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About a Girl

Minha foto
"Nasci em 1992, no interior do estado. A dança-teatro e o cinema formaram meu primeiro imaginário: a palavra vinha como complemento das imagens. Quando descobri os livros, bem cedo, aceitei-os apenas como o lugar das palavras e das idéias, vendo as imagens a que remetiam ou sugeriam, como fantasmas imponderáveis e sem substância, descabidos, impróprios para aquele tipo de veículo. Quando me pedem que fale de mim mesma, sinto o incômodo, pergunto: que imagem devo projetar? Tenho tantas. Acho que a melhor para o caso é a que passo nos próprios posts, de alguém que escreve mas não acredita nos fantasmas das palavras, embora eles sejam inevitáveis. E a melhor forma de conviver sem temor com essas fantasias é jogar com elas, torná-las risíveis, desautorizá-las, de modo a evitar o poder técnico abusivo que tem quem escreve, para iludir o leitor."

Aos destinatários destas palavras

"Pra dilatarmos a alma
Temos que nos desfazer
Pra nos tornarmos imortais
A gente tem que aprender a morrer
Com tudo aquilo que fomos
E tudo aquilo que somos nós"


O Teatro Mágico

Quem lê

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Foi

Posted on 04:40 In:




























Faz tempo que estou sem palavras.
Nada fora do comum quando se vive alheia à prescrição do que a vida manda.
Minha vida seguia num rumo só lentamente (sem olhar pros lados)... Posso afirmar que isso terminou hoje - quando o vi com as malas nas mãos -.
Ele esvaziava o guarda-roupa e punha tudo na mala.
Enquanto eu estava ali.
Ele limpava o criado; tirava as gavetas, os livros, filmes e o velho xadrez.
Enquanto isso, eu ainda estava ali com o olhar mais fixo do que nunca.
Quando finalmente guardou os cinzeiros e os cigarros, era impossível esconder de mim mesma que estava realmente indo embora. Mas foi possível deixar as lágrimas rolarem secretamente no quarto felizmente tão escuro.
Que além de escuro tornou-se vazio... abafado... morto.
Eu não conseguia lidar com a falta dos livros e dos cigarros, arruinavam a peça e descaracterizavam os atores...
A cortina não podia se fechar.
Eu ainda estava ali... mas dessa vez a cama era imensa e eu fechava os olhos, pedindo pra conseguir dormir e me perguntando o por que tínhamos de seguir caminhos tão distantes.

Vidro

Posted on 17:17 In:





















Eu não pertenço a você.
Não sou de seu direito ou posse.
Não sou sua boneca, seu objeto de vidro inestimável.
Eu estou livre, eu tenho sonhos e por enquanto eu ainda sinto.
Eu nunca me senti presa com você, e isso sempre me fez te amar cada vez mais... mas hoje eu pude perceber que você, no seu vago silêncio, começa a me afogar.
Me mantém no escuro, "sem rumo e entre seres vazios".

Lúcio

Posted on 06:58 In:





















"Algumas coisas só precisam ser realizadas, a breve sensação de realização, do inesperado e até do mistíco impenetrável."
Foi o que Lúcio me disse depois de tomar mais da metade da cartela de um remédio que ele nem fazia idéia do que era. Só sabia que era sua, sua vida, sua impenetrável vida. E ele fazia dela o que bem entender.
O quarto estava todo quebrado, o porta retrato amassado de tantas reviravoltas de sentimentos com os presentes na foto. Quebrado, remendado, quebrado, remendado... já virara rotina.
Mas será que assim como o porta retrato, seus pensamentos frustrantes e falhos de morrer caíriam também na sua fúnebre rotina?
Felizmente, ou talvez não, o remédio não fez efeito algum, além de uma forte dor de estômago e insônia.
Talvez, algo o fez ficar. Talvez ele devesse viver. Mas não consigo lhe responder o porquê, e cada vez que eu vejo seus olhos desesperados me perguntando, me questionando, procurando a solução nos meus... me sinto a pior das criaturas do mundo.
Porque alguém merece tais sentimentos?
Eu disse que não posso colar os cacos de vidro do seu espelho, nem posso lhe livrar dos pensamentos mórbidos... frequentes.
Mas o que me faz pensar que sou tão diferente assim dele? O que o fez pensar que é tão diferente de mim? Será que em cada um de nós existe um Lúcio que um dia chega no fundo do poço e no outro retorna? Mas e o que acontece com pessoas como Lúcio que caem nesse poço e sinplesmente não conseguem retornam?

O Fim não tem Fim

Posted on 23:18 In:




















Hoje de manhã, como todo dia, tomei um banho e comecei a arrumar a casa ouvindo música. De repente me deparo com uma frase sendo repetida várias vezes: "The end has no end.../O fim não tem fim..)".
Nesse momento, comecei a ir a fundo nessa frase e interpretar seu significado dentro das relações humanas e de minha própria vida. No mesmo instante, a primeira coisa que me veio a cabeça foi um rosto antigo e cheio de rancor que tive de rever ontem durante toda a noite...
Não é simples ignorar as pessoas que guardamos inimizade. Não gosto, e nem pretendo me manter fria a ponto de ignorar alguém - mesmo pessoas que já causaram profundo dano algum dia na minha vida.

O fim não tem fim, pois o próprio fim significa o começo de uma atenção negativa voltada pra alguém. Aquela pessoa sempre estará lá, conseguirá finalmente ser importante, ter atenção, mesmo que negativamente.

O fim prolongado também me fez lembrar outras pessoas que não vejo há quase um ano, e não tenho vontade de ver um dia sequer. Mas continuam sendo pessoas que são capazes de entrar na minha vida todos os dias por meio de lembranças ocasionadas novamente pelo fim.
Nunca gostei de tais lembranças, mas eu sei que são necessárias. Como também sei que um dia elas finalmente irão embora pra nunca mais voltarem.
Mas o fim também pode ter seu lado bom.
Foi o fim que me trouxe de volta o brilho nos olhos, levando pra longe todo o peso de um olhar avelã e trazendo de volta consigo um sentimento terno escondido em jabuticabas, que nunca imaginei um dia sequer ser capaz de encontrar.
O fim me trouxe o começo de muitos dias em antigos jardins de outrora.

Calendário

Posted on 21:57 In:



















Está quente aqui acolhida entre seus braços e abraços.
Queria neste dia olhar bem pros seus olhos, porque você não me sentes como eu te sinto, e tudo devido a uma cegueira incontrolável asfixiada por subjeções.
Porque eu sei em mim que o que é teu ainda não me pertence.
Na dor do meu prazer coberto pela percepção de que a partida está próxima, e ela é triste no meu anseio maior.
Já sei que em pouco tempo vou acordar e o corpo que eu conheci tão bem, não vai lá estar no quente dos lençois. Mas só por baixo do meu corpo frio de saudade.
Já sei que as minhas mãos são duras para a pessoa em que me tornei na minha frieza face plantada à falsos sorrisos.
Não sei viver mas sei fingir, abrigo-me à sombra da minha força que ainda não existe e por mais lágrimas que largue no chão - sem chão - deste trapézio que é só meu, eu sei que desta queda - que não é queda e só me fez escorregar - eu só vou me levantar mais alta.
Eu sei que no carinho que te tenho - e sempre tive - me levanto desta cama hoje com a certeza de ser em mim aquilo que sou: tão maior, tão mais forte e tão mais alta.

Esta será só a primeira de muitas noites que virão.

Posted on 01:06
















Não acredito mais no tão debatido "free love".

Pensamentos

Posted on 21:28 In:

Se Shakespeare nunca houvesse existido, perguntou-se, seria hoje o mundo muito diferente do que é? Será que o progresso da civilização depende dos grandes homens? Seria o destino do ser humano médio melhor hoje do que no tempo dos faraós? Contudo, continuou se indagando, será o destino do ser humano médio o critério para julgarmos a civilização?
Possivelmente não. Possivelmente o bem-estar da humanidade exige a existência de uma classe de escravos. O ascensorista do metrô é uma necessidade eterna.
Esse pensamento lhe foi desagradável. Sacudiu a cabeça. Para evitálo, acharia algum mode de se opor à superioridade das artes. Argumentaria que o mundo existe para o ser humano médio, que as artes são mero adorno imposto à vida humana e que não a expressam.
Nem Shakespeare é necessário. Sem saber precisamente por que queria desprezar Shakespeare e chegar à libertação daquele homem que fica eternamente à porta do elevador, arrancou bruscamente uma folha da sebe como um homem que se estica, no seu cavalo, para pegar um ramo de rosas ou encher os bolsos com nozes, trotando à vontade através das planícies e campos de um lugar conhecido desde a infância. Tudo lhe era familiar; essa curva, essa cancela, aquele atalho através dos campos. Passaria horas seguidas numa noite pensando assim, com seu cachimbo, vagando de um lado para o outro nas velhas e familiares planícies e pastos, que identificava pela história de uma campanha aqui, a vida de um homem de Estado mais adiante, por poemas e anedotas, e também por figuras ilustres, por este pensador, aquele soldado; tudo muito rápido e claro; mas por fim a planície, o campo, o pasto, a nogueira cheia de frutos e a sebe florida o levavam além da curva da estrada, onde sempre desmontava do cavalo, amarrava-o a uma árvore e prosseguia a pé, sozinho.
Era seu poder, seu dom, dispersar todas as superficialidades, encolher e diminuir, parecendo mais despojado e se sentindo até fisicamente poupado, sem contudo perder nada da intensidade de sua mente. Permanecendo de pé ali, naquela ponta de terra, voltado para a escuridão da ignorância humana, pensava que nada sabemos e em como o mar corrói o solo onde estamos - era esse seu destino, de todos os gestos e superficialidades, todos os troféus de nozes e rosas, tendo mirrado tanto, que se esquecera de seu próprio nome, manteve, mesmo naquele deserto, uma vigilância que não dispensava nenhuma imagem, nem se dispersava em visão alguma.

- Mas o pai de oito filhos não tem outra alternativa... - murmorou a meia voz. Deteve-se, voltou-se, suspirou e, erguendo os olhos, procurou a figura de sua esposa contando histórias para seu filho pequeno; encheu o cachimbo. Fugiu à visão da ignorância humana, do destino humano e do mar corroendo a terra onde pisamos, e que, fosse ele capaz de encarar fixamente, talvez tivesse levado a algum resultado; e econtrou consolo em insignificâncias tão pequenas, se comparadas com o magnífico tema que tivera diante dos olhos ainda há pouco, que se sentiu inclinado a reprovar esse consolo, desvalorizá-lo, como se o fato de ser apanhado feliz num mundo de misérias, para um homem honrado, constituísse o mais desprezível dos crimes. Era verdade; ele era quase completamente feliz; tinha sua esposa; tinha seus filhos; prometera que dali a seis semanas diria "algumas tolices" aos jovens de Cardiff sobre Locke, Hume, Berkeley e as causas da Revolução Francesa.
Mas isso, e o prazer que lhe proporcionava, as frases que compunha, o ardor da juventude, a beleza de sua mulher - tudo tinha de ser desvalorizado e dissimulado sob a frase "dizer tolices", porque, com efeito, não fizera o que poderia ter feito. Era um disfarce; era o refúgio de um homem que temia se apoderar de seus próprios sentimentos, que não podia dizer: É disso que eu gosto, é isto o que sou; e isso parecia bastante lastimável e desagradável a William Bankes e Lily Briscoe, que se perguntavam por que ele precisava dessas dissimulações, por que precisava sempre de elogios, por que um homem tão valente no terreno do pensamento era tão tímido na vida, e pensavam como ele era estranhamente respeitável e ridículo ao mesmo tempo.






























Quem culparia o capitão da esquadra condenada se, tendo-se aventurado ao máximo e esgotado toda a sua força, e tendo adormecido sem pensar muito se acordaria ou não, agora percebesse, por uma comichão nos dedos dos pés, que ainda vivia?
Em geral, não tinha objeção alguma quanto a viver; exigia apenas simpatia e uísque, e alguém para ouvir a história de seu sofrimento naquele mesmo instante.
Quem o culparia? Quem não se rejubilaria secretamente quando o herói tirasse sua armadura e, parando sobre junto à janela, olhasse sua mulher e seu filho - a princípio muito distantes, mas gradualmente se aproximando, até que lábios, livro e cabeça surgissem nitidamente diante de si, embora ainda adoráveis e estranhos devido à intensidade da solidão dele, ao passar dos séculos e ao findar das estrelas -, e, finalmente, colocando o cachimbo no bolso, curvasse sua cabeça diante da mulher? Quem o culparia se ele prestasse homenagem à beleza do mundo?





























Em algum momento de intimidade - quando histórias de grandes paixões, de amores malogrados, de ambições contrariadas se apresentavam a ela - poderia ter falado sobre quem conhecera, ou o que sentira e passara, mas nunca dissera nada. Estava sempre em silêncio.
Nesses instantes sabia - sabia sem ter aprendido. Sua simplicidade penetrava no que as pessoas hábeis falsificavam. A sinceridade de seu espírito a fazia dirigir-se às pessoas tão diretamente como um fio de prumo, e pousar sobre seu objetivo com a exatidão de um pássaro, o que dava a ela normalmente essa inclinação para a verdade que deleitava, tranquilizava, sustentava - falsamente talvez.

***

"Mas ela sabe menos da própria beleza que uma criança", dissera o sr. Bankes ao pousar o receptor, atravessando a sala para ver o progresso dos trabalhadores no hotel em construção atrás de sua casa.
Assim, se pensava apenas em sua beleza, precisava lembrar-se dessa vitalidade, dessa agitação (os operários carregavam tijolos por uma prancha enquanto os olhava), e integrá-las na sua imagem; ou caso se pensasse nela apenas como uma mulher, era preciso dotá-la de uma certa excentricidade idiossincrásica; ou supor nela um desejo latente de se libertar da realeza de sua forma, como se a sua beleza e tudo o que os homens diziam sobre ela a aborrecessem, e ela quisesse ser tão-somente como os outros: insignificante.
Ele não sabia.

Rapsódia

Posted on 19:59 In:





















Os olhos dela, translúcidos de emoção, arrogantes de trágica intensidade, encontraram os dele por um segundo e pestanejaram à beira do reconhecimento; mas então, esboçando um gesto até o rosto, como para afastar, expulsar, numa agustiante e persistente vergonha, o olhar deles, que era absolutamente normal, Ramsay pareceu implorar-lhes que refreassem por um momento o que ele sabia ser inevitável, como se impusesse a eles seu próprio ressentimento infantil por ter sido interrompido.
Contudo, mesmo no momento da revelação, não seria completamente destroçado, estava decidido a reter algo dessa deliciosa emoção - essa impura rapsódia de que se envergonhava, mas com a qual se deleitava.

Palavras não são tudo

Posted on 08:30 In:





















Por mais que seja fácil odiar alguém ou suas ações, perdoar pode ser bem mais simples do que parece.
A questão é apenas o quanto você se importa e ama quem errou.
Hoje de manhã, após relembrar uma longa conversa noturna, percebi que a questão não é apenas não sentir nada pelo que o outro fez, ou simplesmente não se importar...
Tem pessoas que ocupam um lugar tão vasto em nossas vidas, que já estão perdoadas antes mesmo de pisarem na bola.
Mas só porque alguém diz que sente muito não significa que o erro nunca existiu.
Não é simplesmente só perdoar. E o que fica? Ou indo um pouco além, o que não fica?
Perdemos confiança, respeito e lealdade. Sobram apenas escombros: insegurança, anseio e uma angustia corrosiva no peito: será que vai acontecer de novo?
Aprendi da pior forma, que as pessoas na primeira chance que tiverem, agirão de forma desprezível. Principalmente se houver um rápido perdão.
Parece frio, mas acreditem, não é. Afinal, ninguém comete o mesmo erro duas vezes, se da primeira vez estiver sido claramente exposto e análisado - para quem o cometeu - exatamente o que houve de errado ali, e o que ele irá perder se isso acontecer de novo.
Isso me lembra muito Maquiavel ("Um líder deve ser amado e temido, mas se a primeira proposta não funcionar, melhor ser temido.") que de muitas formas foi julgado calculista, mas não podemos discordar que ele teve razão e apenas expôs o caminho mais fácil de lidar com a população, principalmente no surgimento de problemas.
Talvez isso não sirva só para os seguidores de Maquiavel, pois o amor pode ser estúpido o bastante a ponto de perder sentimentos recíprocos valiosos em troca de absolutamente nada.
Mas quem disse que se manter insensível é também uma tarefa simples?
O amor não basta*, nem nunca vai bastar.
Não pra
mim.




*É a segunda vez que essa frase é repetida aqui.
























Ele não disse nada. Tomara ópio.
As crianças diziam que tingia a barba de louro com ópio. Talvez.
O que lhe parecia óbvio é que o pobre homem era infeliz, e vinha para ali todos os anos como uma fuga; e mesmo assim, a cada ano ela sentia a mesma coisa: ele não confiava nela.
Dizia-lhe: "Vou à cidade. Quer selos, papel, fumo?", e o sentia estremecer. Não confiava nela.

Ele era descuidado; derramava coisas no casaco; tinha o cansaço de um velho sem nada para fazer na vida; e ela o pusera porta afora. Ela dissera, com seus modos odiosos: "Agora a sra. Ramsay e eu queremos conversar", e a sra. Ramsay pôde ver assim, com seus próprios olhos, as inumeras infelicidades de sua vida.

Teria ele dinheiro suficiente para comprar fumo? Teria de pedi-lo? Meia coroa? Dezoito pence?
Ah ela não podia suportar o pensamento das pequenas indignidades que ela lhe impusera. E sempre, agora (por quê, de alguma forma, àquela mulher), ele fugia dela. Nunca lhe contava nada. Mais o que mais podia fazer?
Ela lhe reservava um quarto ensolarado.
Na verdade, ela se desviava do seu caminho apenas para ser gentil.
Quer selos? Quer fumo? Aqui está um livro de que deverá gostar, etc.

Ofendia-a que ele lhe fugisse. Magoava-a. E ainda, fugia-lhe de forma errada, incorreta. E por isso, quando o sr. Carmichael fugia dela, como fez naquele momento, refugiando-se em algum canto onde comporia acrósticos sem fim, não se sentia repudiada apenas em seu instinto, mas consciente da mesquinharia que havia em alguma parte dentro dela e da imperfeição dos relacionamentos humanos, e de como as pessoas era desprezíveis e egoístas, por mais que se esforçassem.

Posted on 18:34 In:





























Era tão doloroso lembrar-se de que as relações humanas são falhas e não resistiam ao exame a que ela as submetia em meio ao amor e sua ânsia de veracidade; no instante em que lhe era penoso sentir-se convencida da sua indignidade de cumprir suas funções devido a essas mentiras, esses exageros...

Posted on 22:16





























Nem tudo são flores,
mas quando estou com você,
em qualquer jardim pode estar ensolarado.





























Você é mais, muito mais.
Não há como descrever melhor o que você representa na minha vida além de "mais", sempre mais do que eu poderia esperar.
Mais do que eu poderia idealizar, criar ou até mesmo moldar.
É maior e mais profundo do que todo desejo e anseio que ousaram se aproximar.
Romances baratos e diabéticos não podem ser mais mal contados do que o que tivemos...
Nem "1001 filmes" que ilustraram tantas noites mal dormidas com suor e gargalhadas naquela cama.
Você sabe me fazer sorrir, sorrir de verdade.
Poderia ter sido rápido, e teve tudo para ser passageiro... mas se mantém estranhamente pleno.
Tem toda razão, você não é o homem que eu vejo em você.
Isso porque jamais pude idealizar tal homem
Eu apenas vejo o único homem que sei amar.


19/08/09










Under Control

Posted on 12:03 In:





















Eu não quero desperdiçar o seu tempo.
Eu só quero dizer - Eu tenho que dizer,
Nós não temos controle sobre isso
Mas estamos sempre sob controle

Eu não quero do seu jeito
Eu não quero entregar tudo por você
Eu não quero saber...

Eu não quero mudar sua cabeça,
Eu não pretendo mudar o mundo.
Eu só quero te ver passar.
Eu só quero te ver passar.

"Nós éramos jovens, querida"
Nós não temos nenhum controle
Nós estamos fora de controle

Eu não quero fazer do seu jeito
Eu não quero mudar sua cabeça,
Eu não quero desperdiçar o seu tempo.
Eu só quero saber que você está bem;
Eu tenho que saber se você está bem.

"Você é jovem, querida"
Por enquanto,
mas não por muito tempo sob controle.



























Bruscamente, como se o movimento da mão dele tivesse libertado Lily do peso das impressões acumuladas, essas inflaram e extravasaram, numa pesada avalanche, em tudo que ela sentia por ele.
Era só uma sensação.
Então, como a fumaça, elevou-se a essência do ser do sr. Bankes. E agora havia outra sensação. Sentia trespassada pela intensidade de sua percepção: era sua severidade; sua bondade.
Eu o respeito (dirigia-se a ele em silêncio) em todos os seus átomos; você é extremamente altruísta; é mais dedicado que o sr. Ramsay; é o melhor ser humano que conheço; não tem mulher nem filho (ela ansiava por confortar sua solidão), você vive para a ciência (involuntariamente fatias de batatas surgiram diante de seus olhos); elogiá-lo seria um insulto para você; é generoso, puro de coração, um homem heróico!

Em que resultava tudo isso então? Como julgar os outros, pensar sobre os outros? Como se acrescentava uma coisa à outra e se concluía que era afeto ou desafeto o que se sentia? E que sentido atribuir a essas palavras, afinal?
Ela estava de pé, perto da pereira, aparentemente transtornada e inundada pelas impressões sobre esses dois homens.
Seguir o pensamento dela era como seguir uma voz que fala rápido demais para que se possa tomar nota do que diz. E a voz era a sua própria dizendo, sem que lhe sugerissem nada, coisas inegáveis, eternas, contraditórias, tanto que mesmo as fendas e saliências no tronco da pereira estavam irrevogavelmente fixadas ali por toda a eternidade.





























Ali estava ele de pé, esperando-a, na sala da casinha acanhada aonde ela o trouxera, enquanto ela ia um instante ao segundo andar ver uma mulher. Ouvia seus passos rápidos em cima; ouvia sua voz alegre e logo depois baixa. Olhou os guardanapos e caixas de chá, e as sombras dos globos, enquanto esperava, bastante impaciente, ansioso por voltar para casa e decidido a levar a sacola dela. Então ouvi-a sair; fechar a porta; dizer que deveriam manter as janelas abertas e as portas fechadas (devia estar falando com uma criança). De repente, surgiu, parou por um instante em silêncio (como se tivesse ficado representando lá em cima, e por um momento voltasse a ser ela mesma agora), quase imóvel, diante do quadro da rainha Vitória, com a fita azul da Ordem da Jarreteira. Subitamente, ele descobriu: ela era a pessoa mais bela que conhecera.
Com estrelas nos olhos e véus no cabelo, com ciclamens e violetas selvagens – mas em que despropósito estava pensando? Tinha no mínimo cinqüenta anos e oito filhos. Caminhando por campos floridos e levando ao peito botões esmagados e carneiros caídos; com estrelas nos olhos e vento no cabelo... Ele segurou sua sacola.
- Adeus, Elsie – disse ela, e subiram a rua, ela segurando a sombrinha, muito aprumada, andando como se esperasse encontrar alguém na próxima esquina. Pela primeira vez em sua vida, Charles Tansley sentiu um orgulho extraordinário; um homem escavando num bueiro parou de cavar e olhou-a; deixou o braço tombar e olhou-a. Charles Tansley sentiu um orgulho extraordinário; sentiu o vento, os ciclamens e as violetas, pois andava com uma mulher bela pela primeira vez em sua vida. Segurou sua sacola.


- Serpente! - gritou a Pomba com estridência.

- Não sou serpente nenhuma! - disse Alice indignada. - Deixe-me em paz!

- Serpente, repito! - inssistiu a Pomba, mas em tom mais moderado, e acrescentou, com uma espécie de soluço: - Já tentei tudo, todos os lugares, mas nenhum parece dar certo!

- Não tenho a menor ideia do que você está falando - disse Alice.

- Tentei todas as raízes das árvores, tentei as ribanceiras, tentei as cercas... - continuou a Pomba, sem lhe dar atenção - mas essas serpentes! Nada as satisfaz!

Alice estava cada vez mais intrigada, mas achou que era inútil dizer qualquer coisa até que a Pomba terminasse de falar.

- Como se não bastasse ter de chocar ovos - disse a Pomba - ainda tenho de vigiar as serpentes noite e dia! Há três semanas que não consigo pregar o olho.

- Sinto muito esses aborrecimentos todos - disse Alice, que estava começando a entender.

- E justamente quando arranjei a árvore mais alta da floresta, justamente quando pensava estar livre delas afinal, elas parecem vir se retorcendo lá do céu! Serpente, ugh!

- Mas eu não sou sepente, já lhe disse - protestou Alice. - Sou uma... sou uma...

- Bem, você é o quê? - disse a Pomba. - Estou vendo que está tentando inventar alguma coisa!

- Eu... sou uma menina - disse Alice um pouco hesitante, pois se lembrava das inúmeras mudanças que sofrera naquele dia.

- Uma linda estorinha, na verdade! - disse a Pomba com profundo desdém. - Já vi uma porção de meninas na minha vida, mas nunca vi um pescoço tão grande! Não, não! Você é uma serpente, não adianta negar isso. Não vai me dizer que nunca provou um ovo!

- É claro que já comi ovos - disse Alice, que não sabia mentir - mas as meninas comem ovos normalmente, tanto quanto as serpentes, você sabe.

- Não acredito nisso - disse a Pomba - mas se comem, então elas são uma espécie de serpente. É tudo que eu posso dizer.

A ideia era tão nova para Alice que ficou silenciosa durante um ou dois minutos, o que deu à Pomba a oportunidade de acrescentar: - Você está procurando ovos, sei disso muito bem. E que me importa então se você é uma menina ou uma serpente?





















- De que tamanho você quer ser? - indagou.

- Oh, não faço tanta questão de tamanho - apressou-se Alice a dizer - só que ninguém gosta de estar mudando tanto assim, a senhora sabe.
- Não, não sei.

Alice não fez comentários: nunca em sua vida fora tão contestada, e sentiu que estava começando a perder a paciência.

- Está satisfeita agora? - perguntou a Lagarta.

- Bom, eu gostaria de ficar um pouquinho maior, se a senhora quer saber - respondeu Alice. - Oito centímetros é uma altura tão insignificante!

- É uma altura boa, ora essa! - disse a Lagarta encolerizada, erguendo-se ao falar (ela tinha exatante oito centímetros de altura).

- Mas eu não estou acostumada! - argumentou a pobre Alice em tom consternado. E pensou: "Só queria que essas criaturas não se ofendessem tão facilmente".

- Com o tempo vai se acostumar - disse a Lagarta, e colocando o narguilé na boca, começou a fumar de novo.





























Você esta velho, Pai Joaquim - disse o rapaz -
E seu cabelo tão branco como a neve.
Mas de plantar bananeira ainda é capaz.
Na sua idade, você acha que deve?

Quando eu era jovem - respondeu Pai Joaquim -
Temia que o meu juízo se estragasse.
Mas hoje sei: não tenho nenhum, e assim
Vou plantando para que o tempo passe.

Você está velho, já disse - o jovem inssiste -
E engordou de modo descomunal.
Como é que na soleira ainda resiste
Entrar dando um salto mortal?

Quando eu era jovem - o velho diz pacato -
Mantive os membros rijos e fortes
Graças a este unguënto. É bem barato:
Posso vender-lhe dois pacotes?

Você está velho - disse o jovem - e seus dentes
Pra mastigar já estão fracos demais.
No entanto, devora um ganso, é surpreendente.
Me diga: como é que você faz?

Quando jovem - disse o pai - eu era um justo
E discutia tudo com a patroa.
Por isso as mandíbulas, digo sem susto,
Ganharam tal força: não foi à toa.

Você está velho - disse o jovem - e ninguém diz
Que sua vista ainda está certa.
Mas equilibra enguia no nariz!
Quem lhe deu uma cabeça tão esperta?

Já respondi três vezes tais pilhérias
- disse o pai - e não banques o profundo!
Pensas que vou ficar ouvindo lérias?
Some, ou te dou um pontapé nos fundos!

Azul

Posted on 08:38 In:




























Eu tenho pensado em você,
Principalmente depois que você se vai.
Eu fico sempre aqui, pensando muito em você.
Eu não sei se isso é algo bom ou ruim,
Só sei que passo horas pensando em você.
Não sei ao certo se te quero longe ou perto,
Se você me faz feliz ou estraga meus sonhos e planos,
Se me salva ou me destrói.
Não sei se a minha constante necessidade de estar em seus braços ou de ouvir sua voz me embalando como uma menininha para dormir, são desejos saudáveis ou doentios.
A minha mente me traiu de todas as formas, mas as noites podem ser de um azul tão profundo e belo, que a insanidade em que me afogo só me faz pensar mais uma vez em você.






Mariana

Posted on 16:54 In:





























Mais um fim de noite incompleto, uma noite em que Mariana escrevia.
-Mariana! Mariana!
Não queria escutar. A porta continuaria trancada e a janela aberta a espera de qualquer acontecimento que valha a pena.
Só pensava em coisas estúpidas, e já não sabia mais o porquê rabiscava poemas tão mórbidos no pequeno caderno. Não entendia nem um pouco o porquê de sentir tanto ódio.
Ódio de todas as substâncias que o levavam para longe.
"Nenhuma droga pode te levar para longe de si mesmo." - Mais um rabisco no velho caderno reciclável. -
Mariana se fechava diante de problemas, sabia que era inútil, mas simplesmente não conseguia ter outra reação.
Além disso, realmente acreditava que milagrosamente as pessoas poderiam ler a sua mente.
"Vá tome mais um gole, está tudo bem - a mente grita sem palavras."
Tola Mariana, não há corpos perfeitos, cuidados excessivos, objetos materiais, nem palavras ou substâncias químicas que podem saciá-lo.

Natasha

Posted on 12:09 In:



























Tem 17 anos e fugiu de casa
Às sete horas na manhã no dia errado
Levou na bolsa umas mentiras pra contar
Deixou pra trás os pais e o namorado

Um passo sem pensar
Um outro dia, um outro lugar

Pelo caminho, garrafas e cigarros
Sem amanhã, por diversão, roubava carros
Era Ana Paula, agora é Natasha
Usa salto quinze e saia de borracha

Um passo sem pensar
Um outro dia, um outro lugar

O mundo vai acabar
E ela só quer dançar
O mundo vai acabar
E ela só quer dançar, dançar, dançar

Pneus de carros cantam
Thuru, Thuru, Thuru, Thuru...

Tem sete vidas mas ninguém sabe de nada
Carteira falsa com a idade adulterada
O vento sopra enquanto ela morde
Desaparece antes que alguém acorde

Um passo sem pensar
Um outro dia, um outro lugar

Cabelo verde, tatuagem no pescoço
Um rosto novo, um corpo feito pro pecado
A vida é bela, o paraíso é um comprimido
Qualquer balaco ilegal ou proibido

Um passo sem pensar
Um outro dia, um outro lugar

O mundo vai acabar
E ela só quer dançar
O mundo vai acabar
E ela só quer dançar, dançar, dançar

Pneus de carros cantam
Thuru, Thuru, Thuru, Thuru...




Efêmero

Posted on 18:54 In:


















O amor é o efêmero da vida,
A parte que se foi
Antes mesmo de tentar permanecer,
Que não sabe se ama alguém
Ou se apenas ama o simples fato de ser capaz de amar.

O amor é açucar
A paixão diabetes
E nós os tolos, que apesar de tudo, estão dispostos a provar.

Razorblade

Posted on 18:15 In:

Oh, lâmina de barbear,
me encara
me encharca o rosto grotesco
o metal cintilante sussurra convidativo
o espelho se tornou lamentações despedaçadas
Oh, lâmina de barbear,
você realmente pode levar tudo embora?
Não, não pode.
É simplesmente uma lâmina de barbear no canto da pia.
O chão de pedra continua mórbido e gelado
como tudo que eu almejei ter um dia.












Awful!

Posted on 12:30 In:






















He's drunk, he tastes like candy, he's so beautiful
He's so deep like dirty water
God, he's awful!

You're lost?
oh, where's your daddy? -it's so awful

Swing low, sweet cherry, yeah its awful
You've got your youth, yeah its awful
I was punk, now i'm just stupid
I'm so awful!











A lagarta e Alice olharam-se por algum tempo em silêncio. Finalmente, a Lagarta tirou o nargulé da boca e perguntou, em voz lânguida e sonolenta:

-Quem é você?

Não era um começo de conversa muito animador. Um pouco tímida, Alice respondeu: - Eu... eu... nem eu mesmo sei, senhora, nesse momento... eu... enfim, sei quem eu era, quando me levantei hoje de manhã, mas acho que já me transformei várias vezes desde então.

- Que é que você quer dizer com isso? - perguntou a Lagarta, rispidamente.- Explique-se!

- Acho que eu mesma não posso explicar - disse Alice - porque eu não sou eu, está vendo?

- Não, não estou.

- Acho que não posso explicar melhor - replicou Alice com polidez - porque eu mesma não consigo entender, pra começar. E depois, ter tantos tamanhos diferentes num dia só é muito confuso.

- Não, não é.

- Bom, não sei. Talvez a senhora ainda não tenha passado por isso - continuou Alice - mas quando tiver de se transformar numa crisálida... pois isso lhe acontecerá algum dia, não é? ...e, depois disso, numa borboleta, tenho a impressão de que achará meio esquisito, não?

- Nem um pouco.

- Bom, quem sabe a sua maneira de sentir talvez seja diferente - disse Alice - mas o que sei é que tudo isso pareceria muito esquisito para mim.

- Você! - exclamou desdenhosamente a Lagarta. - E quem é você?

Isso levava tudo outra vez ao início da conversa.

Ole black n brown eyes

Posted on 10:25 In:





















Nas raras noites que eu me pego lembrando de você, eu não sinto sua falta, nem te sinto de qualquer forma que não seja lamentável... Mas confesso que sinto falta de te ouvir cantando pra mim.
Sinto falta de deitar naquele velho sofá e esperar seus olhos procurarem os meus e cantarem para mim: "Ole black and brown eyes..."
Um sorriso e nada mais.
Não sinto falta de te sentir.
Não sinto falta de beijos, nem do gosto áspero, e confesso que a essência de tudo era nauseante.
Mas sinto falta dos olhos, das misturas de cores e de amores que apodreceram num velho sofá.

























- Meu bem, eu sei que acabei de chegar... - hesitou por um instante - mas é que eu terei de viajar de novo amanhã... de manhã.- Pronto, tinha falado e não queria olhar nos olhos dela -.
-Mas, de novo? - Disse baixando os olhos -
-Sim... Eu sei que tenho estado longe, mas eu recebo pra isso e preciso realmente ir.
- respirou fundo tentando esconder o olhar desapontado e disse - Claro, eu entendo. - e realmente sempre entendia, entendia até demais - Sentirei sua falta.
- Amo você.


***


Durante uma tarde tranquila sem fazer nada, a campainha toca.
Não esperava ninguém, muito menos quem encontrou de pé na porta com olhos superiores que ela não sabia o porque de tal sentimento de superioridade.
Disse um breve "oi" e foi entrando ferozmente pela casa. Olhava tudo, queria ver tudo de perto -talvez perto até demais que se tornava doentio -.
Finalmente quando não havia mais jeito de criar brigas pela invasão, a garota parou com os olhos fixados e investigadores para um grande quadro de fotografias e disse no mesmo tom autoritário que indicavam seus olhos:

- Não vejo minha irmã.
- Também não vejo - a ironia é um eufemismo perfeito para situações onde o instinto animalesco fala mais alto -
- Você mandou jogar isso fora também?
- O que mais eu mandaria jogar fora? Já que sou tão ruim a ponto de ordenar e manipular.
- Jogou fora uma estrutura que era perfeita. Perfeita até você se incluir tomando o lugar de outros e fazer tudo ruir. Você não é como nós, nunca ferá parte de coisa alguma.
-já estava cansada da mesma ladainha e resolveu sair da posição de calma - Eu nunca faria isso, não me acho no direito de manipular ninguém, como também não tenho vontade alguma de fazer parte da sua brincadeirinha doentia. Eu não quero ser e muito menos agir como... - parou de repente. Não valia a pena, e só -.
- Que seja. Mas também não vejo fotos suas. Estranho não?
-Momentos importantes não podem ser registrados em fotografias - não valia a pena continuar. Deu um longo suspiro - Não tenho o direito de "invadir residências" e de entrar em assuntos que não são da minha conta. Ninguém tem algum direito de julgar as decisões de quem ama. E sinceramente, esse quarto não é meu para eu saber qualquer informação concreta pra sua brincadeira de interrogatório.
- Ótimo, o joguinho acabou então. Aqui não é nem sua casa.
- Nem por isso te dá o direito de ir entrando.
- Não se preocupe, minha consciência está limpa quanto a isso. Pois, se alguém como você entrou e permaneceu por tempo até demais...
-um forte empurrão e uma porta batendo com vigor- Mas que diabos essa infeliz veio fazer aqui com essa cena tão patética?


Cigarros

Posted on 04:36 In:




























A suavidade da fumaça alta e impregnada no seu corpo
No meio de certa noite quente e chuvosa
No meio de uma rua deserta e serena
Em meio aos respingos no vestido,
Eu aguardo
Fixando os olhos fielmente na esquina da rua,
Onde espero encontrar um rosto molhado

A fumaça morna conforta,
Enlaça-se no vestido e carrega todos os anseios do mundo

E o seu vício me abre o desejo
E o meu vício me leva ao aroma fixado na pele
O seu vício nos cigarros
O meu vício no teu cheiro com cigarros
O vício nas promessas tragáveis
O vício em deixar para trás toda uma vida cancerígena
Em sentir um prazer sombrio com todos os nossos vícios

Olhou-me nos olhos e disse sereno:
“Você escolhe demais pequena, escolhe tanto, que esse mundo todo aos teus pés se transforma rapidamente em fumaça”

Saiu pela janela do quarto
Saiu para comprar cigarros e não voltou
Mas continua sempre ali, como a fumaça.

Beautiful

Posted on 12:09 In:



























Beautiful, you're beautiful, as beautiful as the sun
wonderful, you're wonderful, as wonderful as they come

And i can't help but feel attached
to the feelings i can't even match
with my face pressed up to the glass, wanting you

Beautiful, you're beautiful, as beautiful as the sky
wonderful, it's wonderful, to know that you're just like I

And i'm sure you know me well, as i'm sure you don't
but you just can't tell
who'll you love and who you won't
and i love you, as you love me
so let the clouds roll by your face

we'll let the world spin on to another place
we'll climb the tallest tree above it all
to look down on you and me and them

don't let your life wrap up around you
don't forget to call, whenever
i'll be here just waiting for you
i'll be under your stars forever
neither here
nor there
just right beside you

Pão

Posted on 07:32 In:


















O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Pão recheado de paradoxos.
Pão que asfixia, mas não mata.
Pão que alimenta.
Inssiste em impedir o óbito ao acaso incostante.
Por outro lado, todavia...

Quem disse que o fraco é aquele que escolhe apenas não comer?



Cuida de mim - O Teatro Mágico

Posted on 15:11 In:



























"Pra falar verdade, às vezes minto
Tentando ser metade do inteiro que eu sinto
Pra dizer as vezes que às vezes não digo
Sou capaz de fazer da minha briga meu abrigo
Tanto faz não satisfaz o que preciso
Além do mais, quem busca nunca é indeciso
Eu busquei quem sou;
Você, pra mim, mostrou
Que eu não sou sozinho nesse mundo.

Cuida de mim enquanto não esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto fujo.

Basta as penas que eu mesmo sinto de mim
Junto todas, crio asas, viro querubim
Sou da cor, do tom, sabor e som que quiser ouvir
Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir
Quero mais, quero a paz que me prometeu
Volto atrás, se voltar atrás assim como eu.
Busquei quem sou
Você, pra mim, mostrou
Que eu não sou sozinho nesse mundo.

Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser.
Cuida de mim enquanto não me esqueço de você
Cuida de mim enquanto finjo, enquanto fujo, enquanto finjo."



O amor vê cara, vê coração e vê saldo de conta.
O amor vê carro, casa e perfume Dior.
Chora por desconto e corre em liquidação.

O amor procura o fácil, belo e de qualidade - sem esquecer o parcelamento de quatro vezes no cartão-
Leve agora e pague depois
Se o produto estiver estragado? A culpa é de qualquer outro por aí...

O amor só existe de forma pura na infância, em Branca de Neve ou Cinderela não há nenhum tipo de cobranças. E mais tarde descobrimos, que todo esse amor de conto de fadas, serviu apenas para o lucro de cineastas rechonchudos.
Mas porque tais produtores não passam a mensagem real?
Será que não percebem a lavagem cerebral infantil que criam?

A Disney é a maior criadora de futuros relacionamentos frustrados, criados ao léu e embasados na ilusão.
Pois o amor do mundo real se consiste numa massa capitalista, que lucra com filmes e mostra apenas o lado feliz raramente existente.
O ser humano é um eterno masoquista que adora viver num plano superior ao próprio.
E afinal de contas, quem hoje em dia gostaria de assistir à sua própria e frustrante realidade?



*Escrito em alguma terça-feira de Setembro.



















Fosse ou não (e acho que não era) parte da coreografia total, ainda assim suas palavras produziam efeito.
Especialmente naquelas meninas suscetíveis ao que chamamos de paixão de estudante, como eu. Um tipo de emoção - ás vezes muito forte - que uma menina sente pelo professor ou diretor de uma peça. E o objetivo dessa emoção geralmente é mais velho, o bastante para ser pai da menina.
É assim um misto de amor que se tem pelo pai e do amor que se tem por um amante.
Era como se ele soubesse o segredo de variar de tamanho, como Alice, no começo do livro.
Podia ser muito adulto e paternal, e subitamente diminuia, com a alegria e espontaneidade de uma criança.

Sombras

Posted on 14:40 In:





















A verdade nua e crua era que sentia falta dele, mal podia imaginar a vida sem ele, estava sempre esperando encontrá-lo na sala ao lado, em uma das poltronas que sempre usava, ou entrando por uma porta, dizendo: "Ah, Alice!", com uma expressão que sempre parecia de prazer autêntico.
Não conseguia encará-la de frente, via apenas as sombras lançadas pela espera da morte.
Estava sendo tola e até covarde, estava cansada de se fingir corajosa.
Sem ele para servir de audiência, parecia não haver nenhuma razão para continuar a luta.
Havia suportado a morte dos pais com bravura, mas agora podia sentir o que bem quisesse.

Um chá

Posted on 14:17 In:

Tinha a fatal ilusão de que não tinha ilusões...

- Você ainda se importa? - disse Rhoda
- Sim, eu me importo - admitiu Alice.
- Tolice!
- A tolice é uma parte essencial da vida - disse Alice, permitindo-se um sorriso malicioso.

Não fazia muita questão de que ela entedesse. O tempo que tinham passado juntas fora suficientemente deprimente.



















Sentia-se um impostor.
Em sua própria casa, com sua própria mulher, sentia-se um estranho.
Dava lhe um prazer sombrio essa sensação.
Era como o presságio da sua partida iminente, uma sugestão tentadora do que seria, não exatamente olhar para baixo, através das nuvens, para sua antiga vida e sua viúva, mas suficientemente próxima disso para ser fascinante.
Várias vezes notou como Alice passava geléia metodicamente na torrada. Ou, no fim da noite, observava com a atenção de um naturalista o modo como ela colocava os anéis na penteadeira e o bracelete de ouro trabalhado na caixa forrada de veludo.
Afinal, os pequenos gestos eram tão cativantes como qualquer coisa que ele pudesse imaginar.

Vislumbres roubados.
Lampejos colecionados.
Prêmios estimados.
Era totalmente absurdo, o oposto de qualquer manobra razoável por meio da qual ela estaria armazenando lembranças dele, tentando fixá-lo nos olhos da mente para os anos vindouros. Estaria ela?
Ele achava que não. Sabia que, quando ela fechava os olhos, não era para congelar o presente, mas para derreter o gelo do passado, para voltar ao paraíso perdido da infância, ser aspirada de novo para dentro daquela toca de coelho...

Porém, cedo ou tarde ele iria embora,
e mesmo não querendo ser nietzscista,
Alice sabia que aquela toca de coelho era apertada demais para dois.





















Ele poderia ter tirado Alice da toca do coelho,
podia ter sido Orfeu e ela Eurídice...
com mais suavidade ou mais aspereza do que tinha usado todos aqueles anos. Ou com maior insistência.
Não só na cama, mas no modo de vida dos dois...
Ela sempre se retirava para aquele seu mundinho no País das Maravilhas e ele respeitara essa atitude, porque achava que era isso que era o certo a fazer.
Mas isso tinha significado esconder dela os seus sentimentos.
Privara-a das indicações, às quais ela poderia ter reagido, de que se sentia só, de que tinha medo. Era mais sincero com as moças de Glenda*, permitindo que soubessem do que ele precisava. Naturalmente, eram pagas para lhe dar prazer e tinham obrigação de servir, lisonjear e até mesmo mentir, dizendo que ele era maravilhoso, caso fosse isso o que ele quisesse ouvir.




*Amantes do bordel de Glenda.


- Do nada não se pode tirar nada - disse ele.

- Perdão, o que disse?

- Nada, nada - respondeu ele. - Na verdade, quem deve pedir perdão sou eu.


A jovem era atraente, tinha muita boa vontade, havia tentado ao máximo com ele, mas nada, nada, nada, nada. Para parodiar o rei Lear. A outra citação era também de Lear, Hargreaves tinha certeza, embora fora de contexto.

O cabelo vermelho da jovem espalhado sobre a barriga branca dele era um espetáculo doloroso.


- A culpa é minha - disse ele - Ou pelo menos não é sua. Não tenho passado muito bem.

- Coitadinho - disse ela, com um último tapinha de adeus no membro flácido. - Aceita champanhe? Ou um brândi?

- Se me acompanhar. Champanhe?

- Bem, só uma taça - disse ela. - Vou buscar. - Vestiu um longo robe trasparente.


Hargreaves ficou ali deitado, considerando os absurdos da sua posição.




























[...]

- E ela é feliz? - perguntou Alice.

- A mim pareceu que é - respondeu ele - , mas acho que dece ter feito questão de se mostrar feliz... para mim. Ou para você. Trata-se do que você representa, eu acho, para muita gente, e para ela também.

- O que é que eu represento?
- Felicidade. Ou inocência. O que podemos lembrar da infância ou o que imaginamos. Você é a infância que todos nós gostaríamos de ter tido. E quem quer admitir ao próprio eu da infância que não conseguiu encontrar a felicidade?
- Acho então, que ela tem sito tão feliz quanto a maioria de nós.

Sick Boy

Posted on 22:36 In:






















Enquanto inalava o pó, eu o observava.
De longe, mas não tão longe.
Eu, de frente.
Ele, de perfil.
Meus cabelos atrapalhavam um pouco a minha visão ou era eu que não queria ver?
Mas estava bem atenta ao rosto dele, para que não me escapasse qualquer tipo de expressão.

Ele continuava a inalar.
Parava, me observava.
Inalava, com crueldade.
E eu na mesma posição, com a cabeça um tanto abaixada, mas o olhar erguido.
Olhava para dentro dos olhos dele durante a pausa que ele dava para me olhar.
Me arrancava um sorriso de canto de boca, mas eu abaixava a cabeça novamente e continuava a escrever.

Sobre o que?
Sobre aquela bela e ao mesmo tempo desprezível visão.
Se você observar, verá que ele é tão doce quanto eu.
Ou pelo menos tanto quanto finjo ser.

E toda uma vida, toda uma morte passa pela minha cabeça.
Tudo que é belo e nojento.
Amor, ódio.
Vida, morte.
Nesse exato momento, enquanto ele se mata aos poucos, me torturando, eu o vejo como um pai que partirá em breve, como um noticiário triste de um patético telejornal, como um amante que simpatizei, como um amigo que não mais terei.
Então, ele será apenas um pretérito, o meu pretérito mais-que-perfeito.






*Na foto o personagem mesmo sendo do mesmo filme, não é o "Sick Boy". Porém achei que ficou melhor caracterizado assim.

A Família

Posted on 13:33 In:


"O mais difícil de tudo era serem todos pessoas tão simpáticas.
Ele o amava, mas enchiam-no de tédio, e quando chegou domigo à tarde foi um alívio estar guiando para o aeroporto.
Sentia-se culpado por pensar assim, mas eles todos levavam vidas tão normais, tão rotineiras. No final de um fim de semana ele sempre se sentia um desajustado. Pelo menos a mãe se divertira."



"Continuamente leva a mão ao bolso traseiro da calça para sentir a segurança do frasco arredondado de bebida, de alumínio fino mas sólido, prometendo consolo e coragem, assim que ele possa encontrar um lugar convenientemente isolado. Como Fotheringay, que também bebia às escondidas.

Fotheringay, companheiro no serviço da Guarda Escocesa, certa vez admitiu que o homem que bebe sozinho é o pior tipo de bêbado, mas quando Caryl perguntou por que então não procurava se corrigir, Fotheringay respondeu: - Ora, Caryl, as pessoas que podem se controlar não compreendem o problema. Não têm a mínima ideia do que é a vida. Vivem em um sonho. Para nós, o único meio é com a ajuda da bebida."

O Mergulho

Posted on 13:14 In:



























"Apóia-se no atril para se equilibrar melhor.
Seria terrível desmaiar, pensa ela.
Mas seria aceitável morrer ali, para ser transladada do tempo naquele instante, conduzida para a eternidadde por aquele aplauso infatigável.
Ser devolvida àquele País das Maravilhas, que ela viu de relance mas nunca conheceu, ou no qual viveu tão brevemente, que mal consegue se lembrar!
Os olhos de Carrol*, ela lembra bem, eram límpidos e tristonhos, mesmo quando ele contava piadas, mesmo quando estava rindo.
Ser devolvida àquele olhar sombrio ou finalmente se libertar dele - as duas coisas seriam aceitáveis."







*Lewis Carrol, escritor de Alice in Wonderland

Adiós Amigos

Posted on 09:46 In:



























Éramos cinco,

Éramos quatro,

Éramos três,

Éramos plenas.

Riamos e brincávamos as custas de nossas próprias tragédias.

Éramos três confidentes, três passados e três futuros, que sonhávamos um dia ser entrelaçados.

Éramos a base da pilastra central.

Mas um dia todos os sorrisos foram lentamente ficando amarelados, e o telefone não tocava mesmo em datas especiais.

"Desculpe-me por algo que não fiz".

Começou com sorrisos distantes e terminou com faces mórbidas e duras por falta de expressão.

Mas hoje eu posso dizer adeus, pois choros no canto da casa que fui intrusa não me comovem mais.

E os encontros ficaram marcados por um único elo fraco e transparente, que por muito tempo, foi a base de sustento de algo que já ruiu.

O que somos agora além de perfeitas estranhas?

Estranhas que julgam e machucam por ter orgulho demais.

Acabou-se toda a magia e cor do nosso agora distante "arco-íris".

É o fim do BNDU, e o início de toda a minha tortura com relacionamentos frustrados.

Sejam bem vindos ao mundo real.

E nesse mundo não há amiguinhos nem arco-íris.

Aqui você está só, você se vira só, e se não se virar será sugado até os ossos.


*Foto: Alice no país das maravilhas, Alice e o Coelho.
Escrito em 23/07/09