas apenas no plano de fundo da imagem.


Look what you've done

Posted on 14:18



















Sinto-me tênue, vaga, diluída, desumana, sem fibra e a perder tempo com bagatelas que afetam não só a mim, mas a todos que amo.
Por que machuco as pessoas que amo? Por que as iludo dizendo o que querem ouvir? Por que as traio?
Qual o intuito dessa necessidade de permanecer sempre em fuga?
Na verdade, eu me sinto tão trágica e calculista que ando escondendo meus impulsos até mesmo dos especialistas que se pactuaram em me ajudar...  E, meu Deus, como me sinto a mais ruim das pessoas e com um incontrolável e assustador sentimento de permanecer sempre assim... Na Busca por algo, incessantemente buscando algo.
O quê? Não sei dizer ainda... Seria esse o meu kitsh? O meu monstro? Temo ser ele a minha destruição e a dele. Ninguém é capaz de suportar tanto, não importa o quanto ame.
Tenho consciência de ser o elo fraco e invasivo que sempre o testa, estremecendo-o até o último pingo dos nervos.
A minha busca é desumana e egoísta e ele é o néctar da bondade da natureza dos homens. Como eu gostaria de ser como ele. Como eu gostaria de ser como ele por ele.
Não duvido que amo;
Não duvide que amo;
Ele não duvida, eu sei.
Então a quem devo culpar? Ao kitsh? As pragas em meus livros? A arte que se foi? Ao transtorno?
Suporto tudo da minha auto destruição, menos rotular minhas ações pela medicina.
O silêncio.
Os ouvidos que não desejam mais ouvir nenhum tipo de conselho.
O sinal da própria perdição.
Mas é inacreditável como é capaz de deitar a cabeça no travesseiro a noite, fechar os olhos e simplesmente adormecer.
Ter a consciência da minha desgraça é o que me dá esperanças de mudar. Me agarrar que aprenderei a suportar a mudança sem a fuga, pela primeira vez na vida.
Por ele, por mim, por nós.

Posted on 06:55


















"E puseram-se a conversar como velhos companheiros, o que não deixava de ser estranho, pois conhecera-o uma hora atrás, comentou ela como talvez todas as mulheres costumassem fazer. Acaso não eram cúmplices, ambos buscando algo por trás dos rostos secretos? Depois de confessar isso, ela fez uma pausa e, como as mulheres sempre faziam, ponderou se seria correto falarem tão abertamente um com o outro. E acrescentou:
- Talvez porque nunca nos vimos antes e nunca nos veremos mais.
[...]
Não poderiam ter dito naquele momento, em que ponta se achavam, pois essa aleia era tão lisa como um anel de ouro. Mas os gregos, ou seja, Platão e Sófocles e os demais, eram íntimos deles, tão íntimos quanto qualquer amigo ou um amante, e respiravam aquele mesmo ar que beijava as faces e vinha, só que eles, como jovens que eram, ainda impeliam à frente e questionavam o futuro."

Virginia Woolf

Uma faixa de passeio sobre um abismo

Posted on 20:52





























Porque será a vida tão trágica?, tão semelhante a uma pequena faixa de passeio sobre um abismo. Olho para baixo; sinto vertigens; não sei se vou conseguir caminhar até ao fim. Mas porque sentirei eu isto? Agora que o digo já não o sinto. Tenho a lareira acesa, vamos à Beggar’s Opera. Só que isto paira em mim; não posso fechar os olhos a isto. É uma sensação de impotência: a sensação de não estar a realizar nada. Aqui estou eu, em Richmond, e, como uma lanterna no meio de um campo, a minha luz esfuma-se na escuridão. A melancolia diminui à medida que vou escrevendo. Então porque não escrevo eu mais vezes sobre isto? Bom, a vaidade proíbe-mo. Quero ser um êxito até aos meus próprios olhos. Contudo, este não é o fulcro da questão. É que não tenho filhos, vivo afastada dos amigos, não consigo escrever bem, gasto muito dinheiro em comida, envelheço – dou demasiada importância aos quês e porquês; dou demasiada importância a mim mesma. Não gosto que o tempo esmoreça. Se assim é, então trabalha. Pois é, mas o trabalho cansa-me logo – só posso ler um bocadinho, uma hora a escrever e já não posso mais. Ninguém vem para aqui entreter-se um bocado. Se isso acontece, zango-me. Ir a Londres é um esforço enorme. Os filhos da Nessa crescem e não posso tê-los cá para o lanche, nem levá-los ao Jardim Zoológico. O dinheiro para os meus alfinetes não dá para muito. Contudo, tenho a certeza de que estas coisas são triviais: é a própria vida, penso eu por vezes, que é assim tão trágica para esta nossa geração – não há um cabeçalho de jornal que não tenha um grito de agonia de alguém. Esta tarde foi o MeSwiney, e a violência na Irlanda; ou então é uma greve. Há infelicidade em todo o lado; está mesmo atrás da porta; ou há estupidez, o que é pior. Mesmo assim, não consigo arrancar este espinho. Sinto que voltar a escrever o Jacob’s Room me vai fazer recuperar a fibra. Acabei o Evelyn: mas não gosto do que escrevo agora. E apesar de tudo isto como sou feliz – se não fosse esta sensação de haver uma faixa de passeio sobre um abismo.


Virginia Woolf

Rasga-os da mente se souberes de cór

Posted on 20:34
"Que tempos difíceis eram aqueles: ter a vontade e a necessidade de viver, mas não a habilidade."
É assim que me sinto hoje. Hoje eu não podia adiar a escrita, o trabalho, o estudo, os códigos e as responsabilidades censuram a melancolia.
Isso parece bom, parece simples acumular trezentas e sete tarefas para esquecer. Apagam-se as leis, fecham-se as bocas e dos murmúrios não escuto mais, o coração também se afasta... e como é bom não ter coração.No esconderijo do sol começa a crescer o inimigo. É hora de descansar da exaustão da mente, do corpo, dos olhos. A mente, no entanto, cospe injúrias, esquece de esquecer. 
Nos relapsos de lembranças, no silêncio das calçadas, me vem tudo que me dói, tudo que corrói. A dificuldade de se relacionar com as pessoas e a facilidade para seduções baratas, a incapacidade de planejamento e organização, a impotência e o sentimento de intelecto inferior, as reviravoltas do amor/humor e a angustia... angustia mansa que chega devagar sem se notar, angustia braba que se dá com um baque e envergonha. 
No entanto, tudo que tenho feito é deixar a angustia de lado, tentar desconsiderá-la como um livro esquecido na estante. Ignorá-la e torná-la até mesmo risível depois de algum tempo... Mas minha grande inimiga se recusa a ser tratada simplesmente como uma pessoa que é preciso deixar por aí, nas estantes da vida. O seu grande problema é estar entranhada, funda e segura de sua permanência. Tentar combatê-la com meio internos, químicos, neurológicos é uma maneira de tentar vetar algumas das consequências de seus sintomas. Sei que domar os sintomas físicos de maneira externa só vai adiar ainda mais o que está claro toda noite em meus sonhos. São tantos símbolos travando guerras ilegíveis dentro de mim, procuro lê-las mas são tão difusas, paralelas... Ignoro-as, não escrevendo. Censuro-as através do corpo, das fobias, do pânico. 
E no mais, meu problema é sempre o medo. Tenho um medo aterrorizante e constante, das pessoas, da exposição, da rua, da cobrança do trabalho e do sentimento de impotência nos estudos. Tenho medo, acima de tudo, de não ter o apoio dele ao meu lado, ou pior, dos dias em que suas ações me repelem, censuram a angustia e fazem eu me trancafiar cada vez mais nesse meu mundinho do país das maravilhas, que das maravilhas só tem o nome e literatura.  



"Rasga,
Rasga-os da mente se souberes de cór."

Florbela Espanca




Desvendar o Azul

Posted on 19:54 In:






























Não há mais mentiras nem verdades aqui,
A medida que escrevo, o leão se doma.
Mistura sol, leite e lítio. Toma.

Permaneço convencida que é preciso persistir, continuar gritando,
Mesmo que se trate de uma voz pregando em desertos.
É preciso continuar escrevendo,
Por você, por mim, por Chico.
Ainda busco-o sabia? Minha Alemanha.
Busco toda a alegria das cirandas de sábado.

No entanto, os ombros doem, os olhos ardem...
Faço-os pararem, sufocam, invadem.
Tragam-me o azul, desvendem o azul!

Por que me priva do meu único pedido, déspota?
Das minhas artes, pouco vinho resta.
A fina gaze diáfana do vermelho desbotado.
Tiraram-me do palco; "não vês como é manchado, barateado?"
A balança pesa, a espada dói, me vendaram...
Deus, me vendaram do meu azul.



Nicky Morris era jovem - aos 31 anos, era até mais jovem do que dois ou três alunos da seção. Vestia-se como nós. Até falava em tom coloquial - dizia "coisa", "esse negócio", "sabem como é". E além da afinidade de maneiras, havia uma aliança mais sutil entre Morris e a turma. Desde o início ficou óbvio que Nicky era um forasteiro na HLS*, como nós éramos recém-chegados. Ele criticava abertamente a faculdade de direito e a instrução jurídica geral.
- Terão um poder enorme para fazer coisas terríveis quando concluírem o curso - disse ele - Ao começarem a exercer a advocacia, ficarão chocados com as incríveis oportunidades que encontrarão para arrasar com as vidas de outras pessoas. Isso não tem nada de engraçado, embora a maioria dos professores de direito, por algum motivo, não goste de falar sobre a capacidade destrutiva que todos vocês terão como advogados. Espero que possamos conversar a respeito aqui e espero também que falemos sobre algumas das coisas boas que serão capazes de fazer, as quais, infelizmente, são um pouco mais difíceis de realizar.

*Harvard Law School




















Um tumulo, aquele quarto; nossos sofrimentos e temores sepultados em ruínas.
Impossível a ressurreição.
Não me viriam pensamentos amargos, quando em minhas horas de insonia evocasse novamente aquele quarto no segundo andar.
Pensaria nas paredes e em como, entre elas, fui feliz.
Teria recordações do jardim, das rosas no estio do vizinho, dos pássaros e do coral a cantar pela manha.
Do chá sob a sombra do castanheiro emoldurando as paredes, do murmurio dos seus dedos encontrando-se com os meus pela noite.

O luar tem grande influencia sob a imaginação, mesmo a imaginação de quem começa a se desfazer de um sonho.
E ali, queda e silenciosa, eu jurara não ser a minha própria casa, recheada dos seus passos e cachos morenos, uma concha morta, mas um ser que respirara, palpitando vida como outrora.

Meu coracao palpita acelerado; um ardor nos olhos impede-me as lagrimas.
É preciso prometer que o tempo não quebrara a perfeita simetria do que fora,
Mas hei de abrir as mãos, e tirar do concavo minha joia mais preciosa
Para lançar-me ao infinito em busca de outras que virão

Allure

Posted on 18:18 In:




















E aquele Channel que ele me deu, permanece marcando a poeira no canto da estante
Que do desejo, nem seu caro aroma foi capaz de despertar
Do deslizar da escova nos fios, vermelhos, compridos... sera que assim, era como você os queria? Ou haveria eu de cessar a comparação aos outros tons?
Nada que em mim vive parece com seu ideal
Tudo que em mim jaz apodrece em tuas mãos
Meu corpo jovem, magro... ainda é o que você quer? de súbito, humildemente me vi a mais comum das mulheres
Da hera que cobre o jardim, surgem outras, diferentes. Talvez no começo não fossem melhores, talvez de fato, ainda não o sejam, mas o diferente se tornou uma opção melhor que o ordinário.
Vejo-o a todo instante nos olhos das amizades que o cercam, a origem das tumbas e dos históricos das noites em que você nao me quer.

A mente derrete meu moço, é o medo.
Que desse segredo, doentio de discórdia, não sabe mais fantasiar.
Ouso dizer que foi advindo do seu plantio, que o roseiral tornou-se deserto,
Encoberto, inseguro. Acanhado em outros lençóis.

Das minhas oito patas

Posted on 20:40 In:




























Em luas como essa, são eles, somente eles, que me mantém quando já não há nada.
Quando todos do lugar externo conseguem o pretendido, quando já não há mais o que sugar.
Desta marcha torta, carrego nos pés grandes olhos peludos, desvencilhando-me da última página virada...
Vai chegar, paciência, é tudo que vós digo. Sua jornada torta só acabou de começar.
Dentre objetos caídos, arranhados e sujos cresce o amor da menina, não mais tão desalmada.
Enfeitiçada, ouso dizer, pelas oito patas que sujaram o quarto florido.
Logo quando despertou Aurora, frágil com o vestido azul, bordado de madrugada.

Marina

Posted on 20:24 In:



















“Quando entro numa crise, o que mais me incomoda é a sensação de não existir. É como se não houvesse motivos pra eu viver. Um vazio, uma angústia. Nada ao meu redor parece ter cor. Tudo é cinza. Sinto as coisas em câmera lenta.
No entanto, meus pensamentos ficam exageradamente rápidos. Sinto uma grande ansiedade, uma incômoda agitação interna. Minha mente fica tão acelerada que, depois do fim da crise, sobra uma grande confusão mental. Algumas vezes, chego a esquecer das situações que passei. Em outras, não consigo identificar se aquilo aconteceu ou se foi um sonho. Mesmo a noção de tempo parece confusa. É como se estivesse em queda livre, num buraco escuro, frio, úmido, sem fim, com muitas imagens passando pelos meus olhos e vozes e sons, vários, zumbindo nos meus ouvidos sem parar. Procuro evitar aquela avalanche de informação, agarrar-me em alguma coisa. Mas não consigo encontrar nada para me amparar. Fico verbalmente agressiva, irritada com qualquer um ou qualquer coisa, impaciente. Sinto-me atacada, invadida a todo momento e, então, ataco de volta.
Existe uma variação muito grande de humor. Pelo menos comigo, em toda crise, o pensamento de suicídio é recorrente. E a sensação de falta de esperança também. As duas piores coisas ao sair de uma crise são a vergonha e o medo da recaída”.

e eu, passarinho.

Posted on 13:54 In: ,

























e tornar tudo tão difícil
sem optar
foi no último minuto
exaustão de quem se mantém no controle
sempre no controle, eu sou

adormecer com um olho fechado e o outro vidrado
e todas as lindas canções da estrada, onde estão?
não lembrei, não lembrar não é errado.
e o errado é direito

esqueceu,
não organizou,
atrasou,
mudou de ideia,
repetiu as letras,
trocou as vogais.

é culpa da doença,
é culpa da doença,
é culpa da doença.
se conforma, se injeta.
é culpa do vício,
é culpa do vício,
é culpa do vício.
restaram resquícios, não se projeta.

o erro, simples, mediano ou complexo.
de que importa?
por que tão errado, vergonhoso, perplexo?
"eu não quero" é mais fácil do que "eu não consigo" menina

e dos seus tropeços eu sempre sou.
e do seu ninho eu sempre sou.
e das suas desculpas eu sempre sou.
e do seu amor eu sempre sou.
e das suas certezas incertas eu sempre sou .
e eu, passarinho.



























A precariedade das perpectivas se abate sobre as olheiras profundas, a pela fina, roxa e abatida.
É como diziam: mente vazia oficina do diabo. Do diabo não sei ao certo qual intertextualidade escolher, mas sei que a cama cresce, a mente padece, o corpo perde peso e os cabelos caem.
Estou cansada de estar cansada. Estou exausta de não me mover, o vento continua soprando no meu rosto, a vida continua a ir e o que mais é essa falta além de perder tempo esperando as rugas aparecerem?
Não consigo chorar por mais de alguns minutos, sou incapaz de manter até mesmo o estado de felicidade quando o alcanço.
Abandonei o corpo depois que a mente resolveu se enterrar de novo na areia escura. Foi-se pele, carne, brilho e textura.
Não quero roupas, tudo que escolho me cai mal. Não quero espelhos, não gosto do que vejo. Não quero pessoas, me sinto patética perto delas. Não quero você, não quero nossa vida inútil e comum. Não quero te afundar comigo, hoje você deixou claro sem nenhuma palavra que está farto de me salvar.
Fico sozinha mais uma noite com a cama grande e os calmantes. Na mente falta o Lithium, no corpo antibiótico, no estomago a comida e na boca o seu gosto.
Nada é mais patético do que a auto piedade, saber disso machuca mais. Nada mais ignorante do que desistir de si mesmo, do que cogitar por horas a fio se realmente vale a pena... Desistir aos poucos é mais fácil. A covardia se escancara mesmo na mais drástica decisão.
O que ronda no teto do quarto não é mais o fato de que não faria diferença, é a certeza de que sim, faria diferença, aliviaria o peso, o fardo o físico dos que não suportam mais ser estepes.
Penso que juntando tudo que causo a eles, o peso poderia ser maior do que o que sinto agora me inclinando sobre a cartela de valium.
O insustentável peso de Ser é a explicação da paixão dos suicidas.


Ele a amara desde a infância até o momento em que a acompanhara ao cemitério, e amava-a em suas recordações. Isso o levara a pensar que a fidelidade é a primeira de todas as virtudes, que a fidelidade dá unidade à nossa vida, que, sem ela, iria estilhaçar-se em mil impressões fugidias.
Franz costumava falar sobre sua mãe com Sabina, talvez fosse de sua parte um plano inconsciente: supunha que Sabina ficaria seduzida por sua tendência à fidelidade, e que isso seria uma forma de prendê-la.
Era, porém, a traição e não a fidelidade que seduzia Sabina. A palavra fidelidade lembrava-lhe seu pai, puritano de província que, por lazer, pintava aos domingos o poente sobre a floresta e
buquês de rosas num vaso. Graças a ele, começou a desenhar muito jovem. Aos quatorze anos, apaixonou-se por um rapaz da sua idade. Seu pai teve medo, e proibiu-a de sair sozinha durante
um ano. Um dia, rindo muito alto, mostrou-lhe reproduções de Picasso. Já que não tinha o direito de amar um rapaz da sua idade, apaixonou-se pelo cubismo. Depois de formada, foi para
Praga com a reconfortante impressão de que finalmente poderia trair a família.
A traição. Desde nossa infância, papai e o professor nos repetem que é a coisa mais abominável que se possa conceber. Mas o que é trair? Trair é sair da ordem. Trair é sair da ordem e partir para o desconhecido. Sabina não conhece nada mais belo que partir para o desconhecido.
Inscreveu-se na Escola de Belas-Artes, mas não lhe era permitido pintar como Picasso. Era preciso então, obrigatoriamente, exercitar o que se chamava de realismo socialista, e na Escola de Belas-Artes fabricavam-se retratos dos chefes de Estado comunistas. Seu desejo de trair o pai continuava irrealizado, pois o comunismo não era senão outro pai, igualmente severo e limitado, que proibia não só o amor (a época era de puritanismo) mas também Picasso. Casou-se com um medíocre ator de Praga, só porque este tinha reputação de excêntrico, e porque os dois pais julgavam-no inaceitável. Depois sua mãe morreu. No dia seguinte, voltando a Praga depois do enterro, recebeu um telegrama: seu pai suicidara-se de desgosto.
O remorso tomou conta dela: seria tão errado da parte de seu pai pintar rosas num vaso e não amar Picasso? Seria tão condenável temer que a filha aos quatorze anos ficasse grávida? Seria
ridículo não ter conseguido viver sem sua mulher?
Mais uma vez, estava possuída pelo desejo de trair: trair sua traição inicial. Anunciou ao marido (não via mais nele um excêntrico, mas sobretudo um bêbado incômodo) que iria deixálo.
Mas se traimos B., por quem tínhamos traído A., isso não quer dizer que vamos nos reconciliar com A. A vida do artista de quem se divorciara não se parecia com a vida de seus pais traidos. A primeira traição é irreparável, ela provoca, numa reação em cadeia, outras traições das quais cada uma nos distancia cada vez mais do motivo da traição inicial.

[...] De perto ou de longe todo mundo estaria olhando; era preciso, de uma maneira ou de outra,
representar uma comédia diante de todo mundo; em vez de ser Sabina, ela seria forçada a representar o papel de Sabina e a descobrir a maneira de representá-lo. O amor oferecido ao
público como um alimento ganhava peso e tornava-se um fardo. Só de pensar nisso curvava-se, por antecipação, sob esse peso.
Estava ainda em plena confusão e não sabia se devia ou não ficar contente. Pensou no encontro deles no vagão-leito do trem de Amsterdã. Tivera vontade, naquele dia, de se jogar a seus pés, suplicando-lhe que ficasse com ela, de qualquer maneira, e que nunca mais a deixasse partir. Naquela noite, quis acabar de uma vez por todas com essa perigosa viagem de traição em traição. Teve vontade de parar.
O que é viver na verdade? Uma definição negativa é fácil: é não mentir, não se esconder, não dissimular nada.
Para Sabina, viver na verdade, é mentir nem para si nem para os outros, só seria possível se vivêssemos sem público. Havendo uma única testemunha de nossos atos, adaptamo-nos
de um jeito ou de outro aos olhos que nos observam, e nada mais do que fazemos é verdadeiro. Ter um público, pensar no público, é viver na mentira. Sabina despreza a literatura em que o autor revela toda a sua intimidade, e também a de seus amigos. Quem perde sua própria intimidade perde tudo, pensa Sabina. E quem a ela renuncia conscientemente é um monstro. Por isso Sabina não sofre por ter de esconder seu amor. Ao contrário, para ela esta é a única forma de viver na verdade.
Franz é forte, mas sua força é voltada unicamente para o exterior. Com as pessoas com quem vive, com aqueles que ama, é fraco. A fraqueza de Franz se chama bondade.
Franz jamais daria ordens a Sabina. Nunca mandaria - como Tomas fizera em outros tempos - que ela ficasse inteiramente nua em cima de um espelho e se pusesse a andar de um lado para o outro. Não que lhe falte sensualidade, mas ele não tem força para comandar. Existem coisas que só podem ser conseguidas com violência. O amor físico é impensável sem violência.
Sabina continuava com suas reflexões melancólicas.
Disse: - Por que de vez em quando você não usa sua força contra mim? - Porque amar é renunciar à força - respondeu Franz docemente.
Sabina compreendeu duas coisas: primeiro, que essa frase era bela e verdadeira. Em segundo lugar, que, com essa frase, Franz acabara de excluir-se de sua vida erótica.


*Uma pergunta me lembrou dessas partes do livro do Kundera hoje.

Essa Pequena

Posted on 21:52 In:



















Meu tempo é curto, o tempo dela sobra
Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora
Temo que não dure muito a nossa novela, mas
Eu sou tão feliz com ela

Meu dia voa e ela não acorda
Vou até a esquina, ela quer ir para a Flórida
Acho que nem sei direito o que é que ela fala, mas
Não canso de contemplá-la

Feito avarento, conto os meus minutos
Cada segundo que se esvai
Cuidando dela, que anda noutro mundo
Ela que esbanjar suas horas ao vento

Às vezes ela pinta a boca e sai
Fique à vontade, eu digo, take your time
Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas
O blues já valeu a pena
























Essa madrugada a narrativa será envolta pelo livro le femme rompue da Simone de Beauvoir. Identifico e ao mesmo tempo acho distante por demais os parâmetros que poderiam ser comparados a Simone e Sartre e as minhas narrativas.
Confesso que o difícil mesmo vem sendo escrever na primeira pessoa e jogar aos ventos a mistura de cores das máscaras dos meus personagens.
Pois bem, hoje falarei do homem que foi responsável pelos dias mais felizes da minha vida.

***

Não desejo que a vida se ponha a ter outras vontades que não as minhas. Foi isso que pensei ao largar meus antigos romances infantis e me embarcar cegamente num navio de premissas, sonhar com aquele país das maravilhas.
Mas apesar da cautela para amaciar a quebra de sonhos que se sucedia, a situação se tornou crítica. Talvez se tudo fosse direto, descuidado os rumos poderiam ser melhores, ou não. Só sei que as pessoas sempre simpatizam mais com a desgraça do que com a felicidade.
Não me sentia absolutamente rejeitada pelo meu meio; eu é que o abandonara a fim de entrar nessa sociedade de que via ali uma miniatura, um mundinho novo cheio de medos e esperanças.
Hoje cedo nossa história desabrochou na minha memória e desejei ardentemente ser de novo a garota que vai pro colégio de freiras de manhã e tem uma certeza serena… No entanto, não quero acreditar: um ato de fé é o ato mais desesperado que existe e quero que meu desespero pelo menos conserve sua lucidez. Não quero mentir para mim mesma, eu não sou essa garota e se ainda fosse seria cega, ardente de paixão, de sonhos e de desejos que visavam retardar o relógio. Já sabia que tudo aquilo um dia acabaria, por isso mesmo, fui a mulher mais feliz desse mundo naqueles meses, naquele ano.
Socialmente, o paralelo entre as nossas idades sempre foi notado com indiferença. As roupas eram colegiais, com direito a fichário colorido e tudo mais. O corpo ainda tinha traços de menina e os sonhos eram plenos mesmo que infantis e romantizados. O silêncio que permeava entre sua família quando descobria minha idade ou meu uniforme se arrastou comigo um bom tempo.
O frio no estômago quando o vi sem camisa naquela época explica tudo que eu era, uma menina encantada e ao mesmo tempo assustada; não sabia o que era corpo de homem. Me assustei com aquele peitoral largo que seria por tanto tempo o bálsamo do meu sono, foi com a cabeça recostada sobre ele que descobri que amava, e como amava cada pedaço daquele porto seguro.
Ele é todo beijo na testa e chocolate quente na cama. É o entrelaçar de pernas, sentir frio a noite porque eu roubei a coberta e não tem coragem de me tomar. É o braço dormente porque mesmo durante o sono aqueles abraços demorados não poderiam cessar, pra quê olhar pro lado para a certeza da sua presença quando posso te sentir comigo toda a noite, até o dia clarear.
Era inocente, reluzente. Era a pureza da chama que se consomem os diamantes mais límpidos, era a certeza de que mais do que tudo que já era, era tudo bem escrito com tamanho amor. Não era preciso saber onde o outro estava ou com quem estava, não tinha nenhum jogo de angústia. Cuidávamos sempre um do outro, nunca havia dor.
Amava mesmo as peculiaridades, os presentes de antigas namoradas expostos, o cheiro do cigarro em suas mãos e do café no seu hálito, amava a forma como ele não sabia se vestir, a sua indiferença com o futuro e amava até mesmo os seus roncos nas noites de inverno.
Era sonoridade, sabor, tom, pele, visual, intelecto e leveza.
O problema está no termo final, a minha leveza, a nossa leveza, doente de tão apaixonada. Cega e entorpecida passara das nuvens e prosseguia sem controle. Abandonamos a vida externa naquele ano, construímos o país das maravilhas e achávamos que duraria para sempre. Não durou, ele se agarrou ao último instante que pode antes de pegar as malas e seguir a estrada, sempre com juras que tudo aquilo era também por nós num futuro (in)certo.
Não havia dinheiro, espaço, conforto, comida, saídas, nada. Eram dois dias dentro de um quarto pequeno, quente com o desconforto do barulho do metrô. Eu esperava por aqueles dias mais que qualquer coisa na minha vida, toda vez que eu partia, que ele partia, era como se eu tivesse que morrer de novo, ver de novo o xadrez e o cinzeiro serem empacotados e levados para longe de mim.
A distância foi a melhor dor que senti na vida, dor com certeza plena de revigorada pelo relógio, que agora, tornara-se inimigo. Como é estranho o amor...
Precisei reviver tudo que foi belo e passou para encontrar o peso, que ironicamente surgiu da leveza mais extrema. Extremos, se avaliados no contexto geral, nunca são bons, mas quem vai negar a delícia que é morrer de amor?
Voei com a minha leve bagagem, difícil o abandono como pensei não foi. Difícil mesmo foi a nova vida, as paredes finas e a miniatura que tudo isso me tornou. Naquele tempo ele foi mais que família, pai, amigo, irmão. Ele foi os braços que machucaram carregando minha estante e as mãos que me acalentavam numa maca de hospital. Foi meu herói, não há palavra melhor.
Por isso ainda é tão difícil definir quando suas asas foram perdendo a cor, ou quando as minhas começaram a se espremer, implorando para crescer.
Amar é diferente de enxergar alguém como possibilidade para uma vida, o amor nem sempre dura o eterno retorno de Nietzsche.
Encerro ele aqui com muito cuidado e lágrimas que desconhecem a que sentimento pertencem.
Com ele nunca precisei de cautela para escrever sobre o amor.


*esse assunto é muito forte e não consigo revisar esse texto hoje, perdoem os tropeços.
**não revisei o texto, não posso mudar o que é tão sincero e espontâneo.




















Esse é um último e talvez único adeus dignamente verbalizado e unicamente direcionado a uma personalidade concreta e existente.
Em tudo que escrevo misturo histórias, amores, desamores, amigos, desconhecidos, rabiscos presentes, passados e principalmente personagens. Tenho costume de costurá-los uns nos outros pelas suas essências constantes e inconstantes que provém dos que me rodeiam. Gosto de embaralhá-los como cartas e jogá-los aos meus ventos. Feito isso, gosto ainda mais de acreditar que os imortalizei - justificativa do trecho da música do Teatro Mágico na descrição dos destinatários, todos aqueles que alimentam a essência dos meus personagens.
Apesar disso, só por hoje vou me ater a uma sugestão que recebi nessa manhã, começar a escrever sobre o mundo que não inventei, procurando me despedir de tudo que ainda pesa na bagagem. Só por uma vez escrever sobre um fato, sobre alguém que existiu, com uma ajuda de Virginia Woolf em certos momentos.
Escolhi o poema "Ultimo Poema" do Manoel Bandeira como determinante dos meus pesos e talvez, a saída para a leveza que busco.

***


No caminho além da porta da casa dele, ela se ateve aos reflexos do óculos de sol que cobriam mais que os olhos. Sabia que não voltaria mais.
Ainda se contenta em não buscar as respostas diretamente da fonte, não por orgulho, mas pelas interpretações errôneas que se sucediam nesse caso.
No entanto, era preciso um esclarecimento e se não seria para ele, que fosse para si mesma, para a mente se calar a respeito da frieza, do embrutecimento das falas, do rosto na janela que fazia questionar os métodos, não a decisão.
Esse é um adeus pra mente que permeia sobre o que não pode verbalizar, direciono-o para ela mais que para ele.
Nunca foi o que faltava. Perspicácia? Caráter? Fosse o que fosse, ele tinha isso.
Mas de tudo que existe, nada é tão estranho como as relações humanas, com suas mudanças, sua extraordinária (ir)racionalidade.
Dessa forma, tão logo essa palavra "amor" se verbalizou sonoricamente no quarto, ou mesmo lhe ocorreu como mera possibilidade futura, ela a rejeitou.
A rejeitou por se ver como um ser que não possui o pleno alcance de sua estabilidade. Quanto mais se tratando de um domínio de feelings, de relações afetivas pela metade.
Sempre lembro de Renato Russo cantando "afinal, será que amar é mesmo tudo?" quando recordo a expressão de baque que eriçava aqueles cabelos vermelhos.
De fato não estava pronta para um caminho incerto, uma hora a possibilidade não verbalizada aniquila tudo de uma vez ou progride de maneira assustadora. As relações humanas são mutáveis e imprevisíveis por demais.
Ela também nunca encontrou nada de tão extraordinário na natureza humana, a menos que esta se encontre submersa nas artes.
Se enganava dizendo que fugia dos artistas. Na família dela era costume pensar que artista é ainda mais instável que gente. Artista é bipolar nato - diziam.
De toda forma, sempre esteve exposta ao fascinante mundo daqueles que (re)produzem tudo que há de extraordinário na natureza humana.
A vida de encontros e desencontros, trazia novos artistas para sanar os verbetes passados vividos no antigo palco, nas cortinas empoeiradas e nos camarins apertados.
Verbetes que jamais jaziam dentro dela. Verbetes acesos certa vez nas páginas do livro, aquele que ele encontrou e depositou na sua estante.
Despertou saudade do palco, mas daquelas doídas fragmentadas de possibilidades. Quando a pergunta sobre a obra finalmente surgiu, ela disse que não havia nem mesmo lido o livro.
Apesar dos silêncios, acredito que a sua infelicidade é um estado de espírito. Quero dizer ainda que em meio a tudo isso, a resultante não obstante tem de ser uma causa específica necessariamente.
Mas existem seres tanto capazes de elevar esse estado de espírito, como outros que o reduzem até o mais ínfimo sopro. A menina fugiu em busca do seu eterno retorno nos braços desses seres que podem trazer de volta alguns raios de sol. Acredita que talvez tenha finalmente encontrado a fuga dos t(r)emores.
A perspectiva de céus e poços não é meramente intencional. Confesso que não sei o que é ou deveria ser, só sei que ele a reduzia como amante, e a elevava como amigo. Como amantes se objetalizavam e como amigos se compreendiam.
É o amigo que falta. Ela só se deu conta quando numa situação de pânico viu seus dedos digitarem o número dele no celular. Era um sentimento de companheirismo, confiança da ajuda certa, de quem tomaria as decisões mais racionais e seria sincera quanto aos resultados, muito diferente dos passos oscilantes do amante que só refletiam insegurança e meias verdades.
Hoje gosto de imagina-lo como alguém que esteja sempre em pleno voo. Lê-lo, ao que tudo indica, eu não devo mais.



*Foi a primeira vez que eu tinha a fotografia na cabeça em sintonia com o texto, a escolha não poderia ser diferente.

Último Poema

Posted on 19:35 In:




























Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.