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About a Girl

Minha foto
"Nasci em 1992, no interior do estado. A dança-teatro e o cinema formaram meu primeiro imaginário: a palavra vinha como complemento das imagens. Quando descobri os livros, bem cedo, aceitei-os apenas como o lugar das palavras e das idéias, vendo as imagens a que remetiam ou sugeriam, como fantasmas imponderáveis e sem substância, descabidos, impróprios para aquele tipo de veículo. Quando me pedem que fale de mim mesma, sinto o incômodo, pergunto: que imagem devo projetar? Tenho tantas. Acho que a melhor para o caso é a que passo nos próprios posts, de alguém que escreve mas não acredita nos fantasmas das palavras, embora eles sejam inevitáveis. E a melhor forma de conviver sem temor com essas fantasias é jogar com elas, torná-las risíveis, desautorizá-las, de modo a evitar o poder técnico abusivo que tem quem escreve, para iludir o leitor."

Aos destinatários destas palavras

"Pra dilatarmos a alma
Temos que nos desfazer
Pra nos tornarmos imortais
A gente tem que aprender a morrer
Com tudo aquilo que fomos
E tudo aquilo que somos nós"


O Teatro Mágico

Quem lê

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Posted on 15:10 In:





















Não peça para nutrir-lhe em meio à minha própria anorexia.
Tire-me deste pesadelo!
Jogue-me da janela!
Despedace o que restou firme.
Minha pele queima, inflama e não há cicatrizes além das alucinações.
Faça tudo parar!
Tudo que invade meus limites, e corrói até entranhar fundo nas feridas dos mais obscuros pesadelos.
Não me deixe cair;
Não me deixe queimar;
Não me deixe!
Eu preciso de algo para acreditar.
Faça meu corpo se mexer!
Faça essa dança aleijada ter fim!
Não deixe que me toquem;
Não deixe que me usem;
Não deixe que se masturbem.
Diga-me o porquê de tantas lágrimas e gritos!
Diga-me quando cada pedaço do meu corpo se definhar...
Porque eu me sinto tão morta?
Porque tenta tanto me matar?
Faça-me voltar ao normal!
Deixe-me na beira da estrada!
Não gostaria de me matar?
Tudo preto no branco.
E entre achados e perdidos,
Acabamo-nos todos.























Nenhuma substância nesse mundo pode nos parar.
Todas as mentiras mal contadas e reescritas por mim, não podem os mudar.
Já foram escancaradas todas as portas, e eu me tornei ainda mais insone.
Nossa doçura se esparrama todas as noites junto com todas as promessas e juras, que eu posso sentir que são reais, mas um dia podem se tornar apenas boas lembranças ofuscadas, omitidas e sem vida pela sua aversão a distância.
Não escrevo do que é intenso demais meu amor, porque não existem palavras suficientes no meu país das maravilhas. Aqui, são só sujeiras, cartas chamuscadas e mal resolvidas.
Eu realmente não me importo com o rumo que você escolhe guiar a sua vida, contanto que seja intenso e principalmente real.
Nenhum questionamento é por acaso.
As vezes a felicidade cega as nossas pequenas insatisfações,
mas por um momento, pequeno que seja,
que perdemos essa euforia e liberdade,
a insatisfação aparece muito maior que qualquer sentimento
e só vai embora depois de magoarmos quem amamos.
As vezes só precisamos acreditar.
Acreditar que independente do que foi agora é diferente.
O que todos nos precisamos é que o outro sinta.
Sinta exatamente como nos sentimos e principalmente nos sinta como ser humano.
E no fim das contas, os questionamentos são mal feitos, mas feitos.
E os resultados, em sua maioria, pressionados.
Tudo repleto de tédio mal amado.


É um fato que tudo está mudando:
Músicas boas já não existem mais.
E as que são, são regravações das antigas.
Baladas de amor são um porre.
Tv é um lixo.
Novela tenta regravar a realidade de contos de fada distorcida.
Malhação? Uma reciclagem que merecia ter ido para o lixo.
Não existem mais ideais.
Temos tudo de mão dada.
Não há mais luta.
E muitos nem percebem.
Nós só comemos fast food.
Pizza, hot poket, miojo, lanche vão virar jantares mais vezes do que gostaríamos.
Que ter 17 anos é quase ter 18. E 19 quase 20. Mas, ter 17 não é o mesmo que ter 18 e que ter 19 não é o mesmo que ter 20.*
Pequenas diferenças contam muito.
Amigos são colegas e melhores amigos são amigos.
E acredite, amigos são comuns. Melhores amigos não.
A ilusão não acabou.
Baseado virou comum,
sexo com estranhos também.
Ir no cinema é divertido até aos 14 anos, quando beijar ainda podia ser interessante.
Amor inocente existia até essa época também.
As pessoas se tornaram monótonas.
Beijar hoje em dia é como um cumprimento comum e compromisso mesmo é fazer sexo.
Se excitar é algo realmente difícil.
Falsas beatas são as mais curiosas e quem é puta, é puta assumida! (e gostar de sexo, não é ser vagabunda. Há uma grande diferença).
Quando algo íntimo é escandalizado, não importa que postura que você sempre levou, você será uma vagabunda também.
E em qualquer lugar que você vá sempre, sempre terá um idiota, porque fofocas sempre vão existir.
Algumas delas serão verdade, mas a maioria sempre será inveja. /fikdik
Futebol é sinônimo de briga.
Falar da mãe é comum.
Mulheres se tornam barraqueiras com um pouco mais de bebida e um pouco mais de rapazes para chamar a atenção.
Bebidas comuns não têm mais efeito, o que é legal mesmo é beber ou vodka ou uísque puros – e misturar com algo que te deixe alto.
Vícios são bons até certo ponto...
E viva à balada!
Baladas sempre são sinônimos de bebida e pegação.
Há dias que todo gato será pardo.
Há dias que não importa o quanto você esteja desiludido com o mundo, alguém pode mudar isso.
Amigos (melhores) podem mudar.
Você pode mudar também.
E as coisas vêm mudando.




*Lembrei de uma grande pequena menina e amiga, de apenas 15 anos.

** Eu não sei bem de quem é a ideia central desse texto.

"Annie are you ok?"

Posted on 14:37 In:

Não sei bem o porquê, mas eu gosto de quando você insiste no refrão em saber como a Annie está.
Não se preocupe.
É eu sei que eu sempre falo para não se preocupar e no fundo há algo para se preocupar... Mas sejamos realistas, foi você quem me pediu certa vez para não te preocupar antes de algo que requer certo peso nos ombros.
Mas Annie continua com os ombros pesados...
Anne diz que odeia mais do que gostaria e que não sente mais vontade de escutar nenhuma música sequer.
Annie, você está bem?
Não adianta cuspir mais sermões, seus ombros não agüentam mais e ela jogou todos os terços de cabeceira fora aos onze.
Não me venha com métodos para tirar todo o peso, ele já está estagnado.
Mas não se sinta mal, isto não começou com você, mas irá terminar com você.
E diga ao pequeno Michael, para guardar os sermões de encorajamento para a terapia e os xingos que impõe uma solução imediatista para o exército de nosso pai.
Annie só precisa saber que você está ali
Annie não deseja mais palavras além das que vem das minhas músicas
Annie não quer mais sonhos vazios, eles já fazem seu mundo se encher de concreto demais.
Annie precisa ir embora.
Mas mesmo assim, ela insiste que eu pergunte todos os dias como no refrão:
Annie, você está bem?

Imposição, sim ou não?

Posted on 12:14 In: ,

Utilizar a força, nunca é o caminho correto, mas e quando a força e apenas a força podem fazer você conseguir o que é necessário?
O que fazer quando o único caminho é a imposição?
Odeio ter de dar razão a ideologias antigas guiadas pelos princípios da imposição, mesmo que seja apenas uma vez, eu não acho certo utilizar de tais métodos, mesmo quando é extremamente necessário.
Só me resta tentar pela última vez segundo meus princípios, mas se isso não funcionar, eu sei que quem vai carregar todo o peso nas costas no final sou eu e mais ninguém envolvido nessa história.
Porque quem começou a usar métodos sujos pra descobrir o que no fundo já sabia, também fui eu.
A culpa de quem descobriu a sujeira, pode ser muito maior do que a de quem a fez.

"Nem tudo são flores"

Posted on 09:13 In:

E porque não?
As pessoas se empenham, eu sei que cada um de nós quando quer faz o seu melhor, claro dentro de suas próprias convicções.
E muitas vezes o melhor para nós, nem sempre é o melhor para o outro.
Mas então, vale à pena mudar e perder sua própria identidade por outra pessoa?
E se mudar, é mudar para o melhor, porque te pedem isso?
Se você criou laços com alguém e essa pessoa te ama, obviamente tal pessoa deveria te amar pelo que você é e não pelo que você mudou para ser.
Por isso o amor é o sentimento mais complicado, ele exige aceitação das pessoas com suas qualidades e imperfeições.
Tem pessoas que quanto mais você conhece mais você se assusta com a verdadeira personalidade, e em alguns casos até mesmo com seu caráter. E muitas vezes não quer ou não consegue se afastar por apego ao que era antes, por costume e até mesmo por medo do que ela "se tornou".
Mas por outro lado, tem pessoas que quanto mais você conhece, mais você as ama.
E para mim, esse sim é o verdadeiro laço que é possível se estabelecer com alguém.
Mesmo sabendo que nem sempre tudo serão flores e que raramente encontrará tais pessoas,
vale a pena arriscar!
Post dedicado a uma grande amiga e a muitas pessoas que permaneceram até demais na minha vida.

I'm waking up to us*

Posted on 20:18 In:



















Quando penso em você, tudo fica mais bonito e até o sol da manhã é mais alaranjado.
Quando estou nos seus braços, tudo é tão simples, tão seguro e ao mesmo tempo repleto de ternura.
Eu me sinto tão feliz, tão plena, e tão esperançosa quando penso na sorte que eu tenho de ter alguém como você comigo. Alguém que me faz sentir tão única.
E como é bom saber que eu também posso te causar tais sentimentos, que eu também posso te fazer feliz. Porque você me faz a garota mais feliz desse mundo!
Eu não consigo pensar em mais nada, absolutamente nada para tirar, mexer ou modificar. É tudo tão bom, cada gesto, cada olhar, cada conversa e cada sabor.
Tudo tão por acaso, com uma inocência que não raro destrói vidas.
Mas tudo tão nosso e completamente são.


*Belle and Sebastian


Estou longe de Aristides, o justo, confesso.
Mas a coisa fica mais séria, quando percebemos a que caminhos a inveja pode guiar as pessoas.
Inveja às vezes é muito confundido com ciúmes, mas é uma coisa bem diferente da outra.
Ciúme é se preocupar com outras pessoas tomarem o que você ama, já a inveja é algo muito além, é odiar alguém que tem algo que você não tem ou até mesmo que pode chegar a ter algo que você não tem. Tal ódio pode se tornar muitas vezes irracional, mas não justifica nenhuma das ações resultadas dele.
A questão é que todas as vezes que eu tinha alguma conquista pessoal, uma parte dela morria.
Toda vez que ela via meu rosto se iluminar, ela tinha vontade de apagar tudo na minha vida.
Isso me lembra muito a tragédia de Rosemary, que assim como eu, nunca pensou nem por um segundo em "assassinar Beethoven". Simplesmente pelo fato dele ser um gênio.




(Já espero cliques em "não entendi o post" é realmente bem pessoal.)

Noite

Posted on 00:08 In:


Olá Miguel,
Eu sei que cartas são ultrapassadas e velhas, mas estou te escrevendo essa porque estou com uma vontade tremenda de te dizer tanta coisa! E noturna como sou, não quero de maneira alguma atrapalhar o seu precioso sono. Até porque você não escutaria uma só palavra dormindo não é mesmo?
A verdade é que não há nada de importante e urgente a dizer. É que eu apenas sinto a sua falta de uma maneira estranhamente absurda a noite.
Parece que a noite é tão mais fria e o dia tão mais pacato quando não começa com você ao meu lado... Isso tudo soa tão bobo não é mesmo?
E tem a parte psicopata noturna from hell em que eu nas minhas insônias me contento a te olhar dormindo, isso me dá uma estranha sensação de paz e tranquilidade, você pode não achar mas você é tão sutil e tranquilo quando está dormindo. Nessas horas tenho uma vontade de entrar nos seus mais profundos sonhos só pra tentar conhecer um pouco mais aquilo que me fascina.
Não sei mais o propósito dessa carta, a verdade é que eu poderia passar um bom tempo sem fazer absolutamente nada que não seja olhar pro céu com você ao meu lado, conversar sobre a vida e sobre o quanto essa nossa cidade tem falta de estrelas.
Mas e você, poderia?

Desejo de data

Posted on 23:42 In:


















-Hoje eu sei que datas especiais não provem de número algum, mas de nossos atos e sentimentos.

E as vezes, de alguma janela com uma brisa gostosa e poemas escritos a luz do luar.

-Não seja tolo Miguel! Luz do luar ficou na viola da vó. Mas às vezes precisamos de uma data, um número pra almejar e criar expectativas quando olha o calendário e ele ainda está longe...


-E também pra fazer o coração pular quando está perto e principalmente quando chega.


-Que seja, sinto falta de uma data meu amigo...

O Café Esfriou

Posted on 23:04 In:























Desta vez não fui capaz de sentir o gosto doce dos morangos rosados...
Tinha tudo para ter aquele gosto, mas eu simplesmnte não o sentia.
E aguardava pacientemente nos meus momentos furtivos, que eu pensava serem capazes de trazer a verdade a tona, que os morangos em algum momento iriam resolver aquele mal entendido...
Porém, no lugar dos morangos senti um gosto forte de sal, mas não fui capaz de escutar nenhuma onda do mar.
Só me restou me esconder e me encolher o máximo que pude.
E o quadro de fotos dos nossos quartos permaneceu vazio.
Vazio como as suas acusações.
Vazio como as minhas tentativas de esclarecimentos.
Vazio como as minhas expectativas.
Vazio como aquela noite escura.
Vazio como o meu coração se sentiu.
Não me deu uma chance sequer de olhar realmente além dos seus olhos.
Ele estava ali, mas não estava.
E de cheio, só havia minha xícara de café.







É exatamente por isso que não tomo mais café, são minutos de ilusão pura e fria, em que são só as mágoas contra você e você contra as mágoas.
Café está oficialmente abolido como estimulante para sair da fossa (principalmente a noite). FIKDIK

Provérbios

Posted on 22:41 In:

















"Perder o medo de perder, para não perder."


"O medo de perder tira a vontade de ganhar."


"Quando um não quer, dois não fazem."


[...]


"-Na minha família sempre se acreditou que quem conhece os provérbios, mal sugeito não é..."

(y)

Posted on 22:29 In:

Tudo pode ser incrivelmente bom,
Basta apenas não sonhar.
Pois sonhos são pros tolos que desejam amar.



(eu não suporto rimar, mas saiu.)

Intenso

Posted on 00:58 In:





















Quero meu corpo em seus braços
Paro o relógio
Deixo que o tempo se ausente
Se me for dado somente um minuto
Não lamento
Penso nele devagar
Quando me beija a boca
Quando me beija por dentro

Sou a puta da esquina
Sou a virgem Maria
Se o seu tempo for só de um segundo
Será nele que inventarei a eternidade

É assim que o amo
Não me importa
Se no minuto seguinte
Já não está comigo
Ele é o homem que amo

Se o seu tempo
For de um compasso
Que ele seja de pausa
Porque urge o silêncio

Se for um desenho
Que ele seja branco
Tão intenso o que sinto

Eterno é o momento
Quando ele me beija por dentro

Suéter Laranja

Posted on 22:48 In:















Todas as manhãs, seus olhos brilham para o laranja vibrante
Aquele sorriso gostoso não se desgasta
Não se influência
Mas possui um raro dom de me mudar.

Mais uma vez está quente,
Claro e lúcido
Sempre sonhando com os pés atolados ao chão
Chão que já foi a Roma, Berlim e Praga
Mas resolveu descansar num horizonte qualquer, em plena tarde de maio.

Não tem receio do gosto, deseja o corpo
Mergulha sereno por todas as melodias
Enquanto o tecido passeia mais uma vez na clareza das peles
Movido pelo som ele almeja voar.

Tornou-se hipnotizante com tamanho veneno
E no ímpeto de salvar um pouco da minha lucidez, questiona:
"Não deseja saber aonde vai parar?"
Não, é claro que não. Afinal, o que seria da minha insônia sem o âmago de todos os meus sonhos e pensamentos?
"Um vazio nos meus braços e um queimado de cigarro nesse suéter.”

Pois dê-me mais um trago.







*Não consigo parar de mexer nesse texto. Nunca está bom.

Dos Sonhos

Posted on 22:33 In:





















"Eia mocidade de sonhos tantos!
Sonhos intensos e intermináveis,
Que parecem tragar-nos.

Prendemo-nos a eles ou nos prendem?!

Somos empurrados num solavanco
Forçados a abrir os olhos noite adentro
Insones...
Esvai-se nossa mocidade!
O reflexo no espelho é turvo.

“Será que aquilo tudo era real?”

Na aurora cai sobre nós um mundo,
Passos e passeios...
Que não se assemelham aos nossos.

Sem asas e entre seres vazios...
A dor sufocante no peito mais uma vez
Teria eu ficado louca?

“Oh, você não tem saída”, disse o Gato, “nós somos todos malucos aqui. Eu sou louco. Você é louca.”


                                      À menina das palavras e sonhos mordazes."



Por Salazar Felinto
http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=35441





*Há tempos eu não recebia um presente tão especial quanto este.

O Libertino

Posted on 22:21 In:


"Permitam-me que seja franco
antes de começar
Não vão gostar de mim.
Os cavalheiros sentirão inveja
e as damas repulsa.
Não vão gostar de mim agora
e muito menos com o decorrer da história.
Damas,
um aviso.
Estou disponível.
Sempre.
Não é uma questão de orgulho ou opinião.
É uma constatação médica.
Digo-o de forma categórica.
E irão vê-lo de forma inequívoca.
Não.
É uma posição confortável a vossa
é melhor observar e tirar as vossas
conclusões de forma distanciada
ao invés de o fazerem vendo-me
envolvido com as vossas mulheres.
Cavalheiros,
não desesperem.
Também estou disposto a isso.
E portanto, o mesmo aviso
se aplica a vós.
Controlem as vossas erecções até
que eu tenha uma última palavra,
mas quando tiverem sexo,
e terão sexo,
estou certo que o farão,
saberei se me desapontaram.
Desejo que façam sexo
enquanto vos observo e
ridicularizo os vossos genitais.
Sintam...
como eu senti,
como eu me sinto.
E pensem.
Seria este arrepio
o mesmo que ele sentiu?
Será que sentiu algo de mais profundo?
Ou existe um muro de infelicidade em
que todos chocamos com as cabeças
nesses pequenos momentos eternos?
É tudo.
Este foi o meu preâmbulo.
Nada em rima.
Nenhuma afirmação de modéstia.
Não esperavam isso, penso eu.
Chamo-me John Wilmot.
Visconde de Rochester.
E não quero que gostem de mim."

Escuta-me...

Posted on 21:17 In:



























"O que digo,
Digo agora e digo sem demora
Antes que me acabe o tempo do suspiro
Quero um dia conhecer o rosto que se esconde atrás dos papiros.

E D’alva me escute e me livre
Que não seja uma dessas pobrezinhas
A se lamentar por suas violetas murchas e velhas.

Bem sei que em meio trevas
Acendes velas
Para iluminar o caminho que leva a teu rosto.

Mas os vapores me interrompem
Entre o caminho e você,
Existem infindos prazeres e amores
E não posso mudar o que já está posto.

Mas em uma noite dessas sovinas
Hei de ler-te
Como nenhum leu ainda."


http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=35441

Insanidade Insone

Posted on 22:24 In:






















Meu beijo é o escarro
Minha paixão vem com um toque de compaixão gélido
Meus músculos se contraem apenas com sentimentos malditos
Sempre ao extremo dos farrapos incontroláveis, que embalam minha insanidade cega.

A roda não cessa
Escancara todos meus novos antigos hábitos viciosos recheados de pesadelos insones
Há algo incompleto, sempre.

Rasgo teus poemas
Queimo todas as tuas casas abandonadas
E assim, se esvai tudo que restou dos meus amores
Junto com todas as tuas aventuras azedas e ásperas.

Não se foi, porém mal ficou e já fez planos para o nunca
Lembrou-me que não haverá jamais um futuro no mesmo cômodo
"Só não te esqueças de adaptar, troca tua pele como camaleão em dias de fuga" Sussurrou mais uma vez.

Escarro novamente na mesma boca que me afaga com ternura
Ah! Como se mantém débil diante de um reino de pesadelos insones e ocos dormindo ao teu lado?
Como poderá um dia tal coração ser sábio e justo, se necessita se comparar constantemente ao teu afago?
O mesmo, que entorpece todo o meu corpo jovem embasbacado.

Estâncias

Posted on 21:49 In:

"Este é o muro e nesta janela,
onde sobe enredando-se a hera,
eu deixei os meus versos a ela
na manhã de uma azul primavera.

E em meus versos a ela eu dizia
como dói, simplesmente, o amor.
Os meus versos deixei e no outro dia
sua alva mão me pagou com uma flor.

Este é o horto e em seu arvoredo,
nas veredas daquele recanto,
ela disse com a voz em segredo:
"Eu te amo e não sabes o quanto".

Junto aos muros daquele moinho,
ao abrigo da sombra das vides,
quando o carro se pôs a caminho,
ela disse a chorar: "Não me olvides?".

Na janela a hera ainda medra,
e a parreira que o sítio ensombrou
ainda enfeita o muro de pedra.
Tudo é o mesmo, mas tudo mudou.

Não há na casa mais seres amados;
entre as ramas agora há outras flores;
ninhos, folhas já estao renovados.
Também novos, em nós, são os amores."

Benflogin

Posted on 21:21 In:




























Vultos e luzes brilhantes dançam no nosso céu
Elas inssistem em se misturar, ousam se masturbar,
e finalmente vão embora sorrindo sem ao menos tentar cansar
Sussuram numa tentativa frustrada de encerrar um longo e saboroso ciclo viciante
Suas vozes aveludadas convidam todos os bandos de animais que na sua vasta liberdade de voar, não se preocupam em amendrontar toda a imobilidade que frustra e prende na nossa realidade cinza.
Por que não correr, se nada dura pra sempre?
Pra que fugir se as sombras sempre estarão ao nosso alcance?
Benflogin sim
Benflogin não
Benflogin faz mal, faz bem
Faz bem, faz mal
Mas faz.

Idealismo

Posted on 21:14 In:

"Falas de amor, e eu ouço tudo e calo!
O amor da Humanidade é uma mentira.
É. E por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.

O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
É o amor do sibarita e da hetaira,
De Messalina e de Sardanapalo?!

Pois é mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado
-Alavanca desviada do seu fulcro-

E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!"

Excluir;

Posted on 20:39 In:






















excluir (eis...i)

v. tr.
1. Pôr fora; pôr de parte; não contar; não incluir; omitir; expulsar.
2. Tirar (de lista, de enumeração).
3. Não admitir.
4. Não deixar tomar parte.
5. Exceptuar! Excetuar.
6. Privar da posse de alguma coisa


E ele finalmente fez o que era realmente o mais certo para todos nós.
Nós eu, nós ele, nós ele, nós elas.
Trilhos de diferentes ferrovias que indicavam uma estrada menos turbulenta.
Não há mais porque ter medo de se chocarem, finalmente qualquer pedaço de chão ficou pra trás.
A fumaça é tão difícil de inalar, porém a vaga lembrança de tal cheiro me da ânsia pela busca do afago de novos mares.
Não se esqueça que eu sempre iria procurar por ele por trás de qualquer lugar que eu fugisse. Sempre.
E não se esqueça nunca de viajar para a praia mais próxima só para sentir de verdade o gosto salgado e estonteante do mar.

excluirei
excluirás
excluirá
excluiremos
excluireis
excluirão


No meu futuro do indicativo você não irá jamais.


18|06|09


















Veio sorrateira e mansa,
tentou pemanecer,
ousou permanecer.

Na mesma tarde,
um brilho sorrateiro se estendeu naquele olhar.
Foi-se tarde.

Pantera cor-de-rosa que não foi capaz de terminar episódio algum.
Pantera cor-de-rosa não solucionou nenhum caso.
Pantera cor-de-rosa não fez nenhum rosto sorrir.
Enraizou em crianças lunáticas e as vestiu de sua cor.

Onde estão todas as suas mentiras agora?
Porque tanta mágoa? Tanta cor em vão?
Rosas encharcadas, implantadas e sem sol.

Pantara cor-de-rosa faça me rir!

Seul véritable

Posted on 12:00 In:



























Toda noite mal dormida é mais verdadeira do que todas as terças mal saciadas de sono, saudades e planos.
Tudo inexplicávelmente simples e sempre certo.
Há muito o que se fazer, e tudo nos empenha a jogar tudo o que fizemos pela porta dos fundos.
E de repente o dia já raiou.
Não existe mais sono só sonhos na rua deserta.

Você é a parte inexplicável que sempre faz e acontece.
A parte que finalmente tem algum sentido e não precisa estar mesclado a cinzas e desculpas.
Não, você não é passageiro.
Chega, fica, toma um chá.
E finalmente se vai sem avisar ou dar notícias de alguma possivel volta.
E eu sei que eu também nunca fui uma pessoa de anunciar visitas.
Não, não se vai.
Sacode, revira e cava.
Cavou mas nunca enterrou.

É a parte humana que preza sem julgar.
O rabisco perfeccionista e bem elaborado que nunca foi planejado.
Você é real e eu te amo.


Atualizando o perfil do orkut:

Com os relacionamentos anteriores eu aprendi:
Prefiro que fiquem no zoológico

Paixões:
Prefiro que fiquem no zoológico

As paixões também ficam no zoológico? - me perguntaram um dia -
Sim, minhas paixões também ficam no zoológico.
Por que?
Porque o que é paixão é rápido, passageiro, o famoso fast-love.
Ou como diz o poeta "é fogo que arde sem se ver".
Fogo é uma descrição engraçada, faz brasa, escarceu, queima e depois mais cedo ou mais tarde se apaga. Só sobram restos inúteis chamuscados.
Não, não desejo mais paixões chamuscadas com prazo de válidade estampado na cara.
Lobotomia em hospital barato, sempre com os mesmos papéis de parede cafonas.
A paixão não é real.


Ele é deplorável.
Joga com tudo que tem da maneira mais hedionda e perturbadora possível.
Ele nunca teve face, nunca teve uma vida que não estivesse mergulhada nos mantos maternais da mentira.
O cheiro que ficou na minha roupa me da náusea, parece algo limpo demais, falso demais cheio de amaciantes caros e muito bem passado.
Completamente engomado para enganar, são fios feitos com veneno de cobra.
Ninguém vê, e não desejo a mais ninguém o que foi de mim, mas felicidade sem verdade nunca existiu e não é agora que todas elas irão encontrá-la... Talvez por um tempo, ou muito, depende da cegueira do sentimento doentio.
Mas a verdade sempre vem a tona. Sempre.
Mas ele ainda assobia nos meus ouvidos, ainda me traga a olhar para as mentiras do presente.
E nesse presente o papel é mal escrito, cheio de palavras rapidamente rabiscadas e perturbadas.
Tornou-se feio, tornou-se finalmente real.
Era belo, áspero e intratável.

Não desejo ter filhos

Posted on 14:59 In:

Não desejo 'doar' uma parte de mim para dar continuidade nesse mundo.
Acho que nunca uma sociedade foi mais infeliz e foi pressionada para ser feliz consumindo.
Compre tal marca e seja o mais belo, beba tal cerveja e coma todas as loiras americanas com bronzeamento artificial, use tal lingerie e seja a mulher mais atraente do mundo.
O capitalismo virou sinônimo de felicidade para todos nós.
A verdade é que todas as pessoas acham que por você ter nascido saudável e com alguma condição no minímo moderada, você obrigatoriamente tem de ser feliz.
Mas ninguém é feliz o tempo todo.
Ninguém.
Nem mesmo os animadores de parques infantis ou qualquer tipo de pessoa que é realmente bem paga para para 'ser feliz'.
E na maioria das vezes tal felicidade é direcionada para conquista do cliente.
De volta a felicidade capitalista.
Com tanta correria, com tantas preocupações e cobranças do que você deve ser ou não quem consegue realmente saber o que é e não é real?
Seja promovido, passe numa federal, agrade a tia que é fanática religiosa e o avô que é anticatolicismo...
O verbo sempre é o 'ser', seja o que eu planejei e se não for a sociedade irá dar um jeitinho de te excluir de perto de todos os certos.
O que é diferente assusta.
Não pinte o cabelo, não ponha piercings, não use drogas, seja bom em química, não transe, não seja gay, não se vista diferente dos padrões, não beba, não ande descalço, entregue os relatórios amanhã, vá na igreja aos domingos e lembre-se: eu te amo, mas lembre-se de ser o que eu quero que você seja.
Sinceramente acho que com tantas cobranças, eu sou muito mais triste do que feliz. E não desejo isso dar continuidade para uma sociedade que só caminha pra uma catástrofe clara e patética.
Umm dia todo mundo vai tomar tarja preta.

Morno confinamento

Posted on 14:56 In:

O telefone não vai tocar
e a porta não vai abrir,
o café está frio,
amanheceu dia claro
e nenhum de vocês
nunca esteve aqui.


O tempo me tira um cigarro
Coloca-o na boca
E passa de um dedo para o outro

As paredes clamam
Se estendem, mas logo você esquece de tudo
you're my rock n roll suicide

Você é jovem demais para perdê-lo
E você velho demais para perdê-la
E o relógio sempre espera tão pacientemente sua canção

Você passa por um café
Mas não há fome quando se vive muito
you're my rock n roll suicide

Os freios de chev estão rosnando
Enquanto deslizamos pela estrada
Mais um dia nasce
E você precisa correr pra casa

Não deixe a luz do sol arruinar sua sombra
Não deixe o leite derramar
Lave sua mente

Eles são tão naturais
Religiosamente cruéis
Mas não, meu amor
Você não esta só.

Sua cabeça está confusa
Mas posso tentar fazê-la sorrir.
Lave sua mente, meu amor
você não está só.

Não importa o que ou quem você foi
Não importa quanto tempo nem onde você esteve
you're my rock n roll suicide

Todas as facas parecem dilacerar seu cérebro
Eu tive minha cota
Lave sua mente, meu amor
Você não está só.

Apenas confie em mim
e não estará só
Apenas me dê sua mão, porque você é incrível
Me dê sua mão porque você é incrível, meu bem
Me dê sua mão...

Excesso de Perfumes

Posted on 14:48 In:

O tempo passou, e eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele.
Até que algo sensacional aconteceu.
Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher que eu acabei me tornando mulher demais para ele.

Ele quem mesmo?

A Fotografia de Hoje

Posted on 14:45 In:

Quem realmente Merece,
não me fará lamentar.
Quem ama Cuida.
E o que está no passado tem todos os motivos para Não fazer parte do meu presente.

Ponto final

Posted on 14:31 In:

É lamentável saber que vou ver você passar e não sentir cada milímetro do meu corpo arder e enjoar.
Mais lamentável ainda saber que vou ouvir sua voz ou olhar seu rosto e o resto do mundo não vai desaparecer.
O fim do amor consegue ser ainda mais lamentável que o nosso fim.

Viagem Distorcida

Posted on 10:51 In:

Bom dia Otelo,
quanto tempo já se foi não?
Quantas feridas mal curadas e cartas manchadas estão espalhadas na minha cama.
Não posso depender só de você pra me curar, nem pra sanar minhas novas sextas-feiras...
É tudo muito novo e fresco, e sinceramente acho que tenho diabetes do pior nível.
Só não vamos para Roma tão rapidamente tudo bem? Eu ainda estou tomando alta medicação e não posso beber.
Mas eu adoraria muito beber com você e com todos de novo em Roma!
Tudo vai melhorar, não se preocupe... Açucar nunca foi meu forte, muito menos cicatrizações...
Só não adoce tanto a minha vida, senão Frances Farmer logo aparece com sua caixa vermelha recheada de cartas antigas de um passado que mesmo doloroso, me leva a muitas lembranças... só não sei dizer ainda se foram boas ou ruins.
Não, não ligue pra mim! Só não se esqueça de Roma sim?
E eu prometo que nunca mais esquecerei de ler Shakespeare para você.

Águas*

Posted on 16:57 In:

A mentira que eu disse
A desculpa que criei
o silêncio que fiz
O grito acima do tom
A gargalhada de deboche
O sono de olhos abertos.

Se rezei pensando em outra coisa
Se amei pensando em tomar cerveja
Se fiquei anônimo diante da acusação
Se ocultei desejos populares
Se não li a bíblia novamente
Se elogiei o presente desagradável.

Contando que eu não tenha sido mau
Contando que eu não tenha tido espasmos
Que eu nem tenha pensado no inferno da falsidade
Que o grau de loucura tenha sido natural
E o álcool somente passatempo.

Que tudo fique inerte no ar como antena sem sinal.
Nedasto e horrendo, fiz tudo sabendo que o fazia.
Ninguém viu... Apenas as coisas viram.
As coisas tem olhos.
... e os olhos das coisas pesam mais que o peso delas.




*Texto retirado do script da peça Judite Insone, que será apresentada no dia 10 de Julho. Não sei de quem é.

Codinome Beija-Flor

Posted on 16:41 In:

Pra que mentir
Fingir que perdoou?
Tentar ficar amigos sem rancor?
A emoção acabou.
Que coincidência é o amor,
A nossa música nunca mais tocou...

Pra que usar de tanta educação?
Pra destilar terceiras intenções?
Desperdiçando o meu mel
Devagarzinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor...

Eu protegi o teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor
Pra qualquer um na rua, Beija-flor


Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor...


É tão patético, mas ao mesmo tempo tão belo!
Essa euforia constante e a minha incrível falta de atenção com tudo a minha volta, os pensamentos aleatórios e quanto mais eu sei mais tudo me instiga, o tempo escorre rapidamente sobre as nossas mãos.
Meus Deus! Em que mundo estou?
Porque a praça feia e pichada parece tão bela e ensolarada?
Porque eu esqueci de comer no almoço de segunda?
E porque raios eu passei sabonete íntimo na cabeça no lugar de shampoo?
Tic-tac, tic-tac, tic-tac...
E um dia eu juro, irei jogar esse relógio da janela, e talvez só por hoje eu tome uma dosagem a mais do remédio de dormir...
Quem sabe assim o tempo não passa mais rápido?
Quem sabe assim eu volte a racionalidade e perceba que estou fazendo tudo tão errado... Mas porque parece tão certo?
"Ouse, ouse... ouse tudo!"
Tem toda razão Lou Salomé, esse tal de amor nunca deu certo com as meus pobres rabiscos sujos.

Perfect

Posted on 09:53 In:

Eu sei que nós somos apenas velho amigos
e nós não podemos simplesmente fingir
que pessoas que se amam corrigem erros.
Nós somos razões tão irreais
e não podemos evitar de sentir que alguma coisa foi perdida.

Mas por favor, você sabe que você é como eu
e da próxima vez eu prometo que seremos perfeitos.
Perfeitos,
perfeitos estranhos abaixo do limite
Amantes fora do tempo.
Memórias desatadas.

Tudo tão longe, e eu continuo sabendo quem você é
mas agora eu desejo saber quem eu era...

Anjo, você sabe que não é o fim,
nós sempre seremos bons amigos
e todas as cartas serão enviadas.

Então por favor, você sempre foi tão livre!
Você verá, eu prometo que nós seremos
perfeitos.
Perfeitos estranhos quando nos conhecemos.
Estranhos na rua e amantes enquanto dormimos.

Perfeitos.
Você sabe que precisou ser assim.
Nós sempre fomos tão livres...
E um dia juramos poder ter sido
perfeitos.

Apaguem as luzes.

Posted on 16:49 In:

A apreensão é constante, e aquela curiosidade...
Às vezes uma mistura de saudade com a beleza fútil dos seus olhos.
A respiração é lenta, morna, porém de repente para completamente... Se segura pra mais um mergulho nas suas cartas manchadas, na apreensão de todos os olhares... Porque não se cegam? Porque não se cansam? Porque me seguem? Por quê?
E de repente, respiro.
Tudo volta lento e morno, porque o que era não será mais... e o que foi faz tempo que deixou de ser.
Na verdade, aquele triste canto de violinos não me comove mais.
E todo esse barulho mórbido, só faz a forca sufocar ainda mais lentamente.
Porém incessante.
O amor não basta.




Fui ver o lindíssimo filme do Pedro Almodóvar, o Fale com Ela, e saí pensando num conto da Carson McCullers, em que um homem conta que, antes de amar de novo uma mulher, ele estava aprendendo a amar as pedras, as árvores, as nuvens... Nesse grande filme de Almodóvar, vemos amores raros, feitos de entrega, feitos de compaixão, como uma "doação ilimitada a uma completa ingratidão", como escreveu Drummond, aliás, o poeta do amor impossível, que é o único e verdadeiro amor.

A vitória do Lula também foi uma fome de amor política contra a era da técnica racionalista. Seu governo pode virar até um crime passional ou um folhetim melodramático, mas, hoje, é um grande desejo de happy end para todo o povo. Por isso, pergunto: onde anda o amor? Até isso o mercado estragou?
Sim. O amor já teve um toque sagrado, a magia de uma inutilidade deliciosa, já foi um desafio ao dia-a-dia que nos tirava da vida comum.

Hoje, o amor, como tudo, está perdendo a transcendência. Não existe mais o amante definhando de solidão, nem Romeus nem Julietas, nem pactos de morte, não existe mais o amor nos levando para uma galáxia remota, não existe mais a simbiose que nos transportava a uma eternidade semi-religiosa. O amor tinha uma fome de bondade, de compaixão pelo outro, de proteção à pessoa amada. Isso está acabando. O amor já foi analisado por todas as ciências, a psicanálise mapeou as loucuras que estão sob sua poética, o ritmo do tempo atual acelerou o amor, o dinheiro contabilizou o amor, matando seu mistério impalpável. Hoje, temos controle, sabemos por que "amamos", temos medo de nos perder no amor e fracassar no mercado. O amor pode atrapalhar a produção.

Por isso, o filme de Almodóvar é tão belo e oportuno. Temos de fazer filmes assim, cheios de amor, sem efeitos, sem denúncias. Se eu, um dia, filmar de novo, será para celebrar o silêncio dos amantes ou a beleza do inútil. O amor perdeu a gratuidade, as pessoas "amam" por desejo de ter um amor que não sentem mais. O amor não tem mais porto, não tem onde ancorar, não tem mais a família nuclear para se abrigar, não tem mais a utilidade do sacrifício pelo "outro". O amor ficou pelas ruas, em busca de objeto, esfarrapado, sem rumo. Não temos mais músicas românticas, nem o lento perder-se dentro de "olhos de ressaca", nem nas "pernas de Fulana", nem temos as bocas beijadas por amantes "tutti tremanti", nem o formicida com guaraná. Não se diz mais: "Deus sabe quanto amei!...", mas "Deus nem sabe quantos (as) amei..."

A publicidade devastou o amor, falando na "gasolina que eu amo" ("Shell que j'aime"), no sabonete que faz amar, na cerveja que seduz. Há uma obscenidade flutuando no ar o tempo todo, uma propaganda difusa do sexo impossível de cumprir. Como comer todas as moças da lingerie e do xampu, como atingir um orgasmo pleno e definitivo? A sexualidade total, por si só, levaria a uma assexualização desértica. A sexualidade é finita, não há mais o que inventar. Já o amor, não... O amor vive da incompletude e esse vazio justifica a poesia da entrega. Ser impossível é sua grande beleza. Claro que o amor é também feito de egoísmos, de narcisismos mas, ainda assim, ele busca uma grandeza - mesmo no crime de amor há um terrível sonho de plenitude. Amar exige coragem e hoje somos todos covardes.

Amor e sexo. Mas, hoje o mercado exige a satisfação total no amor ou o dinheiro de volta.

Como isso é impossível, deriva para o sexo ou para a sedução. O amor passa a buscar não mais uma entrega, mas um domínio. O amor vira um objeto de consumo, fast-love, com obsolescência programada para durar pouco. O amor deixa muito a desejar. Em geral, o amor existe hoje como uma espécie de adoçante para justificar, legitimar uma tesão ou uma conquista. Os amores duram três edições de Caras. Os casais se permutam num troca-troca rápido e quantitativo. As próprias mulheres estão virando dom-juans. Vejam o périplo de jovens atrizes que vão comendo, um por um, os modelos que surgem nas revistas, elas, que deviam se manter damas inatingíveis para pálidos quixotes românticos.

Estamos com fome de amor cortês, num mundo em que tudo perdeu aura. O terrível bombardeio que a cultura americana está fazendo nos sentimentos é invisível, mas é pior que as bombas contra o Iraque. A cultura americana está criando um desencantamento insuportável na vida social. Tudo é tolerável, num arrasamento de mistérios. Vejam a arte tratada como algo desnecessário, sem lugar, sem uso, vejam as mulheres amontoadas na internet, nuas, com números - basta clicar e chamar. Estamos com fome de infinito em tudo, na vida, na política, no sexo. Por isso, o filme de Almodóvar, cheio de compaixão sussurrada, apoiada na trêmula beleza dos balés de Pina Bausch e no Caetano cantando um pranto dolorido, parece um segredo religioso, uma saudade inexplicável de alguma coisa que existe aquém, antes da vida.

Nos anos 60, liberdade sexual foi uma questão política. Hoje, podemos tudo, podemos casar até com jacarés ou macacas, sem escândalos, desde que não prejudique a produção. Mas, o que invisivelmente está virando uma nova necessidade política é o amor e seus subprodutos: compaixão, paz, justiça.

Aposto que virá aí um novo "desbunde", um novo movimento hippie, sem utilidade, mas sem melancolia autodestrutiva, vêm aí marchas pelo amor, porque ninguém está agüentando mais somente "utilidade" e "desempenho", poder e sucesso. Estamos virando coisas. Precisamos aprender a amar de novo as pedras, as árvores, as nuvens, até chegarmos a nós mesmos... E acho que isso vai surgir na América, como foi nos anos 60 - a luta pelos direitos civis será agora a luta pela beleza da inutilidade.


Você volta assim tão de repente,
Me dá a sensação de que nada se perdeu nem nada se foi...
É como se o tempo que eu fiquei longe de você, não fosse tempo, não fosse nada, apenas algum estado vegetativo qualquer...
O que importa?
Eu estava mortamente feliz antes de você voltar, e eu poderia realmente fingir viver o resto da minha vida assim se não fosse por você, se não fosse por todas aquelas bebidas quentes, por todas as horas de conversas que são tão inutilmente importantes.
Porque você me ressuscitou?
Foi tão mais fácil te matar, foi tão mais fácil nos matarem...
KCl*, ninguém nunca descobrirá o culpado não é?
Mas tem algo além da morte, que não deixou que fôssemos embora de vez,
Algo além dessa ressurreição, além das mentiras e de todos os dias se afogando nas dúvidas e porquês que só me levaram a crer enfim, que a morte não é tudo.
É melhor que você seja o único que carrega a minha verdade, porque o resto do mundo realmente não importa mais...
Porque descobri que KCl não me mata, só me engrandece.

*KCl = O veneno bruto e liofilizado de Bothrops leucurus.


Quando a música termina,
Apagamos as luzes,
Apague as luzes!

Dance no fogo como você sempre sonhou,
A música é sua única companhia
Até o final.

Cancele a minha assinatura para a ressurreição
E mande minhas credenciais para aquela casa de detenção
Talvez lá ainda me restaram alguns amigos

O rosto no espelho não vai parar de se questionar
A garota na janela não vai pular

"Estamos VIVOS!" ele gritou
Antes que eu mergulhe
No grande sono e ele me convide pra entrar,
Eu quero ouvir
Todos os gritos que nos pertencem.

Quando a música termina,
Apagamos as luzes,
Apague as luzes!

Volte, querida.
Volte para os meus braços, ele disse.
Não está ficando cansada de esperar nossas cabeças rolarem no chão?

O que eles fizeram com a Terra?
O que eles fizeram com nossa honestidade?
Destruiram, roubaram, estriparam-na e deram mordidas
Enfiaram nela navalhas ao amanhecer
Amarraram-na com cercas e arrastaram-na para campos de contração.

Eu ouço sua canção
E nós queremos o mundo e nós queremos...
Agora?
Agora!

Então quando a música termina,
Apagamos as luzes,
Apague as luzes!
Apague as luzes e dance no fogo como sempre sonhou!
Até o fim
Até o fim...

A Verdade Dói

Posted on 17:57 In:

Trair?
Alguns toleram demais, outros de menos...
Eu sinceramente não sei em que caminho estou.
Mas o que é trair?
Segundo Milan Kundera:
"Trair é sair da ordem e partir para o desconhecido."
Ah... ele não conhece nada mais belo que partir para o desconhecido.
Como é livre!
-Isso machuca muito?- me perguntaram uma vez-
-Sufoca- respondi-
Talvez pelo fato de que somos todos espertos e sabemos muito bem o que fazer, porém o que há pra se fazer? Quando nossos desejos mais profundos nos indicam que também desejamos mais do que tudo partir para o desconhecido.
Viver nas sombras nos dá segurança, mas nunca aquele êxtase dos corajosos viajantes.
Já quis ser Lara, mas tenho sentimentos demais e um conceito muito fraco de solidão.
Eu tenho você e você tem a mim, e é assim que a máquina funciona, e é assim que nos sentimos desesperadamente seguros e protegidos...
até a verdade aparecer e furar nossa linda bolha de plástico, mesmo que de maneiras forçadas e sujas ela aparece.
Não, definitivamente não me orgulho de nenhum dos meus atos, mas minha criatividade, minhas impressões, me instigam a pesquisar tudo mais fundo e mais fundo, até cair num poço de verdade escura.
E a verdade realmente dói minha criança.


Todo invento da imaginação do ator deve ser minuciosamente elaborado e solidamente erguido sobre uma base de fatos.
Deve estar apto a responder a todas as perguntas (quando, onde, por quê, como) que ele fizer a si mesmo enquanto incita suas faculdades inventivas a produzir uma visão, cada vez mais definida, de uma existência de "faz-de-conta".
Algumas vezes não terá de desenvolver todo esse esforço consciente, intelectual. Sua imaginação pode trabalhar intuitivamente. Mas vocês mesmos já viram, por experiência própria, que não se pode contar com isso. Imaginar em geral, sem um tema bem definido e cabalmente fundamentado, é trabalho infrutífero.
Por outro lado, uma atitude consciente, arrazoada, para com a imaginação, produz, muitas vezes, uma apresentação falsificada e anêmica.
Para o teatro isso não serve.
Nossa arte requer que a natureza inteira do ator esteja envolvida, que ele se entregue ao papel, tanto de corpo como de espírito. Deve sentir o desafio à ação, tanto física quanto intelectualmente, porque a imaginação, carecendo de substância ou corpo, é capaz de afetar, por reflexo, a nossa natureza física, fazendo-a agir. Essa faculdade é da maior importância em nossa técnica de emoção.
Portanto: cada movimento que vocês fazem em cena, cada palavra que dizem, é resultado da vida certa das suas imaginações.
Se pronunciarem alguma fala ou fizerem alguma coisa, mecanicamente, sem compreender plenamente quem são, de onde vieram, por quê, o que querem, para onde vão e que farão quando chegarem lá, estarão representando sem a imaginação. Esse período, quer seja curto, quer longo, será irreal e vocês não passarão autômatos, de máquinas às quais se deu corda.
Se eu, agora, lhes perguntar uma coisa perfeitamente simples: -hoje faz frio?- antes de responder, mesmo com um "sim" ou "não faz frio", vocês, nas suas imaginações, terão de voltar à rua e lembrar como vieram, a pé, ou por algum transporte. Devem por à prova as suas sensações, recordando como estavam agasalhadas as pessoas que encontraram, como levantavam a gola, como a neve rangia sob os seus pés. E só então poderão responder à minha pergunta.
Se obedecerem, rigorosamente, a esta regra em todos os seus exercícios, pertençam ele à parte do noddo programa que pertencerem, verão como se desenvolvem e como ganham força as suas imaginações.

síndrome de munchausen

Posted on 10:27 In:

Ele tem síndrome de munchausen,
ele tem excesso de saliva
excesso de olhares.
Nunca necessitou que tudo mudasse,
sempre almejou os mesmos ares sem sabores.

Ele vive no excesso,
dia e segundos cronometrados
sempre se perguntando:
como escapar desse labirinto solitário?


No final de todas as suas grandes conquistas
tudo que ele irá desejar é ser puxado de volta
por aquele sedento cordão umbilical

Mas e os nossos velhos órgãos,
que apesar de tudo,
formaram um dia outros tipos de tecidos e cordões?

Nossa pequena conexão,
agora obstruída e seca,
é tão fraca que só sabe chorar.
Chora mansa e quieta, porque ninguém mais a vê
Chora as pressas para ter tempo de chorar
Porém ainda chora,
tem síndrome de munchausen.

Colcha de Retalhos

Posted on 14:09 In:

Não há mais sonetos, contos ou poesias no quarto.
No ventre das noites, ela só pensa em todas as suas antigas cartas, enterradas num baú infeliz em algum lugar.
Escondida na colcha velha e surrada, perto da janela, a lua cai com o grito do vento.
O óculos torto de aro preto se quebrou ao ouvir todas as canções da moça bonita de chapéu, que um dia cantou no pé daquela cama.
Por que ela não canta mais?
Pode ser que não haja nem ao menos amor, mas nos contetamos por não haver mais dor. Todas as lembranças de mágoa foram substituídas pela grande sensação de fracasso dos vários fracassos.
A colcha está repleta de falhas.
Adeus Sonetos!
O baú sumiu, a madeira que sobrou foi levada para a velha casinha na colina que pertencia a Lou Salomé e Nietzsche.
Lá algumas lembranças ainda vivem, assim como um dia viveremos conectados por mente e alma. Até que a morte nos separe, amém.
Os frutos de todas as nossas macieiras serão drenados em cada pequena palavra sábia gravada na madeira dos aposentos... perto do bosque.
Menos um soneto para aquela interminável colcha de retalho!
E assim, finalmente, Otelo matou Desdêmona.



A minha imaginação tem iniciativa?
Será sugestionável?
Desenvolver-se-á espontaneamente?

Estas perguntas não me deram trégua. Tarde da noite tranquei-me no quarto, instalei-me confortavelmente no sofá, rodeado de travesseiros, fehei os olhos e comecei a improvisar. Mas minha atenção distraiu-se com umas manchas coloridas, redondas, que ficavam passando diante das minhas pálpebras fechadas.
Apaguei a luz, julgando ser ela a causa dessas sensações.
Em que deveria pensar? Minha imaginação revelou-mee árvores numa grande floresta de piheiros, movendo-se com brandura e ritmo, sob uma brisa suave. Podia sentir o cheiro do ar fresco.
Por que... nesta serenidade toda... estou escutando o tique-taque de um relógio?
Eu tinha ferrado no sono!
Ora, está claro, compreendi, eu não devia imaginar coisas sem propósito.
Portanto, subi num avião, por sobre a copa das árvores, voando sobre elas, sobre os campos, rios, cidades... tique-taque, faz o relógio. Quem é esse, roncando? Não pode ser eu... será que cochilei?... será que dormi muito?... o relógio bate as oito...

Por trás das lentes é melhor.

Posted on 21:14 In:


Eu nunca entendi o que a música Frances Farmer Will Have Her Revenge On Seattle do Nirvana queria dizer quando no refrão Kurt lamenta: "Eu sinto falta do conforto de estar triste"
Na verdade, todos pensamos: é ele era um suicída, gostava de estar assim, não teve outro jeito né? melancólico forever novo emo.
Como somos estúpidos ao julgar alguém que tinha uma mente brilhante como a dessas pessoas.
Gênios que se afastaram tanto da realidade, desse mundo cheio de pessoas que não se permitem sentir nada de verdadeiro, um só segundo. Se culpam por tudo que fazem que pode não se encaixar nos padrões.
Por baixo das lentes manipuladores, Nietzsche foi considerado louco, e tudo começou quando chorou por um animal apanhando sem dó pelo seu dono. Tudo começou quando fez alguma coisa contra as pessoas que vivem dentro desse nosso padrão clichê de mesmice retrógrada.
As vezes tudo é tão forte, e tão real demais, que nos acostumamos com tudo e não podemos nem ao menos sentir de verdade nosso lamento com tudo a nossa volta que está errado. Todas as coisas que queremos mudar pra valer, que tentamos e fracassamos e tentamos novamente pra cair de novo, e de novo.
É mais fácil quando você é o estranho que não se encaixa, mas que pode facilmente fingir (Dumb - Nirvana). É fácil fingir ser como eles, mas é difícil quando você não consegue sair do mundo deles onde tudo é proibido, todos os sentimentos e expressões.
Era mais fácil me afogar em amargura do que não ser capaz de sentir mais.
No meu caso, eu ainda podia sonhar, e ir para um mundo onde nada era real, onde a moça de chapéu engraçado cantava belas histórias do lado da minha cama me fazendo dormir nos mais profundos e reais sonhos.
Voando dessa realidade contida com Kurt Cobain e Nietzsche.

E assim Perséfone* ainda sonha

Posted on 18:32 In:

"Eu não sei me conter, não é?
Dê-me vinho, eu bebo tudo e jogo a garrafa no mundo.
Aqui vou eu, arrastando-me do mundo...
Com minha saliva fresca sobre a Bíblia."


[...]

Acordei com frio. A frase ainda na mente. Havia sonhado, de novo, com o trecho do filme O Libertino. Na verdade meus sonhos andavam estranhos, eu estava decorando o preâmbulo e o epílogo desse filme. Não foi brincadeira, já aconteceu com outras coisas, mas nunca com textos tão longos, e esse era quase toda noite.
Nesses momentos, em que eu acordava meio fora do mundo, eu não conseguia me olhar no espelho. Meu corpo inteiro ficava vermelho vivo e coçava muito, como uma viciada em heroína que no lugar da heroína tinha overdoses de sonhos.
Sentia uma leve pressão no meu peito, sufocante, minha garganta doía.
As vezes era tão forte, que eu achava ainda meio dormindo, que iria morrer assim como o personagem do filme. Não ficava triste nem aterrorizada, era só uma sensação pós sonho intenso.
Mas na maioria das vezes, ligava essa sensação, ao fato dessas insônias noturnas me darem a impressão que eu estava velha. Eu me sentia velha de todas as formas, menos da mais básica, minha imagem virtual.
Eu me olhava no espelho, via uma jovem. Não, não podia ser eu, aquele corpo quase adulto quase infantil não podia ser o meu.
Passava uma água no rosto e acordava um pouco. Pensava: eu gosto da minha aparência, mesmo mudando tanto esse cabelo, eu até gosto dele. Mas porque a nesses momentos de insônia eu penso assim? E todas as noites isso acontecia tão rápido! Essa 'mutação' se é que posso chamar assim. Eu estava com a imagem errada, tinha vontade de gritar que eu tinha 23 anos pra garota. Dizer pra ela que todos aqueles rapazes e amigos eram errados, tudo era jovem demais, e falavam demais. Aquela época não se calava.
De manhã o pesadelo acabava e eu n sentia nem um pingo dessas impressões até que em alguma noite eu acordasse de novo recitando quem sabe Shakespeare?
Eu ia ao shopping, as festas legalizadas e sem graça e adorava. Eu era jovem e queria ser sempre assim, a velhice só me lembrava da pressão sufocante no peito e das noites em frente o espelho.
Será que aquilo tudo era real?
Escancarava a janela, anoitecia e me faltava ar.
Sufocava a noite nos sonhos da mulher dançando nua na enorme casa vazia e tinha inveja do seu desprendimento da juventude.
Juventude clichê, sem nada na cabeça além das luzes na ponta do cabelo e bonezinho diesel na cabeça. Só acham o que os outros acham, só leram Código da Vinci e Harry Potter. Só se emocionaram vendo Um Amor Pra Recordar e riram assistindo a comédia As Branquelas. Consideram Madonna música antiga e amam Rebelde. Malhação? Big Brother? Programas obrigatórios para não faltar assunto com os seus. Festas? Chamam de balada e é Psy, Trance e Raggae. Fim de semana? Shopping. Literatura? Algum trecho de uma poesia de Fernando Pessoa tirado do msn ou fotolog de alguém.
Apesar de tudo são seres pretensiosos, filosóficos sem fundamentos concretos e sem nenhum pensamento interessante a passar uns pros outros.

(Será que fui eu, Alice, quem disse isso?)
Por que as pessoas ainda querem ser assim?




*Perséfone: Esposa de Hades. Comandava o mundo inferior a seu lado.

Pálida Ausência

Posted on 17:28 In:

As vezes eu pensava em tudo que ele havia feito pra mim, parecia simples, muito simples. Mas não foi apenas um se afastar do outro, mudou toda a minha vida e toda a confiança que eu depositava nas pessoas.
Antes deu sentir ódio profundo, eu sempre tinha vontade de procurá-lo ou até mesmo saber como ele estava. Por incrível que pareça, eu me preocupava de verdade.
Talvez por saber que ele não fez tudo sozinho, e mesmo se dando de vítima no final e presente, é aquele velho ditado: você se magoa mais com os que mais ama.
As vezes eu passava horas me deliciando com ameaças chantagistas e sem graça que eu nunca faria, mas era bom imaginar palavra por palavra que eu diria a ele.
Uma vez, tive um mórbido pensamento, que ainda não sei o porquê levei a fundo. Pensei em deixar um bilhete, verdadeiro, com todas as minhas ameaças e mágoas escritas numa frase curta e simples.
Um belo exemplo dos pensamentos sem graça que eu me metia, e uma hipótese sem fundamentos, claro. Eu não iria fazer nada disso, havia tempos que não ousava me aproximar da vida dele mais, mas por curiosidade, poderia ser melhor que qualquer conversa com qualquer pessoa.
Então resolvi ir a fundo na e escrever o tal bilhete, que por fim virou carta:

(Antes de tudo o nome dele estaria do envelope lacrado)
"Poisé, aqui estou eu, me arrastando das pessoas com ódio fresco na saliva (bem filme trash, mas foi muito bom confesso).
Me chame de fraca se quiser, mas me chame de tudo que não pode mais me chamar. (Toda carta nesse estilo tem uma frase assim)
Não teve um só dia que não te odiei, e te arranquei daquele imenso pedestral que te coloquei na mais pura cegueira e ingenuidade.
Eu nunca fui nada pra você, e hoje sei bem disso. A verdade eu que eu sempre soube e fingia que não era bem assim... que era seu jeito ou que você mudaria.
As pessoas não mudam.
Então é isso.
Desejo com toda a sinceridade que ainda me resta que você nunca seja feliz e nunca esqueça que eu vou te odiar, sempre."

Nessa noite, senti que fui longe demais com todos esses pensamentos cheios de ódio e rancor manchados em toda a confiança que eu tinha nas pessoas.